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O idoso e a cidadania

O sociólogo Roberto Huck é mestre em Educação e especializado em Antropologia Cultural. Atuou como professor na Universidade da Terceira Idade da Universidade Metodista de São Paulo e também escreveu junto com outros autores o livro “Identidade Cultural no Brasil”, que contém histórias de vida.
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Espaço Cidadania: A população de idosos tem aumentado no Brasil?

Roberto Huck: Dos anos 90 para cá houve um desaceleramento no crescimento populacional. Os casais que nos anos 50 e 60 tinham em torno de seis a nove filhos, hoje se limitaram a um ou dois no máximo. Em países do mercado comum europeu encontra-se pessoas idosas que gozam de uma qualidade de vida excepcional, com uma boa pensão. O envelhecimento dessa população acompanhou o desenvolvimento econômico. No caso do Brasil não tivemos um desenvolvimento econômico que acompanhasse essa mudança. Teremos uma população idosa, mas que nem sempre vai ter uma qualidade de vida com o padrão europeu.

Espaço Cidadania: Hoje se sabe que muitos idosos sustentam suas famílias. Isso vai continuar nos próximos anos?

Huck: Isso vai depender das condições econômicas que forem se desenvolvendo. Se partimos do pressuposto atual, provavelmente, vamos ter isso de duas formas: a aposentadoria do pai ou da mãe vai ser mais uma renda para ajudar na manutenção da família e outra é o idoso que pagou a previdência privada.

Cidadania: A Previdência Privada seria a melhor opção?

Huck: Seria, mas nem todo mundo pode pagar. Para a maioria da população, principalmente a rural e a de baixa renda, a previdência social governamental é ainda uma saída. Mas ela precisa ser bem administrada.

Cidadania: Então a Previdência Pública precisa de uma reforma?

Huck: Nós vamos ter uma nova reforma. Eles vão mexer no tempo de contribuição no período de aposentadoria.

Cidadania: Se a Previdência não puder sanar esta demanda, os idosos terão que buscar alguma renda. Haverá mercado de trabalho para essas pessoas?

Huck: Se houver um crescimento econômico também terá uma abertura de novos postos de trabalho, com o idoso voltando novamente a trabalhar. Mas antes deve haver uma mudança de cultura das organizações, porque hoje uma pessoa por volta de 40 anos fica de fora do mercado. Mas há empresas com projetos de inclusão social, admitindo pessoas nessa faixa etária.

Espaço Cidadania: Fale um pouco da Universidade da Terceira Idade da Metodista.

Huck: O contato com os idosos era muito interessante. A educação tem todos os aportes para trabalhar com essa população. Hoje você vê em todas as universidades projetos voltados para a terceira idade onde o idoso se sente novamente atuante e ativo perante a sociedade. Hoje vemos idosos trabalhando com informática, lidando com e-mail. O idoso é extremamente capacitado.

Cidadania: O Estatuto do Idoso foi um progresso?

Huck: É complicado. Um estatuto nunca abarca a realidade, mas tê-lo já é alguma coisa. Tem algo positivo, mas precisamos ir além. Temos que fazer com que a pessoa não tenha que respeitar o idoso porque é lei, mas sim porque ele é uma pessoa importante na sociedade.

Cidadania: A educação seria uma forma de mostrar o papel de cidadão do idoso?

Roberto Huck: Sem dúvida. Tanto para o idoso como para a sociedade. Desde o primário, na préescola, as crianças devem ser ensinadas de que elas serão idosas um dia. É necessário fazer um trabalho para as novas gerações.

Osmar Pereira
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