Acessível para todos

Quando Fernando José da Silva, deficiente visual, decidiu entrar em uma universidade, ele sabia das dificuldades que encontraria. Ele prestou o vestibular e passou no curso de Graduação Tecnológica em Redes de Computadores. Começaria um novo desafio.
Mas esse desafio não foi só para ele, os professores também foram surpreendidos e desafiados a preparar suas aulas de forma diferente das que faziam antes.
“Quando conheci o Fernando fiquei bem preocupado, principalmente porque a turma era muito grande”, contou o professor Cláudio Rodrigues Torres, que aprendeu muito e superou os medos. “A experiência foi tão boa que minhas aulas ficaram melhores também para os outros alunos”, disse.
Fernando aprovou as iniciativas dos docentes. “Os professores tiveram boa vontade e se empenharam. Eu entendi perfeitamente os conteúdos das disciplinas”.
O professor Cláudio teve que usar sua criatividade. “Como eu ia fazer para o aluno entender o que todo mundo enxergava? Arrumei uma solução simples e funcional. Fiz as linhas dos desenhos com tinta plástica. Ficou tudo em relevo para ele sentir com o tato”, explicou.
Outra aluna de Educação Física e funcionária da Metodista também foi beneficiada com as ações da Metodista para oferecer acessibilidade aos seus alunos. Iara Fagundes de Sousa Silva, deficiente auditiva, consegue se comunicar com muito mais facilidade graças à instalação de um aparelho que auxilia nas ligações feitas pelo telefone público do Centro de Convivência, no Campus Rudge Ramos. “É ruim depender dos outros para fazer as coisas”, contou.
Todos juntos
Para tentar atender as necessidades de deficientes visuais, auditivos e físicos, vários setores da Metodista se envolvem no processo de adaptação da Universidade.
No caso dos espaços físicos, a preocupação surgiu antes mesmo das leis entrarem em vigor. “Sempre que definimos uma reforma, um dos nossos critérios é ver se a obra está de acordo com as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) para a questão da acessibilidade. O bom é que eu não encontro bloqueio para fazer as obras. A Metodista é aberta a isso”, falou a arquiteta da Metodista, Gláucia Schneider Betts.
Já na parte pedagógica, professores e alunos podem contar com a Assessoria Pedagógica para a Inclusão da Pessoa com Deficiência, que é coordenada por Elizabete Cristina da Costa.
“Quando nos deparamos coms ituações como as do Fernando e da Iara, partimos para um processo de orientação ao professor e conversamos com o aluno, para entender melhor suas necessidades. Não existe uma receita pronta e não existem materiais didáticos no mercado para atender essa demanda”, contou Elizabete. Ela e alguns professores fazem parte de um grupo que discute as políticas didáticas e pedagógicas. Também foi por meio da Assessoria que a Universidade adquiriu softwares para que deficientes visuais usem os computadores e contratou tradutores para LIBRAS.
Outra iniciativa é o Fórum de Inclusão de Pessoas com Deficiências, que busca discutir meios para que a Universidade seja cada vez mais inclusiva.
Além disso, ideías como o Projeto Vida (ação iniciada na Universidade para inclusão de alunos com deficiência, por meio do esporte) buscam sensibilizar os alunos para essa questão e ajudar a população.
Para Elizabete, todas as ações são bem-vindas. “Eu estou muito feliz, pois as pessoas estão sensíveis so tema”, disse.

