Renas: envolvimento cristão
Klênia César Fassoni é diretora administrativa da Editora Ultimato e integra a Equipe Editorial da revista Mãos Dadas. A editora Ultimato fez parte do grupo de trabalho que articulou a formação da Rede e desde então tem atuado na área de comunicação da Renas.

Espaço Cidadania: Contenos um pouco da história e dos objetivos da Renas.
Klênia: A RENAS – Rede Evangélica Nacional de Ação Social é um conjunto de organizações de ação social com indentidade evangélica articulado em rede. Tem o objetivo principal de criar um espaço onde se compartilhem recursos, encorajamento, experiências e tecnologia social. A rede foi formalmente estabelecida em março de 2003, durante uma Consulta que reuniu cerca de 100 pessoas de 90 diferentes organizações de todas as regiões do Brasil.
Espaço Cidadania: A rede conta com voluntários ou entidades? Quem pode participar, e em que frentes atua?
Klênia: Atualmente, são 23 organizações filiadas além de 6 redes: Rede Mãos Dadas, Rede Fale, Rede SOS Global, Rede Evangélica do Terceiro Setor de MG, Rede Evangélica do Paraná de Ação Social e Rede Evangélica de Ação Social Grande Rio. Estas organizações participam voluntariamente das atividades da Renas. O site www. renas.org.br traz informações para quem deseja filiar- se ou simplesmente receber o boletim eletrônico semanal da Renas (Atalhos). A Renas tem atuado em várias frentes: na capacitação, promovendo ou apoiando eventos. Na identificação das iniciativas evangélicas, por meio do MASE – Mapa de Ação Social Evangélica. Cerca de 250 organizações já preencheram este questionário no site da Renas. Juntas, elas representam mais de 1,5 milhão de beneficiados. Ainda timidamente, a Rede tem se envolvido na questão de políticas públicas.
Espaço Cidadania: Você acredita que as ações sociais empreendidas por evangélicos no País são suficientes? Na sua opinião, essas ações preenchem uma lacuna importante deixada pelo governo?
Klênia: Acredito que as iniciativas sociais de evangélicos representam uma contribuição considerável para a sociedade brasileira. Há muitas organizações cujo impacto de seu trabalho é reconhecido por especialistas. Por exemplo, o Exército de Salvação, quatro vezes contemplado com o prêmio Bem Eficiente da Fundação Kanitz, sendo classificada entre as 50 melhores ONGs da década, no Brasil. Ou em projetos específicos, como o Instituto do Coração, em Fortaleza, que em menos de 8 anos favoreceu o ingresso de mais de 30 estudantes pobres na Universidade Federal. Há também as grandes organizações – como a Visão Mundial, com forte orientação cristã, que é a maior ONG do Brasil. Tenho uma visão otimista a respeito do que os evangélicos estão fazendo. Mas não sou simplista: há muitas coisas que precisam ser corrigidas, há necessidade de capacitação e profissionalização e reconheço que algumas iniciativas têm pouco impacto. A Renas pretende contribuir para isto.
Espaço Cidadania: Em que medida o Cristianismo e os serviços sociais se inter-relacionam?
Klênia: Na essência do Evangelho encontram-se razões de sobra para que o cristão se envolva no serviço ao próximo. Há bons livros sobre o assunto, e esta não é uma reflexão recente. A igreja primitiva pode servir de modelo. Os pais da igreja ressaltaram este lado do Evangelho. A extinta Confederação Evangélica do Brasil, há mais de 40 anos, já falava sobre responsabilidade social. Temos em nossos arquivos o livreto já amarelado, do prof. Duncan Reily, falecido, publicado pela Junta Geral de Ação Social da Igreja Metodista, em 1953: A influência do metodismo na Reforma Social na Inglaterra no Século XVIII. O autor desejava encorajar a igreja a fazer frente "ao desafio que os problemas sociais do Brasil nos apresentam".




