A lenta conquista da inclusão racial
Dessa exploração sem limites, os negros saíram fortemente lesados, pois foram
violentados cultural e socialmente durante um longo período. “O Brasil precisa
compreender que seu pecado original foi ter excluído o negro de todo seu
processo histórico. Ao longo desses 500 anos, o negro ficou de lado”, afirmou
José Vicente, reitor da Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares, localizada
na cidade de Sâo Paulo.
E por mais paradoxal que possa parecer, só agora, mais de cem anos depois da abolição da escravatura no Brasil, os negros começam a dar os primeiros passos para a conquista de um lugar na sociedade que lhes é de direito, como mostra a melhoria da taxa de escolaridade e a crescente participação dos negros nas universidades.
Porém, para José Vicente, é preciso ir além do que está previsto nas leis e nos estatutos. É necessário criar um ambiente em que a igualdade legal seja também uma igualdade real, de forma que todos, independentemente da cor da pele, tenham direitos igualitários dentro da sociedade. “Só dessa maneira o Brasil terá uma representação mais global da diversidade que lhe é característica”, disse o reitor.
Mas em meio as mais variadas dificuldades, a classe tem conseguido bons resultados em um processo que, segundo José Vicente, não tem volta. “Os não-negros compreenderam a oportunidade e a obrigatoriedade que têm de solucionar esse problema. A sociedade despertou e começa a desenvolver uma série de ações em relação à exclusão do negro”, completou.
Um dos avanços que essa parcela da população tem conquistado é a questão da escolaridade. Claro que em nível ainda inferior ao dos brancos, os negros vêm melhorando a taxa de alfabetização, e o número de negros que ingressam em faculdades tem aumentado nos últimos anos. As cotas nas universidades e projetos como a Universidade Zumbi dos Palmares, onde 87 % dos alunos são negros, ajudam a melhorar esses números.
“No contexto de exclusão das minorias em geral e do negro no processo político, econômico e social do País, exige-se que haja algumas formas de criar novas possibilidades e, em certa medida, até reparar erros do passado, criando oportunidades efetivas para que muitos jovens negros, a partir do acesso à universidade, transformem-se em grandes profissionais e cidadãos”, disse o reitor da Zumbi dos Palmares.
Para José Vicente, no cenário atual muita coisa já melhorou e muito mais está por acontecer. O reitor cita alguns exemplos bem sucedidos, onde o negro conquistou um espaço que antes não lhe era permitido, como é o caso de Joaquim Barbosa, primeiro ministro negro do Superior Tribunal Federal, e de Daiane dos Santos, campeã mundial de ginástica, esporte dominado por brancos durante muitos anos. “Outra referência é o programa de televisão do Netinho que, em uma mídia em que o negro é invisível, está completando cinco anos com boa audiência. Também temos a Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares, que foi pensada, gerida, construída e administrada por negros e tem a maioria também de alunos negros”, destacou.
Suellen Zuanazzi




