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Alimentos: o desperdício que mata

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A fome e o desperdício de alimentos são dois dos maiores problemas que o Brasil e o mundo enfrentam. Segundo o último Relatório Mundial sobre a Fome, realizado pela ONU (Organização das Nações Unidas), estima-se que existemnomundomais de 800 milhões de pessoas subnutridas. O documento revela também que aproximadamente 25 mil pessoas morrem por dia vítimas de desnutrição. No entanto, a produção mundial de alimentos daria para alcançar a população global, mas com o elevado número de comida desperdiçada e a má distribuição, infelizmente esses alimentos não chegam para todos.

O Brasil é umdos grandes produtores de alimentos do mundo, mas paradoxalmente também é um dos países quemais desperdiça. Segundo a pesquisa realizada pelo Instituto Ethos, se perde todos os anos na colheita cerca de 11 milhões de toneladas de comida. O armazenamento e o transporte são fatores que ajudama aumentar aindamais o número de alimentos desperdiçados. Para o professor Marcelo Bergamo, coordenador do Curso de Tecnologia em Gastronomia da UniversidadeMetodista de São Paulo, falta orientação para os produtores que colhem e armazenama safra. “A forma de evitarmos essa cascata de desperdício recai sobre treinamento, no sentido de orientar quem colhe os produtos, na forma de armazenamento, tanto na área rural, quanto nos supermercados e centros abastecedores. Muitas vezes, no sentido de economizar espaço, os alimentos são encaixotados em camadas excessivas, o que gera muito peso nos produtos que estão no fundo das caixas”, afirmou.

As feiras-livres e os Centros de Abastecimento (Ceasa) são responsáveis por 30% de todo o desperdício de comida do País, segundo a pesquisa do Centro de Agroindústria de Alimentos da Embrapa. No final de cada feira ou de um dia de trabalho é visível a grande perda de alimentos que ocorre nesses locais. Geralmente, pessoas se aglomeram para recolher os restos que são abandonados nas ruas ou jogados em tonéis de lixo. Muitos comerciantes também fazem doações para Organizações Não-Governamentais que se responsabilizam pela higiene e distribuição para pessoas carentes.

Os consumidores também têm uma grande parcela de culpa. É um hábito das pessoas comprarem além do que vão consumir, dessa forma o alimento acaba se estragando antes mesmo de poder ser consumido. “Não podendo consumir tudo o que é comprado acaba por se jogar fora os alimentos. Isso gera demanda de produção, sem necessidade, além de aumentar o problema do lixo”, declarou Bergamo.

Como iniciativa para tentar minimizar esses dados, em 2000, em Santo André – SP, a prefeitura adotou uma idéia norte-americana conhecida como Banco de Alimentos, que hoje é utilizada nacionalmente pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome em parceria com os municípios com mais de 50.000 habitantes.

Atualmente, o Ministério divulga e trabalha com o programa, que se baseia na arrecadação de alimentos provenientes de doações de parceiros do setor alimentício como restaurantes e lanchonetes.

Nos bancos de alimento, as doações passam por um processo de triagem e em seguida encaminhados gratuitamente às entidades assistenciais responsáveis pela distribuição da comida à população carente, seja na forma de refeições prontas ou por meio do repasse direto às famílias. Todo esse procedimento deve ocorrer de forma ágil e extremamente eficaz, para que os produtos doados não estraguem.


LEI DE INCENTIVO

Todos os dias restaurantes, lanchonetes, hotéis de todo o Brasil jogam no lixo toneladas de alimentos em bom estado que poderiam atender às necessidades de milhares de pessoas que não têm o que comer. Isso acontece devido a uma lei que consta na atual Constituição brasileira, que em vez de incentivar os estabelecimentos a doarem o excedente, culmina por afastá-los desse ato solidário.

Se umempresário brasileiro quiser contribuir com as instituições beneficentes é obrigado a pagar impostos sobre os alimentos doados, não recebem nenhum tipo de incentivo fiscal e correm o risco de responder a um processo civil e criminal caso o alimento doado prejudique a saúde de quem o recebeu.

No entanto, desde 1999, a Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Câmara dos Deputados examina o projeto de lei de incentivo denominado “Estatuto do Bom Samaritano”.

O projeto consiste em isentar impostos e possíveis processos dos empresários do setor alimentício que se interessam em fazer doação do excedente de seus estabelecimentos sem que com isso sofram qualquer tipo de ônus, como atualmente é previsto por lei. Caso o projeto seja aprovado, o Brasil dará um grande passo para reduzir o desperdício de alimentos e a fome.


Adriana Luna
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