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Universidade Metodista de São Paulo

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Você está aqui: metodista Espaço Cidadania Número 45 Os caminhos da leitura
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Os caminhos da leitura

A profa. Edna Barian Perrotti é graduada em Língua Portuguesa pela PUC de São Paulo e doutora em Lingüística Aplicada pela mesma faculdade. Ela é autora do livro “Superdicas para escrever bem”, da Editora Saraiva e também professora do curso de Educação e Letras da Universidade Metodista de São Paulo.


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Espaço Cidadania: O atual sistema educacional brasileiro é capaz de criar nos alunos o desejo pela leitura?

Edna Perrotti: Sempre que alguém me faz alguma pergunta relacionada ao hábito de leitura parece restringir sua significação ao ato de ‘ler os livros da literatura portuguesa e brasileira’, aqueles livros clássicos solicitados (ou impostos?) pelas escolas. Se for nesse sentido, sim, as pessoas lêem pouco. Só que ler, hoje, não se restringe ao código escrito daqueles objetos com capa e folhas de papel. Ler, no século 21, na era tecnológica, deve ser compreendido no sentido de ler o mundo, com suas múltiplas linguagens, e não apenas ler livros (romances, contos, poesias, etc.). Isso não significa que eu não dê importância ao livro, muito pelo contrário. Sou uma leitora voraz de livros, fui a vida toda. Pertenço a uma geração em que o prazer da leitura era compartilhado por aqueles que pertenciam a um mesmo grupo social, o que não ocorre hoje.


Cidadania: Os incentivos governamentais têm sido suficientes (bibliotecas, campanhas educativas)?

Edna Perrotti: Outra questão delicada. De nada adianta haver uma biblioteca em cada bairro, campanhas educativas, se pais e professores não forem bons leitores. Principalmente, se os professores não transmitirem o amor que eles mesmos devem sentir pela leitura.


Cidadania: Existe alguma relação direta entre leitura e desenvolvimento?

Edna Perrotti: Vamos retomar à primeira questão. Se ler, hoje, precisa ter o significado de entender a multiplicidade de linguagens que o mundo nos oferece – linguagem visual, audiovisual, gestual, oral, escrita, da internet, do hipertexto, entre outras –, é evidente que leitura e desenvolvimento estão intimamente ligados. Como é que eu me situo no mundo se não for pela linguagem? Como é que eu entendo uma mensagem se eu não faço a sua leitura? O que falta é saber compreender, entender, interpretar os diferentes códigos, e isso a escola não está ensinando a fazer e não está sendo capaz de levar o aluno a interpretar, a ter senso crítico, a se posicionar em relação às milhares de mensagens com que é bombardeado no seu dia-a-dia.


Cidadania: A popularização da internet pode diminuir o hábito de leitura de livros? Ou é exatamente o contrário, por meio da difusão dos ‘livros eletrônicos’?

Edna Perrotti: No meu ponto de vista, a internet pode levar a criança, o jovem e mesmo o adulto até a ler mais, mas para isso é necessário todo um trabalho de conscientização, de planejamento das escolas, de objetivos voltados para uma prática diferenciada de leitura em seus projetos pedagógicos.


Cidadania: Como criar o hábito de leitura numa população que não tem esse costume, como é o caso da brasileira?

Edna Perrotti: Lendo. Principalmente lendo com a criança. Colocando à disposição temas interessantes para ela ler, conversando com ela sobre diferentes assuntos, deixando- a dar sua opinião, expressar seus pontos de vista sobre o que leu. Caminhar com ela neste universo maravilhoso, conduzindo-a pelos caminhos da leitura com a segurança e o prazer de já ter percorrido os mesmos caminhos.


Ana Paula Freitas