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Depoimentos sobre participação estudantil em eventos 2005

Faculdade de Teologia

"No mês de julho deste ano, tive a oportunidade de participar da Semana de atualização Teológica (SAT), promovida pelo CEBEP, na cidade de Vinhedo. No período do curso aqui na Faculdade de Teologia ainda não tinha tido essa oportunidade.

O tema da semana foi "Pão, vinho e amizade". Durante quatro dias, um grupo de, aproximadamente, 30 pessoas discutiu esse tema e ouviu alguns convidados.

Pudemos aprender que a ceia, que é um dos principais sacramentos da fé cristã, perdeu ao longo do tempo, ao menos em parte, sua verdadeira essência e conteúdo, em virtude da institucionalização da igreja cristã e da prática, muitas vezes, descompromissada e fria com que realizamos esse ritual sacramental.

Assim, concluímos que um dos aspectos da ceia a ser resgatado é o espírito desse sacramento. Entendemos como o compartilhar do pão e do vinho e não apenas a distribuição desses elementos, feita muitas vezes em quantidades insignificantes, de forma apenas representativa. Entendemos que a ceia acontece quando todos compartilham de forma desprendida contribuindo com o que têm para, juntos, fazerem a refeição, de forma que ninguém passe necessidade. Esse conceito vai ao encontro de uma realidade histórica onde o próprio Jesus defendia a partilha desinteressada e a ausência da fome como um dos compromissos do Reino de Deus. Ou seja, a ceia é um ritual inclusivo e que proporciona por meio da refeição, a saciedade da fome e a comunhão, a amizade, a dignidade e a relação com Deus.

Durante esses dias, tivemos o privilégio de experimentar e não apenas estudar, essa redescoberta da Santa Ceia. Lá, partilhamos juntos a ceia, celebramos, cantamos, dançamos e fizemos amizades.

As oficinas realizadas nos proporcionaram esse exercício, além de terem sido um momento descontraído de elaboração de músicas e liturgias.

Um aspecto muito positivo desse encontro foi a experiência de compartilhar a ceia e de conviver com pessoas de outras diversas confissões cristãs. Nessa convivência ecumênica, compartilhamos não só o pão, o vinho e a amizade, mas contribuímos e compartilhamos, uns com os outros, nossas experiências religiosas, o que foi de muito proveito para todos presentes. Enfim, foi uma oportunidade excelente de crescimento acadêmico, pessoal e espiritual".


Alex Jones
4º ano, matutino




"De 19 a 23 de julho participamos do 11º Interclessial das CEBs em Ipatinga/MG. Éramos aproximadamente 3.800 pessoas. Um encontro ecumênico que acrescentou a nós, acadêmicos do 8º semestre de Teologia uma oportunidade significativa da prática das disciplinas Ecumenismo e Igreja e Sociedade. Após o encerramento do semestre, tivemos o privilégio de representarmos a FaTeo nesse encontro. Um grupo de sete acadêmicos somando a 80 evangélicos, sendo 20 metodistas, convivemos com diferentes crenças, culturas, filosofias, costumes, compromissos sociais, enfim, pessoas engajadas com a prática libertadora de Jesus .

Temas como a questão indígena, cultura e crença afro-brasileira, situação política atual, preconceitos advindos da própria igreja, diálogos inter-religiosos, problemas rurais, entre outros, foram abordados nos pequenos grupos, com plenárias ao grande grupo.

O que me chamou muita a atenção, foi observar o compromisso das pessoas e a certeza de que mudanças sociais são possíveis de serem concretizadas a partir também de uma mobilização comunitária. Pessoas simples com fé e certeza que o Reino de Deus é constituído e construído também pelos oprimidos, marginalizados, pessoas que acreditam que a fé, a esperança e o amor são partículas essenciais na formação do Reino. A fé expressa nas celebrações ecumênicas, a esperança presente nas reuniões com líderes, palestrantes, coordenadores nacionais, que somam a esperança a ações possíveis de serem concretizadas, o amor no dia-a-dia, no acolhimento aos participantes do encontro que ficavam alojados nas casas dos membros da igreja. Esse amor, carinho e recepção não é somente pelo fato de um bom/a mineiro ser hospitaleiro/a, mas acredito na prática difícil de ser cumprida: "Quando fizer a um desses pequeninos, a mim vocês estarão fazendo também", o amor verdadeiro demonstrado aquele/a que nem conhecemos.

