Professora da FaTeo concede entrevista sobre mídia e religião à revista Show da Fé
A Revista Show da Fé, publicação mensal da Igreja da Graça, traz em sua edição de nº 150 uma reportagem que discute a imagem difundida pela mídia a respeito do povo evangélico. Inspirada pelo lançamento da comédia “Um assalto de fé”, filme brasileiro que satiriza a ênfase dada por algumas igrejas evangélicas à coleta de ofertas, a revista traz entrevistas com lideranças religiosas e especialistas em comunicação. A professora da FaTeo Magali Cunha, doutora em Ciências da Comunicação, aborda o estereótipo evangélico criado pela mídia, geralmente associado ao fanatismo e charlatanismo.
Abaixo, você pode fazer o download (em pdf) da matéria publicada na revista Show da Fé e também ler a entrevista completa concedida pela prof. Magali (que, por questão de espaço, foi reduzida na publicação).
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LEIA ABAIXO A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA
1. Em resumo, o que é denominado de estereótipo na teledramaturgia?
Estereótipo é o estabelecimento de tipos que representam grupos e pessoas a partir de compreensões do senso comum, fundamentadas em imagens pré-concebidas construídas socialmente. Surgem como elementos que definem identidades e jeitos de ser de pessoas e grupos. Por exemplo, personagens representados como malandros seguem estereótipos deste grupo social que padronizam e apresentam “o malandro” com um jeito de ser e se comportar.
2. Observamos que as novelas mudaram o modo como mostrar as religiões. Tomando o catolicismo como exemplo, vimos que os padres antes interpretados por atores mais velhos e com ar sério foram trocados por atores mais jovens, bonitos e que se trajem de forma melhor. O mesmo aconteceu com os evangélicos?
Sobre a representação visual por meio de atores jovens e bonitos, podemos dizer que a falsa religiosa representada por Juliana Paes na novela América em 2005 preenche este requisito. Apesar de a personagem não ter religião definida, no momento em que se apresenta como religiosa, remetia diretamente ao estereótipo da evangélica pentecostal com roupas fechadas e fora de moda e o moralismo que pregava. Ou seja, não são só católicos os que são assim representados. O fato de os católico-romanos serem mais presentes em novelas chama mais a atenção para este fato, que, na verdade, não é uma ênfase exclusiva das novelas, mas estas seguem a tendência do catolicismo midiático no Brasil que vem enfatizando a jovialidade de padres como a de Marcelo Rossi e a beleza sedutora de outros como a de Fábio de Mello.
3. Representar os evangélicos como pessoas fanáticas e totalmente bitoladas é uma forma de tender mais para o lado da comédia por garantir mais ibope? Houve alguma evolução positiva nessa retratação?
Toda forma de comédia e humor é comunicação de conceitos e compreensões. Personagens representados por meio da comédia e do humor trazem consigo estereótipos que são construídos socialmente. O primeiro evangélico representado em novela de que tenho registro, foi o Pastor Hilário, em Tieta (1989), que aparece para fundar a Assembleia do Cristo Rei. O ator Jorge Dória fez esta participação especial carregada de humor, que expôs a imagem do pastor agressivo na pregação, comilão e interessado em recursos financeiros. De lá para cá sejam apresentados ou não com humor ou não, esta imagem não foi alterada, acrescida de outros estereótipos como o fanatismo e charlatanismo.
4. De certa forma isso não seria uma forma de preconceito semelhante ao que foi mostrado na novela Insensato Coração como visto nesta cena - http://www.youtube.com/watch?v=BlqqM4UOqPE
Certamente, este é o caso mais marcante de que se tem registro, por conta da repercussão negativa da representação estereotipada até mesmo entre pessoas não-evangélicas.
5. Alguma vez o evangélico foi retratado de maneira mais coerente?
Lamentavelmente não tenho registro de representação positiva. São muito poucas as personagens e estas poucas sempre carregam imagens estereotipadas e pejorativas. Mas na questão que se coloca a palavra "coerente" traz uma pergunta: coerente com o quê? É fato que algumas destas representações estão relacionadas a situações que são vividas e experimentadas no cotidiano da religião, portanto, têm coerência, o problema é quando se estereotipa essas imagens colocando como um padrão do tipo "evangélico".


