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Investimento em folclore abre possibilidades de turismo

A riqueza cultural brasileira torna-se cada vez mais um bom negócio. Todos os Estados brasileiros possuem um alto potencial de desenvolvimento do turismo voltado para o folclore. Cidades com tradições históricas e culturais atraem turistas em busca dessas manifestações.

DivulgaçãoPara o professor do curso de Turismo da Universidade Metodista de São Paulo, Dallmo de Oliveira, que leciona a disciplina Folclore e Turismo, as cidades que promovem eventos ligados ao folclore ganham a simpatia do turista. “Pode servir como forma de atrativo ao turismo”, disse. Para o professor, o folclore regional impulsiona a divulgação das práticas culturais, preserva e mantém o registro do patrimônio cultural da localidade.

Um exemplo de investimento no folclore que dá bons resultados é a cidade de Olímpia. Localizada a 434 quilômetros de São Paulo, a cidade é considerada a capital do folclore. A razão desse título é, em grande parte, por causa do Festival de Folclore de Olímpia, o Fefol, cuja 41ª edição será realizada entre os dias 6 e 14 de agosto.

Segundo o presidente da Associação Olimpiense de Defesa do Folclore Brasileiro, Márcio Soares, “o ícone turístico da cidade é o Festival de Folclore”. Neste ano, os organizadores esperam que cerca de 120 mil visitantes assistam às apresentações dos mais de 60 grupos folclóricos que integrarão o festival. A diretora de turismo de Olímpia, Rosali Ducati, contou que, durante o Festival, a cidade “respira folclore 24 horas”. Isso porque os grupos que se apresentam à noite fazem uma “peregrinação” pela cidade durante o dia. “Todos os lugares que você for encontra um grupo se apresentando. Se for ao banco, tem um grupo dançando, no Museu do Folclore (outro ponto turístico de Olímpia), vai encontrar um grupo lá, na praça também e por aí vai”.

Enquanto isso, no local reservado para o Festival, são promovidos debates sobre folclore, mostras e oficinas de artesanato, mini festival de folclore com as crianças e gincana de
brinquedos tradicionais infantis. Até a praça de alimentação oferece comidas típicas. O investimento em folclore na cidade não fica só no Festival. “Temos, por exemplo, encontros de Folia de Reis em janeiro e dança de congado, que acontece em maio”, disse Rosali. Também há um projeto de feira de folclore: uma feira de venda de artesanato que vai acontecer todo final de semana na praça.

Mas, segundo Soares, a grande aposta é a Universidade Livre do Folclore, com inauguração programada para outubro. “Aqui seria a referência nacional em termos de estudos folclóricos”, garantiu. Além de contar com acervo de livros, vídeo e som, a Universidade promoverá parcerias com pesquisadores de universidade públicas e privadas. E durante o ano inteiro serão realizados congressos e seminários. “Justamente para perenizar o ano inteiro a cultura do folclore”, concluiu.

Mas, ainda assim, segundo Soares, a grande dificuldade é o patrocínio. Embora no ano passado o Festival tenha atraído 114 mil pessoas, as empresas não se interessam. “Queremos mostrar aos patrocinadores que o público é muito grande e a festa é muito boa. E que vale a pena eles investirem do jeito que ele acontece: com suas raízes”.

A manutenção dos traços originais do folclore é uma preocupação sempre presente. “Há uma grande preocupação tanto da Prefeitura quanto da Associação Olimpiense de Defesa do Folclore Brasileiro de não deixar de modo nenhum perder as raízes, não descaracterizar nada disso”, contou Rosali.

Segundo o professor Oliveira, esse cuidado em se preservarem as origens é extremamente importante. “Na medida em que é feito o turismo em massa, a localidade fica mais vulnerável.
O turismo deve contribuir para a localidade e não atrapalhar”,
ressaltou. “O turismólogo deve ter consciência da importância de preservar e manter a prática e identidade de certa localidade”.

Daniel Trielli
Helder Capuzzo

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