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Mutirão da Comunicação, em Porto Alegre, pede "palavra liberada da opressão"

Defendendo o surgimento de atores que têm “direito a ter direito”, terminou, ontem à tarde, o Mutirão da Comunicação, que reuniu nesta capital, de 3 a 7 de fevereiro, 2 mil comunicadores, pesquisadores, professores, jornalistas e estudantes de 37 países da América Latina e do Caribe.


ALC Notícias


A Carta de Porto Alegre, documento final do evento que ocorreu entre 3 e 7 de fevereiro, traduz o sonho desses comunicadores de concretizar uma utopia construída sobre a bagagem cultural e religiosa acumulada ao longo dos anos, “que representa uma enorme riqueza de nossos povos e nossas culturas, especialmente indígenas, negros e migrantes, constituindo uma herança tantas vezes desprezada”.

Comunicadores e comunicadoras da região sonham com a construção de uma cidadania comunicacional que permita a participação criativa e o protagonismo das pessoas “como forma de eliminar a concentração de poder de qualquer tipo”. O Mutirão destacou que não existe democracia política sem democracia comunicacional.

O documento do encontro defende “uma palavra liberada de todo tipo de opressão e discriminação”, a implantação de políticas públicas elaboradas segundo a compreensão de que a comunicação é um direito humano e um serviço público, e alerta igrejas, movimentos sociais e organizações populares para a necessidade de apropriação dos cenários e dos processos das tecnologias da informação e das novas linguagens.

O Mutirão encoraja comunicadores e comunicadoras a não se subordinarem aos interesses e às pressões do poder político ou econômico, que se pautem por critérios éticos, valorizem as diferenças, suscitem solidariedade, estejam junto aos empobrecidos e que “saibam escutar e estar atentos especialmente ao clamor que emerge do murmúrio dos silenciados” e, assim, contribuir para a “visibilidade dos invisíveis de hoje”.

O 7º Mutirão Brasileiro de Comunicação será hospedado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, dias 17 a 22 de julho de 2011, e terá por tema “Comunicação e vida: diversidade e mobilidades”.


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Professor metodista alerta: Igrejas precisam se apropriar das tecnologias digitais

Troquem as antenas, enfatizou o professor Luciano Sathler ao defender, no Mutirão da Comunicação, a apropriação pelas igrejas, escolas e instituições eclesiais da tecnologia digital, a web 2.0. “Precisamos dominar isso. O futuro é hoje”, disse, vaticinando a derrocada dos meios de comunicação de massa.


Edelberto Behs/ALC NOTÍCIAS

Porto Alegre, sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010


Igrejas correm o risco de falarem para o vazio, alertou o presidente da Associação Mundial para a Comunicação Cristã (WACC-América Latina), alertando que está em formação um novo perfil de consumidor da comunicação, que é, ao mesmo tempo, consumidor e produtor.

Outro palestrante do dia, o vice-presidente do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), um banco público, diretor de tecnologia da informação e de marketing, Rubens Salvador Bordini, mostrou como empresas usam e aplicam a tecnologia de forma inteligente para ampliar a rentabilidade do negócio.

“Precisamos incorporar nas nossas práticas a questão da tecnologia, se quisermos caminhar de forma emancipatória no mundo digital”, propôs Luciano, valendo-se do exemplo do seu colega de mesa. As igrejas precisam contratar pessoas que entendem de robótica, biotecnologia e nanotecnologia, porque o mundo digital engloba tudo isso, defendeu.

“Precisamos aprender a dominar a técnica que a economia digital coloca à nossa disposição, aplicando-a com valores éticos, humanos, para fazer a diferença”, frisou.

Organizar-se em redes para inserir-se na economia digital é o mote às instituições eclesiais que Luciano deixou na palestra. “Precisamos desenvolver programas comuns, a começar na educação, aprender primeiro para caminhar na formação, assim que as pessoas passem a entender os mecanismos que estão determinando a vida delas na sociedade”, sinalizou.


Democratizar a comunicação é o grande desafio, apontam painelistas


A humanidade está usando de “maneira bárbara” as novas tecnologias. “Sequer conseguimos democratizar uma tecnologia do século XVI trazida por Gutenberg”, afirmou o jornalista Beto Almeida, da TV Senado, do Brasil, e membro da Junta Diretiva da Nova Televisão do Sul (Telesur), no painel sobre Processos de Comunicação e Cultura Solidária, tema do Mutirão da Comunicação, aberto ontem à noite em Porto Alegre.


