Quinze anos de Ação Social

Projeto realizado pela Catedral Metodista de São Paulo abriga população carente em albergue e oferece capacitação profissional

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A temperatura cai na maior cidade do País. São Paulo anoitece e os termômetros chegam a marcar seis graus. Os paulistanos são obrigados a retirar os cobertores que estavam no armário. Alguns até possuem lareira ou um aquecedor que mantém a casa aquecida durante a noite fria. Mas e aqueles que não possuem sequer uma habitação? Para dar um pouco de conforto para essa população, a Comunidade Metodista Povo de Rua, projeto social da Catedral Metodista de São Paulo acolhe essas pessoas em um albergue, dando toda assistência. O trabalho completou 15 anos, no mês de julho.

O albergue atende preferencialmente homens adultos, embora auxilie também mulheres e crianças acompanhadas pelo responsável, munidas de documentos que comprovem a paternidade. Localizado em uma estrutura construída dentro do Viaduto Pedroso, no centro da cidade de São Paulo, o albergue atende 380 pessoas por dia. Quando a temperatura cai, o número aumenta para 460.

Ao chegar à comunidade, o morador de rua é orientado a fazer sua higiene pessoal e recebe um leito e um cartão numerado que lhe possibilita o uso de um armário para guardar seus pertences. Quando precisa de roupas, estas são fornecidas de acordo com as doações. “Em todos os lugares que essas pessoas andam, elas ouvem um não. Aqui elas têm que ouvir um sim”, disse o pastor Renato Saidel, coordenador administrativo do albergue.

As refeições são preparadas por funcionários do albergue, que chegam a utilizar uma tonelada de carne, arroz e feijão por mês. A coordenação do projeto preocupa-se sempre em dar alimentos de primeira qualidade.

Para estimular a cultura, o projeto ainda conta com um pequeno acervo de livros e possui também televisão a cabo. Os abrigados também têm aulas de artesanato e participam de cursos profissionalizantes. Outra iniciativa para devolver a alegria a essas pessoas é o acompanhamento de profissionais da saúde, além de uma palavra de conforto expressada por meio de momentos de reuniões em grupo durante a semana, onde é trabalhada a auto-estima do indivíduo. “Embora o Município seja laico, a Bíblia está sempre presente nessas reuniões. Nunca tivemos problema com isso”, explicou o pastor Saidel.

No albergue, existe um mural onde são afixadas ofertas de empregos. Há um telefone público que recebe chamadas, no qual o usuário pode fornecer o número para a empresa em que está pleiteando a vaga. Um funcionário do albergue é treinado para atender ao telefone. “Ele é orientado [o funcionário] a não dizer que estamos num albergue, porque senão perde-se a vaga”, esclareceu o pastor.

As pessoas que chegam à Comunidade possuem as mais diversas histórias. Renato Saidel conta que já atendeu um ex-diretor do Hotel Transamérica, uns dos mais caros da cidade. “Este homem possuía três graduações, além de ter um passaporte com várias viagens ao exterior”, conta. Já Marcelo Franco de Oliveira trabalhava em Intanhaém (Litoral de São Paulo) e começou a passar dificuldades financeiras. Ao buscar melhores condições de vida na capital, acabou indo morar na rua com a esposa. “Eu nem sabia que existia o albergue. Me indicaram e, assim que cheguei, consegui emprego de ajudante de cozinha”, lembra Marcelo. Hoje, ele possui uma casa mobiliada com ajuda de doações da Catedral Metodista. A esposa trabalha como balconista, e o casal possui um filho de dois anos.

Segundo o pastor Renato, há cerca de 12 mil pessoas vivendo nessa situação na cidade de São Paulo. “Vários fatores levam a pessoa para a rua, como conflitos familiares, alcoolismo e dependência química”, explicou. O município tem capacidade para atender até 8 mil pessoas, nos diversos albergues espalhados pela cidade paulistana.

A Comunidade Metodista Povo de Rua precisa de ajuda. O auxílio dado para o albergue por meio da Igreja Metodista da Inglaterra não foi renovado. Cerca de R$ 50 mil por ano, que eram destinados ao projeto, deixarão de atender as 380 pessoas que são assistidas pela Comunidade. “A falta de dinheiro tem sido nosso ‘calcanhar de Aquiles’. O projeto corre o risco até de fechar”, completou Renato.

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