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Fórum Social Mundial discute temas de cidadania

28/01/2009
Fórum Social Mundial discute temas de cidadania

Uma passeata com mais de 50 mil pessoas marcou a abertura da 9ª edição do Fórum Social Mundial - Crédito: Agência Brasil

A 9ª edição do Fórum Social Mundial (FSM) começou ontem, 27, na cidade de Belém, no Pará. O encontro visa estimular o debate, a reflexão, a formulação de propostas, a troca de experiências e a articulação entre organizações e movimentos engajados em ações concretas, no mundo todo, em busca da construção de uma sociedade mais solidária, democrática e justa. Os temas que mais chamam atenção esse ano são: A crise econômica global; preservação da Amazônia; aquecimento do planeta; paz; miséria e exclusão. O evento acontece até o dia 1 de fevereiro.

Os Chefes de Estado do Brasil (Luiz Inácio Lula da Silva), da Venezuela (Hugo Chaves), da Bolívia (Evo Morales), do Equador (Rafael Correa) e do Paraguai (Fernando Lugo) estarão presentes no FSM. Segundo os organizadores, 60 mil pessoas de todo o País, além de 30 mil estrangeiros participam do Fórum.

O primeiro dia do evento foi marcado pela ação de cerca de 1500 índios brasileiros, bolivianos e peruanos que se juntaram aos ativistas de grupos ambientalistas da América Latina e Europa contra a globalização. Eles se reuniram no campus da Universidade Federal Rural da Amazônia para formar a frase “Salvem a Amazônia”.

Segundo a Amazon Watch, uma das ONG’s responsáveis pelo movimento, o intuito da ação foi chamar a atenção sobre a gravidade do problema ecológico e social da selva amazônica. A Organização explicou que se os planos de desenvolvimento para a Amazônia continuarem descontrolados, a região estará prestes a passar, em um período de 10 a 20 anos, por uma ruína ecológica.

Outros encontros

Paralelamente ao Fórum Social Mundial, acontece a 3ª edição do Fórum Mundial da Saúde e a 6ª edição do Fórum Mundial de Educação. Ambos são eventos preparatórios para o FSM e pretendem discutir, respectivamente, o acesso à saúde por meio de sistemas públicos universais e os impactos da crise financeira no setor e de que forma é possível construir um novo mundo através da educação. Ambos terminaram ontem, 27.

Uma das conquistas do Fórum Mundial da Saúde foi a aprovação de um movimento em favor da realização da 1ª Conferência Mundial de Saúde, que deve ser realizada em novembro, em Brasília. Outros movimentos foram aprovados, entre eles, um que reivindica a prática de uma política nacional de saúde da população negra; a criação da política de saúde especifica para o público LGBTT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais); a consolidação de uma política de saúde dos povos da floresta e do campo e a revisão institucional da política de saúde das populações indígenas.

Já no Fórum Mundial da Educação foram discutidas questões culturais; a identidade das populações; a possibilidade da educação transgredir o sistema social excludente e elitista; e a relação da educação com o meio ambiente. Outro foco do evento foi a educação de jovens e adultos, uma vez que, em maio, Belém será sede da 6ª Conferência Internacional de Educação de Adultos (Confintea). O encontro é convocado, de 12 em 12 anos, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Será a primeira vez que a Conferência ocorrerá no Hemisfério Sul.

Histórico

As três primeiras edições do FSM aconteceram em Porto Alegre , Rio Grande do Sul. Já em 2004, o evento mundial foi realizado pela primeira vez fora do Brasil, na Índia. Em 2005, voltou para Porto Alegre. Em 2006, o Fórum aconteceu de maneira descentralizada em países de três continentes: Mali (África), Paquistão (Ásia) e Venezuela (Américas). Em 2007, voltou a acontecer de maneira central no Quênia (África). Já em 2008, O Conselho Internacional do FSM decidiu que para 2008 não haveria um evento centralizado, mas uma semana de mobilização e ação global, marcada por um dia de visibilidade mundial, 26 de janeiro de 2008.

O Fórum pretende incentivar a capacidade de mobilização que a sociedade civil pode adquirir quando se organiza a partir de novas formas de ação política. Entre os resultados alcançados desde sua primeira edição, em 2001, esta a Carta de Princípios, que garante a manutenção do Fórum Mundial Social como espaço e processos permanentes para a busca e a construção de alternativas ao neoliberalismo. Com base nessa Carta, são realizados fóruns sociais locais, regionais, nacionais e temáticos em todo o mundo.