Onde atuamos
O projeto Rede de Gestão e Serviços para uma Comunidade Solidária é de extensão, com características de integração e interdisciplinaridade, que envolve os diferentes cursos, estudantes, docentes e profissionais em ações voltadas para gestão e serviços na busca de uma comunidade solidária.
Os eixos que orientam as ações do projeto são três:
- Economia e cultura da solidariedade
- Fomento e organização de negócios
- Formação humana e tecnológica
O locus de atuação e experiência é a comunidade "Montanhão", localizada no município de São Bernardo do Campo, região do Grande ABC Paulista.
O acúmulo de ações da Universidade outrora desenvolvidas na comunidade auxilia o diagnóstico dentro de um campo interdisciplinar e cria parceria entre diversos agentes sociais e instituições comunitárias. O projeto integrador "Rede de gestão e serviços para uma comunidade solidária" planeja ações coordenadas e articuladas em quatro fases no período de dois anos, são elas: Diagnóstico Interdisciplinar, Planejamento, Implantação e Monitoramento e avaliação.
Na primeira fase, o projeto de extensão monitora os processos de trabalho e constitui sistema de avaliação capaz de interpretar a qualidade das intervenções realizadas e induzir à continuidade da ação acadêmico-comunitária. Busca-se também a formação contínua de educandos/as e educadores/as envolvidos/as e o acúmulo de massa crítica para a realização do desenvolvimento dos grupos sóciocomunitários.
Para a Universidade espera-se a re-significação e a conceituação de experiência integradoras e balisadas por seus pilares que são validados no Projeto Político Pedagógico Institucional: sustentabilidade e bem-comum.
Comunidade "Montanhão"
O município de São Bernardo apresenta Índice de Desenvolvimento Humano Municipal - IDHM de 0, 834, estando classificado em 28º lugar entre os municípios do estado de São Paulo e em 106º no território nacional. Embora tenha um bom IDHM, sua periferia apresenta elevados níveis de vulnerabilidade. Essa constatação é um retrato do próprio Brasil, demonstrando altos índices de vulnerabilidade social, áreas ambientais e de mananciais não preservadas e vasta diversidade cultural em seu território. O município foi foco do projeto de industrialização nacional baseado na indústria automobilística e em sua cadeia produtiva. Por tempos, o município foi chamado de "Detroit brasileira" pela concentração industrial nesse território. Contudo, pesquisas demonstram que essa industrialização sem o fortalecimento da sociedade civil e descolada da redistribuição de renda seria insuficiente como elo entre a modernidade econômica e formas de vida mais justas.
O resultado é um descompasso entre as relações econômicas e sociais, sendo esse um dos motivos para a concentração populacional no território e para a construção de laços primários de sociabilidade. Nas cidades brasileiras, São Bernardo do Campo incluída nesse processo, acumula-se zonas de pobreza e precariedade. O “Montanhão”, simbolicamente situado ao lado da grande fábrica da Volkswagen, representa este fenômeno. A sua ocupação aumentou graças à crise industrial brasileira, ainda mais sentida no Grande ABC Paulista, durante a década de 70 e 80. A precarização das relações de trabalho causada pela reestruturação produtiva auxiliou na consolidação dos bolsões de desempregados e sub-trabalhadores, esperando o momento do emprego e na condição de exército industrial de reserva.
Na década de 90, São Bernardo do Campo, no ABC paulista, viveu uma grave crise de emprego. Com a informatização das linhas de produção, as grandes indústrias da cidade cortaram cerca de 30 mil vagas. O índice de desemprego cresceu de 12% para 17%, segundo dados da Prefeitura Municipal. As consequências da crise produtiva reverberam hoje nos indicadores sociais de comunidades como a do "Montanhão", uma das mais penalizadas pelas transformações tecnológicas do setor produtivo. Por outro lado, experiências de sucesso na comunidade apontam para potencialidades locais que podem contribuir para o sucesso do projeto, como por exemplo, aquelas que estimulam a troca de serviços e produtos para que a riqueza permaneça na própria comunidade, ou a bem-sucedida experiência da Associação de Promoção Humana e Resgate da Cidade Padre Léo Comissari.



