Seções
Faculdade de
Teologia
Ferramentas Pessoais
Você está aqui: Página Inicial Fateo Alunos Experiências e Reflexões A carta mais preciosa.

A carta mais preciosa.

registrado em:
Priscila Kikuchi Campanaro.

“E então disse: Ouvi agora as minhas palavras: Se entre vós houver profeta, eu, o Senhor, a ele me farei conhecer em visão sonhos falarei com Ele” Números 12.6


Tenho o costume de escrever cartas de próprio punho. Hoje em dia este costume parece estar ultrapassado. Também pudera, em uma sociedade com tantos avanços tecnológicos como a nossa, fica muito difícil encontrar uma pessoa que se sujeite a tal esforço, o esforço de escrever uma carta de próprio punho.

Desenhar as letras, elaborar as palavras, sentir a pressão da caneta ao escrever, a dor nos dedos... Bom, eu sou uma dessas poucas pessoas. Isso porque acredito que todo este esforço no saudosismo de se escrever cartas como antigamente vale à pena.

Pode até ser uma herança dos meus quatro anos de faculdade no curso de Ciências Sociais, a afirmação que farei agora, mas, acredito e dou um valor muito grande na capacidade produtiva que o ser humano tem, e de sua expressão na atividade prática que é o trabalho, seja este qual for, e que nele se manifeste em excelência, a sua humanidade e também, a sua sociedade.

Além disso, acredito que quando nos damos o trabalho de escrever, e assim o fazer de próprio punho, há uma carga maior de nós mesmos no que está sendo escrito. A impressão que me dá é de que o que escrevemos de próprio punho é mais nosso. Tem a nossa letra, o nosso esforço.

Sempre que recebo, não importa o que seja escrito por alguém a mão, parece que quando estou lendo, a pessoa está falando do meu lado. Mesmo que seja uma letra difícil, ao fazer o esforço de entender, me sinto como se eu estivesse realmente interessada no que estou lendo, no que a pessoa me escreveu. Procuro absorver mais da pessoa que me escreveu quer seja o bilhete ou uma carta.

Gosto muito de escrever com o próprio punho. E admiro pessoas que, já escreveram, e ainda escrevem desta forma. E conseguem transmitir não somente palavras, informações. Mas, transmite conteúdo, sentimento, vivência, cotidiano, pessoas!

E por isso mesmo, posso dizer que para mim, a carta que mais gosto de ler é a Bíblia. Não pensem, por favor, que estou reduzindo a complexidade deste livro, tão importante para o cristianismo, a atribuir a ela, essa categoria de carta. Esta não é a minha intenção.

Dou à Bíblia esta conotação, pois para mim, uma carta é algo muito íntimo, que realmente nos interessa. Na maioria das vezes nos espanta outras vezes nos consola, nos emociona. E normalmente, ela diz respeito a assuntos da nossa vida, nossa realidade e da nossa vivência de mundo.

Lemos uma carta com desprendimento, livres para absorver seu conteúdo. Acredito que assim deve ser a nossa leitura da Bíblia no nosso momento devocional. Devemos procurar absorver tudo que há de escrito nas porções diárias que lemos. Procurar sentir o que os homens e as mulheres, daquela época escreveram, e como eles vivenciaram aquela experiência de vida com Deus. Sobre como viver com Ele, como crescer no relacionamento com este Deus e fazer a Sua vontade.

E com isso aprendermos também ouvir a voz de Deus, nos dando o discernimento pelo seu Espírito Santo, de como podemos aplicar estas palavras, estas experiências, para a nossa realidade e em nossa vida cotidiana.

O versículo citado no começo nos mostra que os profetas eram pessoas que chamadas por Deus, e que se dispunham para Deus, para falar para o povo qual era a vontade de Deus, o que Deus ensinava a cerca da vida e de como viver em comunidade. Não eram “adivinhos” como muitos acreditam que eles tenham sido. Os profetas falavam de acordo com o que acontecia a sua volta, e ministravam ao povo as orientações de vida que Deus queria que ele tivesse. Eles eram “cartas ambulantes”!

Desejo que a Bíblia possa nos desafiar a sermos verdadeiros profetas e profetisas, e assim com as nossas vidas, escrevermos mais cartas, com nosso esforço, porém orientados por Deus, sobre a carta mais preciosa que já escreveram para nós e por nós.


Outubro de 2008


Obs: Este texto foi escrito primeiramente do próprio punho. Se não seria um texto contraditório!

Ações do documento