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Redução da pobreza depende de todos os setores da sociedade

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“Acabar com a miséria!” A frase, dita assim, pode soar um tanto quanto sonhadora. Mas esse acaba sendo, indiretamente, o objetivo das milhares de organizações, governamentais ou não, que atuam diariamente em diversos setores da sociedade. Desde associações que tiram menores das ruas até aquelas que são responsáveis por coordenar cooperativas de trabalhadores carentes todas têm um papel importante nas ações contra a pobreza.

As atitudes e parcerias envolvendo ONGs no País são fundamentais para garantir dignidade a certas parcelas da população, já que o Brasil é carente em diversos setores sociais. Projetos como o “Ação da Cidadania contra a Fome”, criado pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, se tornaram famosos e conseguiram grandes resultados junto à população carente.

Além do trabalho exclusivo das organizações não governamentais, parcerias público-privadas também costumam obter resultados positivos. A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social da Prefeitura de São Paulo (SMADS) desenvolve trabalhos sociais junto à população — de bebês a idosos

— em situação de vulnerabilidade social. Estar “vulnerável socialmente” é enfrentar qualquer motivo que impeça o indivíduo de usufruir de direitos como família, lazer, escola, cultura, trabalho.

“Nosso trabalho é focado no fortalecimento da convivência familiar e comunitária, ou seja, ele é preventivo”, afirma Viviane Delgado, assistente social da SMADS. Para ela, a estrutura familiar forte é necessária para evitar que o indivíduo, por algum motivo, busque a rua. “Grande parte das crianças, adultos e idosos que saem de casa o fazem por problemas familiares. É por isso que trabalhamos na estruturação familiar e comunitária”, frisa.

Paralelamente aos trabalhos preventivos, a SMADS realiza projetos corretivos. Viviane explica que, quando uma criança ou adolescente que vai para a rua necessita de assistência, é encaminhado à Vara da Infância, que realiza o trabalho de reintegração do jovem à família “Muitas vezes, a família não se sente em condições de criar a criança e procura ela mesma a Vara. Lá, o juiz encaminha a criança ou jovem para um dos abrigos (há um para cada vara) e é iniciado o projeto de ressocialização da criança e da família”, diz. Segundo ela, nos próximos meses será votada uma lei que inclui automaticamente todas as crianças que são encaminhadas às varas da infância em algum programa de transferência de renda, como o Bolsa-Família e o Bolsa-Escola.

Todos os trabalhos da SMADS são desenvolvidos em parceria com ONGs e isso reforça o papel da sociedade civil na luta pelo fim da miséria e da falta de dignidade. “A Secretaria também tem a função de destinar verbas para algumas organizações. O trabalho delas é essencial para o sucesso dos projetos. Sem dúvida as parcerias desenvolvidas pela SMADS com os núcleos e associações de periferia contribuem para a redução da miséria em São Paulo. Temos realizado um trabalho muito significativo junto às comunidades e isso contribui sim, e muito, para a redução da pobreza”, conclui.

O trabalho da sociedade civil também é muito importante, e o papel do cidadão é fundamental. A estudante Érika Duarte Ceconi, de 20 anos, dá o exemplo: Érika faz Jornalismo e realiza um projeto junto à ONG Rede Rua, que atende moradores de rua. “Colaboro voluntariamente na realização do jornal “O Trecheiro”, uma publicação direcionada aos moradores de rua, que trata de assuntos de interesse deles, como denúncias de abusos e projetos sociais”, conta. A Rede Rua conta com albergue, refeitórios e núcleo de vivência. Érika aposta na importância desse tipo de trabalho: “Os projetos sociais conscientizam os moradores de rua e os fazem buscar ajuda. Além disso, a maioria desses projetos ensina ofícios como artesanato, por exemplo, e preparam a pessoa para o mercado de trabalho”.

É possível perceber que todos os setores têm papel importante na luta contra a miséria. Seja por meio de projetos sociais privados, por ONGs, ou até mesmo por trabalhos sociais organizados por pessoas físicas.


Ana Paula Freitas

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