Conheça também

null null null
 

Redução da pobreza é desafio para o Brasil

Má distribuição de renda e falta de acesso à educação são os principais problemas
1.jpg

Menos de 80 reais. Essa é a quantia com a qual 50 milhões de brasileiros sobrevivem mensalmente. Os dados são da Fundação Getúlio Vargas (RJ). Esse número corresponde a 29% da população do País. O Nordeste é a região que tem o maior índice de pobreza no Brasil. Todos os estados nordestinos têm mais de 50% de sua população abaixo da linha da pobreza, com exceção do Rio Grande do Norte.

Entre 2003 e 2004, o Brasil melhorou no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Mas recuou no ranking mundial de desenvolvimento humano. Numa lista de 117 países, o País caiu de 68o para 69o na posição. A melhora se deve à mudança em todos os indicadores educacionais, principalmente na segunda metade da década de 90. “O acesso mais amplo à escolarização, ocorrido na década de 90, foi crucial para iniciar o processo de redução da pobreza”, explicou Maria Helena Guimarães, que atua na Secretaria da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico de São Paulo (SCTDE). Outra afirmação dela é que a melhor política para combater a pobreza é o crescimento econômico, que “irá gerar trabalho e renda”.

Para Sergei Soares, economista e pesquisador do IPEA (Instituto de Política Econômica Aplicada), o Brasil é um País desigual desde sua colonização. “Desde que o Brasil é Brasil, ele sempre foi absurdamente desigual. O País era uma fazenda de escravos”, afi rmou. Soares também conta que a partir de 2001, a desigualdade começou a cair rapidamente. “Comparados com países da África e da Ásia, éramos o mais desigual do mundo. Hoje o título pertence a África do Sul”, disse.

Os pesquisadores entrevistados têm destacado a redução do número de pessoas abaixo da linha da pobreza. “O panorama social tem melhorado. Desde 2000, os indicadores de pobreza tem diminuído” disse o doutor Renato Baumann, diretor do Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe). Para ele, a pobreza no Brasil é “um tema politicamente sensível”.

Programas sociais têm sido criados para a melhoria de vida da população de baixa renda. Na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo deu prioridade ao Bolsa Família. Por meio da Medida Provisória número 132, em outubro de 2003, o programa consiste na transferência de renda para famílias em situação de pobreza, com renda per capita de até R$ 120 por mês.

Já para André Urani, professor e doutor do IETS (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade), o Brasil está indo na direção correta para a redução da pobreza. “Estamos caminhando, embora esteja acontecendo de forma lenta. Mas tenho plena consciência de que é um processo demorado”, explicou. Para Urani, o Brasil tem condições e deveria estar num processo mais rápido. “Estamos andando, mas mais devagar do que deveríamos”, afi rmou.

Outro problema que contribui para manter a população na linha da pobreza é o analfabetismo. Para Maria Helena, a escolarização incompleta é um grande “empecilho” para que se melhore de vida. “Fica difícil para a pessoa conseguir bons postos de trabalho, deixando-a relegada a subempregos, em geral na informalidade, sem qualquer direito trabalhista”, explicou.

Cidadania e Educação - Mesmo com todas as dificuldades, os especialistas afirmam que a população de baixa renda pode exercer seu papel de cidadão. Para André Urani, cidadania não é uma questão de renda e sim de educação. “Evidente que elas podem exercer sua cidadania de várias formas. Deve-se ampliar sua capacidade de entender o que é ser cidadão”, disse.

Maria Helena também aponta a educação como fator de desenvolvimento. Para ela, as famílias devem insistir para que os seus filhos estudem até o terceiro ano do Ensino Médio e, se possível, prosseguirem no Ensino Superior. “Caso isso não ocorra, estarão reproduzindo o ciclo de pobreza da família. Os avós eram pobres, os pais também são e os fi lhos serão igualmente pobres”, afirmou.

Osmar Roberto Pereira

Ações do documento