A sustentabilidade aliada a uma ação cidadã
Para ser sustentável, uma determinada ação precisa atender a pelo menos quatro dimensões: sociedade, meio ambiente, economia e cultura.
por Ana Claudia Braun Endo
“Porque sabemos que toda a criação conjuntamente geme e está com dores de parto até agora... porque a criação aguardar com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus”. Rm 8.19-22
A sustentabilidade – denominada até então como desenvolvimento sustentável - é um tema que vem ganhando força e destaque nas organizações modernas. A primeira definição do termo sustentabilidade, proposta pelo relatório Brundtland (1987), na Organização das Nações Unidas (ONU), defendia que a sustentabilidade pressupõe um compromisso entre as gerações, suprindo “as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas". Em essência, manter um comportamento responsável perante seus públicos e trabalhar em benefício da própria sociedade, num comprometimento com aqueles que ainda estão por vir.
O tema ganhou repercussão quando da realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco’92, realizada no Rio de Janeiro, e mais de 170 países adotaram a Agenda 21, um abrangente conjunto de metas para a criação de um mundo sustentável e equilibrado.
Desde então, a sustentabilidade vem se incorporando nos principais métodos de gestão corporativa. Ser sustentável não é - pura e simplesmente - divulgar boas ações como um fim em si mesmo, ganhando visibilidade e pontos para a imagem corporativa. Também não é esgotar os recursos atuais, às custas das gerações futuras. Ser sustentável não é pensar apenas a curto prazo.
Para ser sustentável, uma determinada ação precisa atender a pelo menos quatro dimensões: sociedade, meio ambiente, economia e cultura. É compreender que as ações de uma determinada corporação têm impactos e reflexos sobre toda a sociedade presente e futura. Especialmente a longo prazo.
Mais do que uma forma de gestão empresarial, a sustentabilidade prevê a criação de alternativas que possam garantir um futuro viável para as futuras gerações, aproximando-se conceitualmente do que há muito fora predito no Gênesis bíblico, na criação do mundo.
Assim, os cuidados com os primórdios da criação seriam facilmente transpostos para os tempos modernos, com a preservação das reservas naturais, a cultura de paz, que por sua vez permitiriam também qualidade de vida integral e garantiriam a perpetuação de vida da espécie. Ou a realidade de um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.
Buscar a sustentabilidade é perceber que é possível resgatar valores preditos na Criação. O equilíbrio de uma sociedade que permita se desenvolver pela ação organizada de uma fé cidadã, comprometida com a realidade que a cerca, libertadora e transformadora da injustiça e da desigualdade.
Buscar a sustentabilidade é transformar o senso de responsabilidade em oportunidade de engajar-se, manifestar-se, de fazer diferença e de influenciar a história. Cada um, no seu papel, faça a sua parte!
Ana Claudia Braun Endo é mestre em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo, onde atua como gerente de Comunicação.
- A Declaração de Política de 2002, da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, afirma que o desenvolvimento sustentável é construído sobre “três pilares interdependentes e mutuamente sustentadores” — desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção ambiental. Esse paradigma reconhece a complexidade e o interrelacionamento de questões críticas como pobreza, desperdício, degradação ambiental, decadência urbana, crescimento populacional, igualdade de gêneros, saúde, conflito e violência aos direitos humanos.








