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Sentimento de solidariedade mobiliza cidadãos

Atuando em causas socias, grupos de voluntários levam dignidade e respeito ao próximo
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O trabalho voluntário vem assumindo um expressivo papel na sociedade, envolvendo pessoas de diversas áreas, como estudantes, advogados, e outros profissionais que estão dispostos a aplicar suas aptidões em prol de ações sociais. Há também os que driblam os diversos obstáculos, como a falta de tempo, para ajudar causas que não são de interesse próprio. Para eles, o voluntariado agrega valores que o dinheiro não paga, e essas pessoas passam a valorizar mais suas vidas.

Atuar como voluntário pode não ser uma tarefa fácil e a recompensa não está em ser remunerado financeiramente. Ao ajudar o próximo muitos conseguem entender melhor suas próprias dificuldades, e essa é a gratificação. É o caso da advogada Kátia Helena Andalaft, diretora social do projeto Voluntários em Ação, criado em 2003, em São Paulo, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos moradores de rua. “Entendi que meus problemas eram mínimos diante da miséria, do frio e, sobretudo, da indiferença das pessoas para com os moradores de rua”, disse. O programa, que ainda não possui uma sede própria, conta com ajuda de algumas empresas e dos integrantes da Instituição. Um domingo por mês, os voluntários se organizam para entregar comida, roupas, além de cobertores no inverno. Também procuram levar auxílio moral para os diversos tipos de pessoas nas ruas, como alcoólatras, cidadãos que perderam a memória e não sabem voltar para casa e pais de família que perderam o emprego.

Segundo Kátia, o voluntariado completa o sentido da sua vida pessoal e contribui para seu crescimento profissional. “O trabalho agrega os conceitos de dignidade e respeito ao próximo. Minimizamos nossos preconceitos e agradecemos a Deus por termos uma família, uma casa”. Com o trabalho, Kátia auxilia os moradores de rua, providenciando segunda via de documentos, como certidão de nascimento e localizando paradeiro de familiares. Para ela, não tem preço melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. “Nós é que fomos agraciados, recebemos muito carinho”, completa a advogada.

Grande parte dos voluntários têm algo em comum, o impulso solidário que os motiva a continuar atuando em causas sociais. A aluna do curso de Relações Públicas, da Universidade Metodista de São Paulo, Louise Assumpção, também acredita que pode contribuir dedicando um tempo e aplicando seus talentos. Ela faz parte do grupo “Sopão Maná”, que entrega comida aos moradores de rua todos os sábados no município de São Bernardo do Campo, São Paulo. “Ajudamos pessoas que são esquecidas pela sociedade e o objetivo é fazer com que elas se sintam queridas”.

Para Louise, o trabalho voluntário acrescenta valores para a sua vida pessoal e profissional. “Eu consigo colocar em prática conhecimentos obtidos no curso, pois, em Relações Públicas, temos que saber lidar com os diversos públicos. Com os moradores de rua é a mesma coisa. Temos que conhecê-los para entender suas necessidades”, explica a estudante.

Impulsionada por esses sentimentos de solidariedade e responsabilidade social, a dona de casa Fátima Mondin Leme se dispôs a ser voluntária no programa de Capelania Hospitalar no Hospital Servidor Público do Estado de São Paulo. Ela dedica quatro horas semanais para visitar os doentes leito a leito, distribuindo literatura bíblica com mensagens de consolo aos pacientes e seus familiares, além de entregar cestas básicas. Fátima organiza seus horários para manter seu compromisso com o voluntariado, a atividade social passou a ser seu trabalho. “Não recebo salário, mas tenho isso como minha profissão. Se eu trabalhasse, eu teria horário para bater cartão, então faço isso como voluntária”.


Thais dos Santos

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