Universidade Metodista de São Paulo, FAHUD - EAD - Filosofia

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Angústia: aproximações e distanciamentos no pensamento de Jean-Paul Sartre e Soren Kierkegaard
Eleanor Abel Oda Teruya

Última alteração: 09-12-2011

Resumo


Introdução

Angústia é um estado de ansiedade, inquietude, sofrimento podendo chegar até mesmo ao tormento. Consiste em um sentimento não desejado, porém, inerente ao ser humano que o acompanha desde seu nascimento até sua morte.

Jean-Paul Sartre, filósofo francês, define o homem como angústia, colocando como um sentimento que todo ser humano consciente de sua responsabilidade perante a si e ao mundo sente ao ter que tomar decisões. Soren Kierkegaard, filósofo dinamarquês, defende a angústia como uma condição essencial para que uma existência autêntica se realize.

Os dois pensadores existencialistas concordam na premissa de que a existência precede a essência. Uma diferença fundamental entre os dois consiste em que enquanto Sartre declara-se ateu, Kierkegaard tem na fé cristã, o cerne de sua reflexão.

Objetivo

O objetivo da pesquisa consiste em compreender o conceito de angústia nos dois pensadores e investigar se existem diferenças no entendimento do que seja angústia entre o pensamento de Sartre, um existencialista ateu, e, o pensamento de Kierkegaard, um existencialista não ateu.

Metodologia

A pesquisa foi realizada por meio de revisão bibliográfica tendo como fonte primária os livros “O existencialismo é um humanismo”, de Jean Paul Sartre e “O conceito de angústia” de Soren Kierkegaard.

Conclusão

Assim como Kierkegaard, Sartre vive o drama de sua finitude e do nada que circunda a sua contingência. Ambos concordam em que a angústia consiste em um sofrimento causado pela liberdade frente as possibilidades de escolha com que nos deparamos ao longo de nossa vida.

Na visão de Kierkegaard, os braços da fé acolhem a angústia e só aí há possibilidade de encontrar repouso. “Sendo o indivíduo formado pela angústia para a fé, a angústia então há de erradicar justamente o que ela mesma produz”. (KIERKEGAARD, 2010, p. 169). 

Para Sartre, o homem se escolhe; sua liberdade não é condicionada; e ele pode mudar seu projeto fundamental a qualquer momento. “O homem é o ser que projeta ser Deus”, mas na realidade, ele se mostra como aquilo que é “uma paixão inútil”. Sartre declara o homem solitário, condenado pela liberdade a construir a sua própria essência. O homem deve então aceitar sem restrições a angústia da própria gratuidade existencial.

Tanto Kierkegaard como Sartre veem possibilidades dos indivíduos serem beneficiados pela angústia. No entanto, em Kierkegaard encontramos um caminho menos árido e pretensioso em que há esperanças, onde a fé salva a angústia de se transformar em desespero. Para Sartre, o homem, condenado a ser livre, vive sua angustia em desamparo. “O homem sem apoio e sem ajuda, está condenado a inventar o homem a cada instante”. (SARTRE, 2010, p.33)

Vivendo em tempos e contextos diferentes, os dois pensadores refletiram profundamente o tema da angústia buscando compreender o seu sentido para a vida.

Entendendo que o papel de uma Filosofia ativa consiste em compreender de forma crítica reflexões anteriores, e, fiel às origens da própria Filosofia abrir para o thaumázein, podemos dialogar com esses pensadores, construir e recriar novos entendimentos de acordo com o contexto e a realidade onde estamos inseridos.

 

Bibliografia:

KIERKEGAARD, Soren. O conceito de angústia. Tradução Álvaro Luiz Montenegro Valls. Petrópolis: Vozes, 2010.

SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. Tradução João Batista Kreuch. Petrópolis, Vozes, 2010.

 

 


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