Entrevista
Banco de Alimentos é referência no País
Santo André criou a primeira instituição pública do gênero na América Latina
O Banco de Alimentos de Santo André, coordenado pela Companhia Regional de Abastecimento Integrado (Craisa), é a primeira instituição pública do gênero na América Latina. O trabalho realizado pela Companhia serviu de referência para a criação de outras iniciativas emtodo o País, como o programa Fome Zero, do Governo Federal.
Criado nos anos 60, o Banco de Alimentos tem como objetivo reduzir os efeitos da fome por meio do combate ao desperdício de alimento, e assim permitir que um maior número de pessoas tenha acesso à alimentos básicos e de qualidade, em quantidade suficiente para uma alimentação saudável e equilibrada.
A supervisora de Segurança Alimentar do Banco de Alimentos, Adriana Coutinho Sanches, conversou com o Espaço Cidadania sobre o trabalho feito pela instituição e sobre os desafios que esses Bancos enfrentampor não teremuma legislação que exima a culpa do doador.

Espaço Cidadania: Qual o objetivo do Banco de Alimentos?
Adriana Coutinho Sanches: Nosso objetivo é arrecadar alimentos próprios para o consumo, mas que, por algum motivo, não foram comercializados; promover ações de Educação Alimentar junto à comunidade e desenvolver atividades de melhoria da qualidade de vida e incentivar o combate ao desperdício.
Cidadania: Qual tipo de alimento é aproveitado peloONG?
Adriana: Todos os que estão próprios para o consumo, pois o Banco de Alimentos avalia a qualidade dos produtos e os distribui para as instituições cadastradas.
Cidadania: Qual a importância para o País do trabalho realizado pelo Banco de Alimentos de Santo André?
Adriana: Contribui contra o desperdício, evita o acúmulo de lixo e reduz a fome, com aproveitamento integral dos alimentos recebidos em doações.
Cidadania: Qual a quantidade de alimentos arrecadada, emmédia, pormês? E quantas entidades são beneficiadas?
Adriana: Uma média de 85 toneladas/mês de alimento são arrecadadas. Ao total, são beneficiadas 129 instituições cadastradas no Banco de Alimentos.
Cidadania: Emmédia, quantas pessoas já foram beneficiadas pelo trabalho desenvolvido em Santo André?
Adriana: Mensalmente, atendemos 32.331 pessoas.
Cidadania: O Banco de Alimentos de Santo André tem hoje condições de atender a demanda das demais cidades da região?
Adriana: Não, pois há uma grande demanda na cidade, considerando: volume de doações e transportes das mesmas, espaço físico, equipe operacional, entre outros fatores.
Cidadania: Como é o trabalho feito com os alimentos para saber se eles podem mesmo ser consumidos e se não apresentamriscos de intoxicação?
Adriana: Temos uma equipe operacional capacitada com cursos de Vigilância Sanitária, supervisão com nutricionistas, técnicas e estagiárias de Nutrição. Na chegada dos alimentos é feita uma triagem, para só depois seremencaminhados para as instituições, que receberão as doações.
Cidadania:Você acredita que se houvesse uma legislação no Brasil, que eximisse a culpa do doador, poderia aumentar o número de doadores e diminuir a fome? Assim como prevê O Estatuto do Bom Samaritano?
Adriana: Sim, acredito. Atualmente há essa preocupação. No contato com o doador procuramos mostrar transparência e seriedade do nosso trabalho, convidando- o a acompanhar a realização das atividades.
Cidadania: Até que ponto as políticas públicas de segurança alimentar são eficientes?
Adriana: São eficientes do ponto de vista da estrutura e de como foramconstruídas. Porém, deveriam ser ampliadas com o objetivo de atender um maior número de pessoas em vulnerabilidade alimentar.
Élson Natário




