Semana de Estudos Teológicos discute a presença da Igreja na sociedade
A Semana de Estudos Teológicos de 2011 trouxe à memória os 50 anos de um evento de fundamental importância para a história do protestantismo brasileiro: a realização da Conferência do Nordeste, que, em 1962, reuniu igrejas de 14 diferentes denominações evangélicas em torno de um polêmico tema: "Cristo e o Processo Revolucionário Brasileiro" .
E, para resgatar essa memória, dando início à semana, ninguém melhor do que o Reverendo Dorival Beulke que participou da organização do evento e, passados quase 50 anos, tem nítidas lembranças desse momento. "Lembro-me que no dia 22 de julho de 1962, um domingo, o dia amanhecia com um céu azul... " inicia Beulke. Nesse dia especial, diz ele, ao ouvir a palestra de abertura oficial do pastor metodista Almir dos Santos (então presidente do Setor de Responsabilidade Social da Igreja na Confederação Evangélica do Brasil, entidade promotora do evento), Beulke sentiu-se como se estivesse "diante do profeta Elias", ouvindo um ministro da Palavra que levava a Igreja a refletir sobre sua missão na terra.

O papel da Igreja diante de mudanças sociais é o tema que une a Conferência do Nordeste de 1962 e a Semana de Estudos Teológicos que se realiza no limiar de 2012. Para o bispo Paulo Ayres, que participou da celebração de abertura do evento, "a Igreja frequentemente se deixa dominar pelos poderes demoníacos das presentes estruturas humanas, pela Velha Criação". No entanto, diz ele, sob a ação do Espírito Santo nos é dada a certeza de que a Palavra de Deus não está aprisionada. "A Igreja pode se deixar aprisionar pelas estruturas, sejam elas econômicas, políticas ou sociais. Mas a Palavra de Deus é livre e soberana", disse o Bispo Paulo Ayres, na abertura da Semana.
Ao
longo do evento, os/as palestrantes destacaram o contexto
sócio-político, eclesial e cultural dos anos 60, quando a sociedade
passa por grandes transformações que afetam, também, a Igreja. A
professora Magali Cunha, por exemplo, destacou o despertar da mocidade
para as questões sociais, rompendo com o conceito de separação do mundo
arraigado no protestantismo brasileiro. Ela exemplificou esse conceito
mostrando aos participantes da Semana o tradicional quadro "Os dois
caminhos". Ele era muito popular em residências de evangélicos nas
primeiras décadas do século 20 e representava a maneira dualista com que
a Igreja enxergava o mundo - do qual procurava se manter bem
distante... Afinal, como dizia um conhecido hino evangélico, "Sou
forasteiro aqui, em terra estranha estou..." Mas, na década de 60, como
resultado de um despertar missionário herdeiro do movimento do
"Evangelho Social", a Conferência do Nordeste discutiu um novo jeito de
ser Igreja no mundo.
Magali também citou entrevistas que realizou, durante a realização de sua pesquisa de mestrado, com jovens que participaram da organização do evento, como Waldo César, que lhe disse algo que a marcou: "Eu concedo a entrevista contanto que você se comprometa a não deixar essa memória guardada na biblioteca, mas a divulgue".
Para saber mais sobre a história dos jovens evangélicos que participaram da Conferência do Nordeste, clique no link abaixo:
O sociólogo Alexandre Brasil Carvalho da Fonseca também destacou o protagonismo dos jovens que, nos anos 60 como nos dias de hoje, assumem um papel de fundamental importância nas manifestações em favor da justiça social. "Aquilo que se projeta na conferência já estava acontecendo na mocidade das igrejas locais", disse também o professor Helmut Renders.
O professor José Carlos de Souza, em sua fala, lembrou que o objetivo dos participantes da Conferência do Nordeste era descobrir a ação de Deus na história brasileira e saber qual a resposta da Igreja como intérprete dessa vontade.
Esse mesmo desafio tem a Igreja de Cristo nos dias de hoje.
Para assistir às palestras do evento, acesse o site: http://www.eventosfateo.com.br/


