Instituições buscam acabar com a fome e o desperdício
Projetos, como “ColheitaUrbana”, incentivama doação do excedente de produção e encaminhampara entidades cadastradas

Para combater a fome e conscientizar a população sobre o desperdício, foram criados os Bancos de Alimentos. São órgãos que buscam doações de empresas privadas e instituições diversas para encaminhá-los às pessoas necessitadas.
“Procuramos amenizar os efeitos da fome por meio do combate ao desperdício”, contou Isabel Marçal, gerente da ONG Banco de Alimentos. A instituição realiza diversos projetos. Um deles, chamado “Colheita Urbana”, que ajuda instituições a combater a fome e incentiva empresas a evitarem o desperdício. “Pela manhã nós passamos por doadores como padarias, hortifrutis, sacolões, supermercados, mercados municipais e indústrias alimentícias. Recolhemos o que chamamos de excedentes de produção ou sobra de comercialização, e entregamos emseguida”, afirmou Isabel.
A gerente explicou que excedentes de produção são aqueles alimentos que não estão próprios para a venda. “É quando o produto ficou muito tempo na gôndola e tem um amassadinho ou está muito maduro. Então, ele não tem mais o poder de venda”, disse. “Existemplantações em que as primeiras folhas queimaram ou então que não cresceram de acordo com o padrão. Então, nós passamos em todos os locais pela manhã e, no período da tarde, entregamos para 50 instituições”.
A ONG atende associações que abrigam 21.163 pessoas, entre elas, crianças, portadores de deficiências e idosos, todos em risco alimentar e também economicamente não-ativos, que recebem os alimentos uma vez por semana. Ao escolher as instituições que irão ajudar, o Banco seleciona as mais preparadas para receber os insumos. “As doações são feitas levando em conta o número de pessoas, de refeições que o lugar oferece, a capacidade de armazenamento e processamento desses alimentos, e também a faixa etária e se essas pessoas possuemou não patologias associadas”, contou a gerente.
No Brasil inteiro é possível encontrar instituições que ajudam no combate a fome e a perda de alimentos. Outra instituição que realiza a coleta e a doação de alimentos é a Associação Prato Cheio, em São Paulo, que arrecada, em média, 10 toneladas de alimentos semanalmente. Com a ajuda de voluntários, eles pedem doações, embalam e armazenamosmantimentos, segundo as instruções da nutricionista, e transportam até às entidades que serão atendidas naquele dia.
De acordo com a Associação Prato Cheio, a alimentação do brasileiro não consegue atingir o consumo ideal de frutas, verduras e legumes, que seria de 400g ao dia. Pormeio da doação de alimentos, a instituição complementa cerca de 300mil refeições por mês. “A luta da Associação é contra a desnutrição e a fome por meio do não-desperdício”, disse a gerente geral da Associação Prato Cheio, Miriam Ferrari.
A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) também realiza doações. “O Banco Ceagesp de Alimentos coleta, seleciona e distribui os produtos para mais de 160 entidades, entre bancos de alimentos municipais e entidades sociais do Estado de São Paulo”, explicou Andréia Mendonça, coordenadora de Sustentabilidade da Ceagesp.
De acordo com Andréia, o objetivo da ação é reduzir a perda e incentivar o aproveitamento integral dos alimentos. Além de complementar a dieta de pessoas em vulnerabilidade social. As entidades interessadas em receber doações devem entrar em contato com o Banco de Alimentos para realizar o cadastro.
A Associação de Apoio à Criança comCâncer (AACC) é uma das instituições que recebem doações da ONG Banco de Alimentos. Maria do Carmo Celico, gerente da AACC, ressalta a importância da ação. “Temos um custo muito alto com a compra de mantimentos. Com a ação, as crianças vítimas de câncer podem ter uma dieta mais rica em algumas coisas”, disse.
Qualquer pessoa pode ajudar no combate à fome e ao desperdício. Basta descobrir meios de utilizar os alimentos da melhor forma possível. No site da ONG (www.bancodealimentos. com.br) é possível encontrar receitas e dicas de como evitar o desperdício.
Caroline Ropero




