Apresentação | Histórico e Rede Eclesiocom | Tema central | Chamada de trabalhos | Programação | Organização | Teses e Dissertações | Rede Eclesiocom
“200 anos da Imprensa Brasileira e Comunicação Religiosa”. O ano de 2008 representa diversas datas comemorativas — mais especificamente dois marcos de 200 anos e dois marcos de 100 anos. A primeira data comemorativa é a chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, então capital do País. No mesmo ano, por influência inglesa, terminou a exclusividade da religião católica no Brasil, até então a única permitida pela Coroa Portuguesa. As denominações protestantes passaram a ser aceitas oficialmente, o que marca, hoje, dois séculos de pluralismo religioso no País.
O ano de 1808 também assinala o surgimento da imprensa brasileira, com “O Correio Braziliense”. Os dois séculos do desenvolvimento no País, de jornais e da mídia impressa em geral, guardam grande relacionamento com o fenômeno religioso. Surge a dicotomia entre o “oral” e o “escrito”, que se relaciona a diversas modalidades da prática e difusão religiosa no Brasil. Por mais que a modernização econômico-social e o aumento da alfabetização sejam uma realidade histórica, a tradição oral — seja na religião, seja na cultura — ainda apresenta um caráter relevante para a realidade brasileira contemporânea. E um traço peculiar para todas as ações sociais e culturais desenvolvidas no País.
A relação entre tradição oral e cultura letrada permeia a obra de um dos maiores escritores em língua portuguesa, nascido há 100 anos: João Guimarães Rosa. A obra central do autor, “Grande Sertão: Veredas”, transpõe para o papel — sem cair em qualquer forma de naturalismo — a realidade oral, mística e mágica da religiosidade brasileira. O próprio Rosa ressaltou que o sentido definitivo de sua obra não está na descrição do ambiente do sertão, na psicologia dos personagens ou mesmo na poética do texto — está nas questões metafísicas e religiosas. Por isso, o III Eclesiocom destinou um Painel para debater a relação entre a obra de Guimarães Rosa e a religiosidade brasileira.
Além disso, em 2008 se completa um século do surgimento da Umbanda, mais precisamente no município de São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro. Apesar de não apresentar números expressivos de fiéis (pelo menos de acordo com as estatísticas oficiais do IBGE), a umbanda tem grande importância por levar às últimas conseqüências as características da chamada "Matriz Religiosa Brasileira" — que agrega e sincretiza diversas tradições, práticas e doutrinas desenvolvidas no País. É o caso das religiões ameríndias e africanas, do catolicismo popular, e de traços de judaísmo e islamismo, bem como doutrinas mais recentes, como o espiritismo e o orientalismo. Os 100 anos da Umbanda serão debatidos no mesmo Painel sobre a obra de Guimarães Rosa.

