Evidências da Educação a distância
WASHINGTON – A educação a distância tem vantagens em relação à educação presencial, quando se trata da relação de ensino e aprendizagem, de acordo com uma nova meta-análise publicada na quinta-feira (25/06/2009) pelo Departamento de Educação dos Estados Unidos.
O estudo constatou que os estudantes que obtiveram parte ou totalidade do ensino online apresentaram melhores resultados, em média, do que os que receberam o mesmo programa presencialmente. Além disso, alunos que realizam cursos semipresenciais – combinação de elementos do ensino a distância e presencial – apresentaram os melhores resultados. Esta constatação pode ser tão significativa que muitos colégios confirmam que o modelo semipresencial de ensino apresenta os índices mais rápidos de crescimento nas matrículas.
O Departamento de Educação analisou todos os modelos de ensino, e considerou que o número de análises validadas do ensino fundamental e médio era muito pequeno para ter muita confiança nos resultados. Mas, os resultados positivos foram consistentes (e estatisticamente significantes) para todos os tipos de Ensino Superior, Graduação e Pós-graduação, além de disciplinas a distância, afirma a pesquisa.
Uma meta-análise é um estudo em que todas as análises existentes são unificadas e chega-se a uma conclusão padrão extraída do acúmulo de evidências.
Quanto ao tema da educação a distância, existe um fluxo constante de estudos, mas muitos deles centralizam em assuntos limitados ou na falta de grupos de controle. O Departamento de Educação afirma que havia identificado mais de mil estudos empíricos de educação a distância publicados entre 1996 e julho de 2008. No entanto, para estas conclusões, considerou apenas um pequeno número (51) de estudos independentes que encontraram critérios restritos. Eles tiveram de comparar uma experiência de ensino a distância com o presencial, mensurar os resultados de aprendizagem do estudante, utilizar uma “rigorosa investigação do projeto” e fornecer informações adequadas para calcular as diferenças.
O Departamento percebeu que essa nova meta-análise apresentou diferenças nos estudos realizados anteriormente, em que geralmente consideravam a educação a distância e presencial similares em relação às questões de aprendizagem, mas sem comparar com a educação a distância que existe hoje.
Embora esse novo estudo ofereça um forte apoio para a educação a distância, também mostra conclusões sobre o sucesso relativo (ou a falta dele) de diversas técnicas de aprendizagem utilizadas no ensino a distância. O uso de vídeos e questionários on-line - freqüentemente utilizadas no ensino a distância – “não serve para realçar o ensino”, diz o relatório.
Utilizar a tecnologia para dar aos alunos “controle na interação” tem, no entanto, um efeito positivo sobre o aluno. “Estudos indicam que ferramentas de ensino que geram atividades ou reflexão por parte do aluno e autocontrole no aprendizado são eficazes quando o estudante exerce as atividades individualmente”, diz o relatório.
Notavelmente, o relatório atribui uma grande parte do sucesso da educação a distância (semipresencial ou a distância) em relação à flexibilidade de tempo e nem tanto à tecnologia. “Estudos mostram que alunos de educação a distância levam mais tempo para realizar as tarefas do que no presencial, o que acaba beneficiando o ensino a distância”, afirma o relatório.
Observando as considerações sobre os resultados da pesquisa, o estudo se volta sobre a questão da flexibilidade de tempo.
“Apesar do que parece ser um forte apoio às ferramentas utilizadas na educação a distância, os estudos nesta meta-análise não demonstram que a mesma seja superior às outras”, diz o relatório. “A maioria dos estudos tem apresentado vantagens da educação a distância, as condições da aula que se diferem em termos de flexibilidade de tempo, matriz curricular e metodologia de ensino. A combinação desses elementos nas condições do tratamento (o que era susceptível te ter incluído mais tempo e material de aprendizagem, bem como novas maneiras de colaboração) que produziram as vantagens de aprendizagem observadas. Ao mesmo tempo, deve-se notar que a educação a distância é mais beneficiada em termos do aproveitamento do tempo que o ensino presencial”.
Em uma declaração realizada pelo Secretário da Educação Arne Duncan, juntamente com os educadores selecionados para analisarem as conclusões do relatório. “Esse novo relatório reforça a necessidade de professores eficientes para incorporar diariamente a tecnologia nas aulas utilizando um sistema de gestão livre de aprendizagem, que se tem revelado produtivo em distritos escolares e faculdades a nível nacional”, disse ele.
John R. Bourne, diretor-executivo do Consórcio Sloan, um grupo de Instituição de Ensino Superior e de outras organizações que prestam serviços em educação a distância, diz não estar surpreso com os resultados, mas pensava que fosse importante que o Departamento de Educação fosse a fonte. “Eu acho que isso é extremamente significativo”, disse ele. “Muitos de nós da área havíamos pensado nessas coisas por um tempo, mas tivemos uma enorme dificuldade para convencer alguns colegas”, referindo-se à qualidade da educação a distância. “Eu acredito que isso dará mais credibilidade às informações que já foram ditas”.
Diana G. Oblinger, presidente da Educause, também ficou satisfeita com os resultados. “A educação a distância oferece novas oportunidades”, afirma. “Ela oferece às pessoas uma maior flexibilidade para a educação experimental possibilitando demonstrar o conteúdo de diversas formas”. O que os estudos demonstram, disse ela, “é que as instituições de ensino precisam pensar globalmente sobre a utilização do ensino a distância, e não utilizar os recursos de forma superficial na educação presencial”.
Lawrence N. Gold, diretor da Federação Americana de Professores do Ensino Superior, disse por e-mail que seria importante prestar atenção às advertências do relatório e não pensar como indícios para a possibilidade de substituição online em todos os momentos.
“Esse relatório reconhece perfeitamente que o ensino semipresencial e a distância são modalidades que têm crescido no ensino superior, e, se utilizados adequadamente, podem desempenhar uma função importante promovendo aprendizado ao aluno. Ainda mais quando o investimento público em experimentação e tecnologia é autorizado”, disse ele.
Mas, observando as advertências contidas no relatório sobre outros fatores além do meio de ensino, ele disse que “não devemos considerar o resultado da pesquisa como simplesmente o melhor caminho a seguir na educação a distância. Estes resultados mostram as razões de realizar mais pesquisas – de forma mais ampla que envolva além de casos de alunos de educação a distância, mas sim uma pesquisa focada na retenção do aluno de educação a distância e especialmente uma pesquisa que produza resultados positivos. O sucesso da educação sempre foi em envolver os alunos, independentemente se ele estiver num ambiente virtual, presencialmente ou de forma semi-presencial. Para isso acontecer é fundamental envolver professores que tenham suporte e estejam engajados em todo o processo.”
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