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Folclore na escola preserva cidadania

Agosto é tradicionalmente conhecido como “mês do folclore”, já que desde 1965 foi estabelecido no Brasil um decreto que institui o mês do folclore em todo o território nacional.

 MEC recomenda que escolas explorem tradições regionais em salas de aulaA data pode ser uma ocasião para que professores e alunos promovam um debate sobre o espaço que as salas de aula ocupam na transmissão do patrimônio cultural do País, mesmo que as manifestações populares e o conhecimento da cultura nacional não devam ser lembrados apenas em datas comemorativas.

Segundo Gustavo Côrtes, mestre em Educação pela Universidade de Minas Gerais, que desenvolveu uma pesquisa sobre o ensino do folclore em Belo Horizonte, as escolas dão pouca atenção para o tema. “O principal problema é a falta de preparo dos professores para desenvolver trabalhos nessa área”, declarou. Côrtes também afirmou que se as universidades forem tomadas como exemplo, pode-se perceber a quase inexistência da cultura popular nesses meios.

Para a folclorista Meire Berti Gomiero Fonseca, membro da Comissão Paulistana de Folclore, além da falta de preparo, o número reduzido de pessoas que entendem de folclore dificulta um ensino mais amplo sobre o tema. “O folclore educacional precisa ser inserido pelo menos no ensino fundamental, para as crianças”, disse Meire. “Se não resgatamos e estudarmos o folclore ou a cultura brasileira, estamos perdendo nossa identidade e também a nossa cidadania”, acrescentou.

Alguns jovens concordam com a deficiência do folclore educacional no Brasil, como por exemplo o estudante de cinema Luiz Guilherme Guerreiro, 22 anos. “Considero o ensino do folclore brasileiro ineficaz por parte do Estado. Algumas mobilizações populares têm preparado um importante serviço à preservação de nosso patrimônio cultural, como associações de bairro e de artistas populares”, afirmou.

Para a hoteleira Katia Yamamoto, 23 anos, o folclore existe, “mas não da forma que deveria. No mundo tão informatizado e moderno, a cultura antiga está sendo esquecida cada vez mais. Ela existe, mas de forma superficial”, comentou.

O Ministério da Educação (MEC) recomenda às escolas atividades que explorem tradições regionais. No caso de a cidade ou região não apresentar tantos costumes, uma saída seria desenvolver trabalhos com histórias familiares. De acordo com a professora de História Corina Cenciani Reis, que ministra aulas sobre folclore no Colégio Metodista em São Bernardo do Campo e também em escolas da Prefeitura da cidade, “valorizar a cultura é sinônimo de valorizar a identidade”.

Lívia Martins

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