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"... tira primeiro a trave do teu olho..."

(Mateus 7.5)

O que seria de nós sem os nossos inimigos, sem alguém em quem pudéssemos depositar todos os males? Será que muitos de nós conseguiríamos viver sem um outro personagem em quem miramos, apontamos o dedo e dizemos: ‘você é o culpado’?

Geralmente quando refletimos sobre os problemas pessoais ou do mundo, saímos à caça dos causadores dos problemas, e é óbvio que não nos incluímos nesse grupo. Isso é bem nítido nas guerras, onde povos ou soldados são conduzidos a combater o inimigo comum, geralmente outro povo ou soldados também orientados nessa direção. Também nos conflitos religiosos os inimigos são importantes, pois, como justificar determinadas atitudes com perfil claramente interesseiro se não houver um inimigo ‘maligno’ do outro lado, deixando Deus do nosso lado?

Além disso, o inimigo também é importante nas questões pessoais. É muito mais fácil colocar sobre o outro a culpa de tudo, do que ver-nos como parte dos problemas e termos do que nos posicionar, e, para isso, termos que fazer uma avaliação de nós mesmos.

Penso que é isso que o texto bíblico fala: "...Tira primeiro a trave do teu olho", pois "... como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tens a trave no teu?"

No Evangelho, Jesus se dirige àqueles que usavam o rigor da lei religiosa para punir a mínima coisa naqueles que não se conduziam conforme o esperado, mas não observavam o poço de incoerência em que suas próprias vidas estavam mergulhadas. Sugere até mesmo que a trave no olho fazia com que eles vissem incorretamente o cisco no olho do outro: "...tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o cisco do olho de teu irmão".

Como conclusão poderíamos dizer que o texto acima sugere que devamos fazer avaliações constantes, avaliações sobre nós mesmos, sobre nossa religião, sobre nossas crenças, idéias e valores. Isso é avaliar, é olhar para si mesmo sem medo do que será visto. Temo que poucos tenham a coragem de fazer isso, poucos seguem esse mandamento de Jesus, preferindo buscar um inimigo para neles projetar suas podridões escondidas. Daí tantas divisões políticas, religiosas e pessoais, pois é mais fácil ver o cisco no olho do outro.

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