Edelberto Behs

ALC NOTÍCIAS

Porto Alegre, quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010


A democratização da comunicação é o principal desafio na área apontada pelos painelistas Ismael González González, coordenador da ALBA Cultural e ex-vice-ministro de Cultura de Cuba, Fernando Checa Montúfar, diretor do Centro Internacional de Estudos Superiores de Comunicação para a América Latina (CIESPAL) e Carlos Augusto dos Santos, ministro de Comunicação do Paraguai.

Da forma como os meios de comunicação de massa estão organizados eles não servem à solidariedade, pois praticam um “jornalismo de desintegração cultural, trazendo valores do ‘superman’ quando somos Saci Pererê (personagem da mitologia brasileira)”, avaliou Beto Almeida.

O jornalista da TV Senado questionou os critérios de noticiabilidade aplicados pela imprensa. Lembrou que dois geólogos, um cubano e outro estadunidense, alertaram com antecedência a possibilidade de terremoto em Porto Príncipe, alerta que não teve repercussão na imprensa. Agora, é destaque na mídia quando lançam um novo perfume no mercado, comparou.

Lembrou, ainda, que o tsunami ocorrido no Mar Índico e parte do Pacífico foi detectado com oito horas de antecedência em sismógrafos dos Estados Unidos, mas nenhum esforço comunicacional foi empreendido para evacuar a população da área que seria atingida, o que resultou numa conseqüência bárbara, com milhares de mortos e feridos.

É preciso ousar novos conceitos de um jornalismo de integração, de solidariedade e de responsabilidade social, e desenvolver conceitos teóricos da área, desafiou Beto Almeida Montúfar disse que a cidadania comunicativa é um processo de múltiplas vozes, com espaços para a diversidade. González frisou que o conceito, muito em voga na igreja, de que é preciso dar voz aos sem voz carrega uma carga de periculosidade, uma vez que todas as pessoas têm voz, ela só não é amplificada.

“Temos que ser facilitadores da palavra”, definiu, enquanto seu colega equatoriano no painel defendia uma “comunicação sem ventríloquos”. Beto Almeida propôs a realização de uma Cúpula de Presidentes dos Países da América Latina e do Caribe para discutir a comunicação, uma vez que são eles os maiores alvos da crítica da mídia quando começam a quebrar paradigmas na área social, econômica e política que desagrada as elites.

O integrante da Telesur não acredita na possibilidade de uma comunicação democrática no contexto de uma economia cada vez mais cartelizada.


Mídia é espaço de educação do século XXI, diz arcebispo


Os meios de comunicação de massa são, hoje, o pátio dos educandos, disse o arcebispo de Porto Alegre, dom Dadeus Grings, na abertura do Mutirão de Comunicação da América Latina e do Caribe, ocorrida ontem à noite, no Centro de Conferências da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), em Porto Alegre.


Edelberto Behs

Porto Alegre, quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010


Grings reportou-se aos educadores salesianos do passado, que viam no pátio das escolas, durante os intervalos entre uma aula e outra, um excelente espaço de socialização e educação. O arcebispo preside o Mutirão, evento que reúne na capital gaúcha, até domingo 1,2 mil participantes, de 37 países da América Latina e do Caribe.

O vice-reitor da (PUC-RS), professor Evilázio Teixeira, destacou que a comunicação é a “caixa de Pandora” do século XXI. Conseguir comunicar é a grande questão da época, disse, lembrando que dar visibilidade ao mundo não basta para deixá-lo mais compreensível aos cidadãos.

Convidado à abertura do evento, o senador Pedro Simon, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB-RS), ligado à Igreja Católica, fez uma avaliação negativa da atuação eclesial na área. “Estamos abaixo da crítica em termos de comunicação”, afirmou, na expectativa de que o Mutirão de Porto Alegre aponte rumos para uma presença mais sólida da Igreja Católica na mídia, principalmente na televisão.

Na palestra de abertura do encontro, o presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, dom Cláudio Maria Celli, conclamou comunicadores católicos a realizarem uma auto-avaliação, um “exame de consciência para ver se vivemos os valores do Reino de Deus que queremos impulsionar no mundo”.

É impossível ignorar o distanciamento entre ricos e pobres, inclusive nos países majoritariamente católicos, porque a miséria é desumanizadora, apontou. Deus está ausente onde os valores da solidariedade e da justiça não aparecem. Comunicadores devem debater como podem contribuir, com a sua atividade, para uma maior equidade no mundo, desafiou Celli.


  Universidade Metodista de São Paulo