Afinal, jornalismo é ou não uma questão de diploma?
DECISÃO DO STF DIVIDE OPINIÕES ENTRE ACADÊMICOS, ESTUDANTES E PROFISSIONAIS DO MERCADO
Uma polêmica que parece ser interminável. Esse é o cenário observado em muitas universidades e redações do Brasil depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no dia 17 de junho, que o diploma não é mais obrigatório para exercer a profissão de jornalista. Um dos argumentos apresentados pelo relator do caso, Gilmar Mendes, é que o decreto de lei que regulamenta o jornalismo foi instituído em 1969, pelo regime militar, com a finalidade de controlar as informações veiculadas pelos meios de comunicação, afastando do cargo, intelectuais contrários à ditadura.
O coordenador do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, professor Rodolfo Martino, foi categórico ao se posicionar contra a decisão do STF. “O Supremo pecou por falta de conhecimento, em não saber como é uma redação e achar que fazer jornalismo é só saber escrever e ficar sentado esperando a informação chegar. Jornalista é aquele que trabalha 16 horas, dá 60 telefonemas por dia e vai para a rua produzir uma boa reportagem. Aqueles profissionais que escrevem sua opinião em uma coluna ou os integrantes do programa CQC, por exemplo, não estão fazendo jornalismo e por isso realmente não é preciso exigir diploma deles”, criticou.
Ainda de acordo com o professor Rodolfo Martino, se as grandes empresas de comunicação quiserem apresentar um bom jornalismo, vão continuar contratando jornalistas formados, porque o curso de quatro anos é fundamental para a prática da profissão. “Somente a faculdade repassa conhecimentos essenciais como valores éticos, recursos de linguagem, propostas editoriais, ser preciso e imparcial e informar com qualidade. Todas essas características são um diferencial na hora de conseguir uma vaga no mercado”.
Já a Secretária Assistente de Redação da Folha de S. Paulo, Vera Guimarães Martins, que se formou em jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo em 1985, é totalmente a favor da decisão do Supremo Tribunal Federal. “Optei por fazer faculdade por gosto mesmo, mas não acho que o curso determinou o que sou hoje como profissional. Jornalismo são técnicas muitos fáceis, que podem ser ensinadas em um curso específico que dure menos de quatro anos. A Folha, por exemplo, sempre contratou pessoas com outra formação, que não jornalistas, oferecendo para esses profissionais programas de trainee que ensinem as técnicas de reportagem na prática. Nada melhor que um químico produzir uma matéria sobre ciência, depois de ter aprendido técnicas jornalísticas. Ele estará escrevendo sobre um assunto que conhece a fundo, e não ouvindo e interpretando, como jornalistas formados fazem”.
Em relação às mudanças que ocorrerão no perfil do curso de Jornalismo, o professor Rodolfo explicou que a Faculdade de Comunicação da Metodista reforçará ainda mais a qualidade de seu ensino, adequando-se às exigências do mercado. “Continuaremos formando um profissional que tenha uma postura crítica, imparcial e fiscalizadora diante da verdade factual; que seja ético e cidadão e principalmente que se torne cada vez mais conhecedor de técnicas multimídias”, concluiu.

