Em busca do essencial
A expressão de Santo Agostinho: “Naquilo que é essencial, unidade; naquilo que é duvidoso, a liberdade; e em tudo, caridade”, pode ser uma boa atitude para iniciarmos o ano.
Ressalto que não bastaria seguir a frase de Agostinho, bem como John Wesley (considerado, por muitos, autor dela) não a adaptou simplesmente; ele a viveu. Nós teríamos que fazer alguns exercícios para identificar aquilo que é essencial e aquilo que não é essencial, ou duvidoso em nossas vidas. E por mais que nos esforçássemos para distingüir estas duas categorias e nos portássemos diante delas com unidade e liberdade, ainda estaríamos destinados a ser caridosos com todas as outras. Trata-se então de viver de forma consciente cada uma de nossas ações e lidar sempre com caridade (amor) em todas as coisas.
No micro e no macro precisamos definir o essencial e o nãoessencial. Nosso exercício, muitas vezes, precisa iniciar-se dentro de casa. Lamento por algumas famílias que enfrentam desentendimentos tão sérios e seus integrantes ficam meses sem se falar; bem como colegas de trabalho ou vizinhos que passam pelo mesmo problema.
Convido as pessoas a buscarem em suas vidas e em suas experiências comunitárias o que há de essencial e o que há de não-essencial. Isto é importante para não corrermos o risco de trocarmos o precioso pelo mesquinho e discutirmos por banalidades.
Precisamos viver os ideais de paz e fraternidade sobre bases sólidas, dentro e fora casa, e repensar qual visão de mundo tem sido compartilhada com as pessoas e qual posição diante desses ideais temos assumido.
O ensino de Jesus aos seus discípulos nos auxilia neste propósito: “Façam aos outros o que querem que eles façam a vocês” (Mt.7.12).