È no dia-a dia que percebo que a prática libertadora proposta em Jesus, parte de cada um de nós. Não é me isolando de problemas sociais muitas vezes considerados longínquos, que estarei cumprindo o mandamento de Jesus, mas é também dialogando, agindo, com aquele/a que pensa e crê diferentemente, que serei participante do Reino.

A participação nesse encontro foi muito significativa e positiva para mim. Sinto que fui motivada a ir somente no último semestre do curso. É uma pena que muitas oportunidades passaram, e vejo que perdi... Mas outras estarão por vir, assim tenho esperança".


Patrícia Marques
4º ano matutino




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"Falar do XI Intereclesial das CEBs é ter a certeza que a barreira do medo, da discriminação e da intolerância foi vencida. Foi dado o primeiro passo para o dialogo.O contato com outra realidade, dura e sofrida, com gente diferente que luta e não desiste, faz com que agora, o nosso olhar seja de respeito, a nossa atitude seja de tolerância, o nosso abraço seja amigo. Nasceu o desejo e o compromisso de entrar na luta e com ele a certeza que sozinhos não vamos chegar a lugar nenhum".


Maria Aparecida Silva
2º ano, matutino




"Participar do Encontro de Comunidades Eclesiais de Base em Ipatinga foi uma experiência renovadora. A proximidade que tais eventos proporciona com os irmãos católicos romanos fortalece a idéia de que o ecumenismo é uma oportunidade para a paz. O que é mais gratificante é o contato com gente do povo, comum, onde podemos compartilhar experiências de vida e entendermos o verdadeiro significado da unidade cristã." [os/as participantes ficaram hospedados em casas de famílias]


Antonio Carlos Soares dos Santos
4º ano, matutino




"A minha participação no Encontro das Comunidades de Base em Ipatinga foi de grande valia, pois pude compartilhar com outras/os cristãs/os e irmãs/o) de outras religiões e nações, algo bem diferente daquilo que geralmente estamos acostumados. Nunca, participei de um evento tão magnífico, como este de tamanha proporção e acolhimento. Confesso, de início achei que o pessoal estava perdido e sem referencia, pois havia 3800 pessoas para serem orientadas, um trabalhão para separar e organizar por estado, tudo ao mesmo tempo. Achei que estávamos perdidos, naquele lugar “maravilhoso”, e o pior, estávamos sem referência alguma, mas logo notei que a diferença estava em ser acolhedor/a.

Na Paróquia em que fui acolhido, a coordenação me recepcionou muito bem, até a chegada da família acolhedora. Na casa dos acolhedores, parecia que eles já me conheciam há muito tempo. Até as crianças acolheram-me muito bem. O interessante é que eles já estavam esperando pela nossa chegada: nessa casa havia quatro lugares, sendo que sós três foram ocupados, por mim e mais duas Senhoras. Ao conversar com eles, passaram a informação do trabalho que realizam na comunidade e das conquistas, apesar das lutas em manter. Mas continuam a serviço dos pobres e excluídos, etc...

Um fato novo aconteceu, é que a coordenadora da distribuição do pessoal, necessitou deslocar alguém para outra casa, pois a família estava chorando e reclamando que tinha disposição para recepcionar até quatro pessoas, mas nenhuma foi para lá.

Com isto, fui convidado a deslocar-me, pedi permissão para a família, que no mover do espírito comunitário, liberou-me com muito gozo. Lá fui eu conhecer outra família, isto em plena quinta-feira à meia noite, sendo que eu já estava de pijama, fazer o que? Vamos conhecer... Para minha surpresa, foi tamanha recepção e alegria daquele povo acolhedor. Que maravilha! Isto foi muito espiritual e especial.

Percebi que nas discussões em grupo, nos vagões e depois na locomotiva, ocorria uma profunda reflexão em torno da necessidade de solução dos problemas existentes nas comunidades relacionadas com a espiritualidade libertadora para todos e todas em suas culturas. Isto me fez notar que é possível, sim! Alcançar o objetivo. As CEBs unidas num mesmo objeto na busca de solução dos problemas relacionados aos excluídos, que juntos possuímos força, demonstrando que através do diálogo conseguiremos unir a espiritualidade libertadora e a prática, compartilhando em nossa comunidade.

As CEBs proporcionaram o encontro com outra culturas e raças de nosso País e do mundo, fortalecendo o espírito comunitário e apontando a necessidade de comunhão e participação para conquistarmos um mundo melhor, com o direito de igualdade.

João Aparecido Anunciação de Lima
4º ano, matutino
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