Painel "Mídia popular e alternativa' expõe rádios comunitárias e Folkcomunicação

Comunicação regional e Folkcomunicação foram os assuntos debatidos no painel temático “As mídias populares e alternativas: dialogo e diversidade”, apresentado na 6º Conferência Mídia, Religião e Cultura, nesta quinta-feira (14)

Comunicação regional e Folkcomunicação foram os assuntos debatidos no painel temático “As mídias populares e alternativas: dialogo e diversidade”, apresentado na 6º Conferência Mídia, Religião e Cultura, nesta quinta-feira (14).

A dra. Lucia Castellon, da Faculdade  de Comunicação e Desenho em Santiago do Chile, apresentou o projeto que regulamenta a rádio comunitária no país. “Estas rádios surgiram para criar um sentido crítico na sociedade. Hoje são 300 emissoras que transmitem de forma continua ou não a programação feita para e pela a comunidade”, explicou Lucia.

Segundo a professora, uma das principais características deste tipo veículo é que ajuda a promover a participação e o engajamento das pessoas de determinada localidade nos problemas da sua realidade. “Para satisfazer a necessidade de opinar, criticar e participar, a população local envia suas notícias. Muitos acreditam que serve apenas para pessoas marginalizadas e para outros é uma transformação na política pública do Chile”, declarou.

“As novas tecnologias estão sendo aproveitadas para melhorar a comunicação regional. Buscamos a descentralização dos meios de comunicação. Nas rádios comunitárias, os repórteres são pessoas comuns. Durante muito tempo acreditamos que audiência era passiva, mas o público se mostrou capaz de produzir informação”, completou Lucia.

O professor August Alfons Duka, do setor de Comunicação Social da Conferência dos Bispos da Indonésia, analisou a influência da igreja católica nas escolas indonésias. “Em um país de diversidade religiosa, étnica e política é comum a disputa entre povos de diferentes culturas”, avaliou Duka.

A Indonésia é um país em que a cultura da oralidade é marcada por fábulas, lendas, mitos e tradições familiares, de acordo com o professor. “A igreja católica começou a inserir um discurso religioso na educação com histórias e lendas. Com isso, a intolerância étnica religiosa tem crescido. O ensino religioso é visto como comunicação da fé”, finalizou o professor.

A folkmídia foi assunto do dr. José Marques de Melo, da Cátedra Unesco de Comunicação na Universidade Metodista de São Paulo. O professor explicou que a folkcomunicação é uma das formas como os grandes meios de comunicação usam a cultura popular para adquirir identificação com a audiência.

De acordo com Melo, as diferenças entre os autores da teoria folkcomunicação McLuhan (EUA) e Luiz Beltrão (Brasil) está nas discrepâncias sociais que existem entre os dois países. “Na comunicação regional, as pessoas são incorporadas à sociedade do consumo e podem comprar jornais, revistas, aparelhos de TV e livros abastecendo os bolsões de mídia regional com cultura e informação”, disse o professor.