Depoimento sobre primeiros meses na Alemanha
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FATEO
Sobre Vida, Cotidiano e Teologia
Primeiras imprensões da Alemanha
Saudacões a tod@s!
Primeiramente sou muito grato pela oportunidade que tenho de estar aqui. Nestes dois meses aprendi e continuo a aprender muito de e com todos que pude conhecer e me relacionar. É sempre maravilhoso perceber a face-sorridente-do-rosto-de-Deus em cada uma, cada um que se faz meu próximo. (Lc 10.36).
Esses dois meses foram um período de adaptação. Momentos difíceis, tanto pra mim quanto para todos que, ao se aproximarem, encontraram barreiras, sendo a principal a língua. Mas mesmo assim pude contemplar muitas vezes Deus em cada rosto amigo que me ofereceu ajuda, apoio ou simplesmente companhia. Para mim assim se faz teologia. No cotidiano da vida para a vida cotidiana. E esse fazer teológico é sempre manifestar Deus na comunhão com o próximo. Na partilha do pão-com-amizade.
E falando em teologia, fiquei muito feliz ao perceber uma grande relação entre a Teologia da Libertação e a Teologia do Processo (uma Teologia de origem estadunidense, que é o tema de uma matéria extra-curricular em que participo). Mas ainda não posso falar muito a respeito, pelo pouco tempo, mas retornarei ao assunto.
Ao tentar aplicar o que tenho aprendido a esses momentos que vivi aqui, posso afirmar que percebo a teologia na proximidade dos professores com os alunos, entre os próprios alunos, não só na sala de aula ou nos cultos, mas nos almoços, no lazer (futebol, WesleyPub...) em programações extras como o Taizéandacht (devocional em que a liturgia é de Taizé), o Wandertag (dia em que eles tiram pra caminhar pelos morros, uma cultura muito interessante. É impressionante como todos aqui, sem exceção têm esse hábito). Ou seja, essa teologia feita na prática.
É claro a diferenca cultural é muito grande, o que torna tudo mais difícil. Por exemplo, essa organização alemã, que por vezes passa longe no Brasil. Mas o que talvez nos force a sermos mais espontâneos. (Não me aprofundarei no tema, mas fica para nossa reflexão). Todavia, percebo ser apenas pequenas diferenças, diferenças no modo de ser, pois no essencial somos todos iguais.
Eu gostei muito de uma música daqui, ela se chama “Mensch” (tradução: Pessoa) do cantor Herbert Gronemeyer. Ela fala justamente sobre isso. Somos tão diferentes, mas sobre nossos desejos, necessidades e vontades, na verdade, nos descobrimos todos iguais: “Mensch”. E essa descoberta que experimento aqui é muito legal.
E por isso, nós sabemos o que significa essas premências que tocam o coração das pessoas, porque nos tocam também, e é o que impulsiona todos à vida. Por exemplo: a quantidade de estrangeiros vivendo aqui é espantosa. Alemanha é de fato um pedaço do mundo, com todo ele representado. E essas pessoas que se lançam à sorte de fazer sua vida em outro país, muitas vezes sem seus familiares, amigos, sua cultura, apenas por esse sentimento que nos é comum: essa vontade de falar o que não podemos, esse desejo de descobrir o que não sabemos, de aproveitar cada oportunidade que nos é dada. É como nos declamou Renato Russo “esta saudade de tudo o que ainda não vimos“. Sobre o qual também nos falou o apóstolo Paulo, de uma forma não menos poética: “Ainda vemos como espelho, obscuramente, mas veremos face a face“ (ICo 13.12)
E eu, nesta busca, também vivo o que é claro no meu coração: a teologia da vida - a teologia que se faz no cotidiano da vida. Quanto ao resto não sei dizer. Só espero continuar aprendendo e vivendo essa teologia que toca meu espírito e me faz voar. Fazendo-me encontrar com o Sagrado Espírito, Sagrado Vento e ao seu sabor flutuar, e assim, viver seu amor e vontade. Com tod@s aqui, no Brasil e em qualquer dos confins da Terra.
Paz e amizade seja com tod@s voces! Um grande abraço! Muitas saudades!
Ailton Machado


