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Educação indígena ainda enfrenta problemas no Brasil

19/12/2008
Educação indígena ainda enfrenta problemas no Brasil

Uma das maiores dificuldades dos povos indígenas é o acesso à educação. Crédito Agência Brasil

No Brasil existem hoje cerca de 370 mil índios que somam 225 etnias e falam 180 idiomas. Há algumas tribos que falam somente o português porque perderam suas línguas de origem. Eles ocupam uma área correspondente a 13% do território nacional em 580 áreas definidas como terras indígenas. Um dos problemas enfrentados por esses povos é a dificuldade de acesso à educação. Algumas etnias vêm buscando e educação escolar como meio de reduzir as desigualdades.

A educação indígena segue processos tradicionais de aprendizagem levando em conta  as peculiaridades de cada etnia. Esse conhecimento é transmitido por meio de rituais e mitos e também sob a forma oral no dia-a-dia. A educação entre os indígenas passou a ser reconhecida pela Constituição de 1988 e pela legislação relativa à educação como comunitária, intercultural, bilíngüe, específica e diferenciada.

Em 2005, foi realizado o Censo Escolar Indígena que indicou um grande crescimento do número de professores indígenas atuando em suas comunidades. O Censo também mostrou que ainda faltam escolas nas aldeias. As organizações indígenas têm pressionado o governo para que as políticas públicas indigenistas, previstas em dispositivos legais, sejam ampliadas. Condições técnicas e financeiras, recursos para produção de material didático apropriado e qualificação profissional são as principais reivindicações dos índios brasileiros.

Hoje, professores de aproximadamente 90 etnias cursam a Licenciatura Específica para Indígenas em Universidades Federais e Estaduais das mais variadas regiões do País. Além disso, algumas Universidades vêm reservando vagas aos indígenas em diversos cursos. Este ano, a Universidade Federal de São Carlos abriu uma vaga em cada um dos seus 37 cursos para as etnias indígenas, com um processo seletivo exclusivo.
 

Vestibular para Indígenas

Algumas Universidades do País abrem vagas exclusivas para estudantes indígenas. Um delas é a Universidade de Brasília (UnB). O vestibular é direcionado e o candidato precisa provar sai relação com a etnia que representa. Além disso, a Universidade acompanha os estudantes, para garantir que eles terminem o curso.

Muitos índios já haviam entrado na faculdade, mas as condições eram muito desfavoráveis e por isso havia muita desistência. Além de acesso, esses estudantes precisam de acompanhamento para serem bem-sucedidos e, ao final do curso, contribuírem para a própria comunidade.

Atualmente, há 23 índios fazendo cursos na UnB. As vagas oferecidas esse ano, eram relativas aos cursos de Agronomia, Enfermagem e Obstetrícia, Engenharia Florestal, Medicina e Nutrição.

Outra Universidade que tem o Programa de Inclusão para indígenas é a Universidade Estadual de Londrina (UEL). A última etapa do 8º Vestibular dos Povos Indígenas do Paraná foi realizada no último dia 17 de dezembro e contava com provas de redação, língua portuguesa, língua estrangeira moderna ou língua indígena, biologia, física, geografia, história, matemática e química.

Participaram da prova índios do Paraná, de São Paulo, Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, de Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e do Amazonas,  das etnias Ava Guarani, Dessano, Guarani, Guarani-mbya, Guarani-nhandewa, Hexkaryana, Kaingang, Kaiowa, Karitiana, Terena, Tukana, Tupi-guarani, Xavante, Xeta, Xoklen.

Apesar de todo o esforço da Universidade, o índice de abstenção mais uma vez foi alto. Dos 204 inscritos, apenas 70 compareceram às provas. Em relação a isso, a maioria alega falta de recursos para a passagem, especialmente os candidatos de outros estados.

O vestibular indígena é um projeto realizado pelas universidades públicas do Paraná, em atendimento a duas leis que determinam a reserva de seis vagas em cada uma das sete instituições públicas, para serem disputadas exclusivamente entre os índios integrantes das sociedades indígenas estaduais.

Em 2004,  um convênio firmado com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior permitiu a adesão da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que reserva  anualmente mais dez vagas exclusivamente para estudantes indígenas residentes no país. Durante o curso, os indígenas recebem bolsas-auxílio entre R$ 400,00 e R$ 600,00.

Mais informações no site da UnB e no site da UEL.

Fonte: Agência Brasil