por Gilberto Dimenstein


Com o término do último painel programado para amanhã, o projeto “5 Zonas de Grafitti” encerra uma iniciativa firmada entre a Secretaria de Cultura do governo paulista e a ONG Instituto Pombas Urbanas – que escalou cinco artistas para contar as histórias de alguns bairros da cidade por meio do grafite.

Os bairros selecionados são Cidade Tiradentes, na zona leste, Santo Amaro, na zona sul, Parada Inglesa, na zona norte, Pirituba, na zona oeste e Largo São Francisco, no centro.

“Levamos um mês para finalizar cada painel”, informa Hope, 32 anos de idade e 16 de grafite, que, ao lado de Tota, Credo EZ 14 e Sow, ajuda a desenhar a história dos bairros paulistanos.

“Por exemplo, na Cidade Tiradentes, entrevistamos moradores antigos, uns com mais de 40 anos de bairro. Depois da busca, nós nos reunimos e esboçamos o que deveria ser pintado.”

Tora, o Curador da equipe, conta que existem algumas regras para a pesquisa: “Elaboramos umas perguntas prévias, depois vamos a campo com gravador e máquina fotográfica. Pelos menos seis pessoas de cada bairro foiram entrevistadas”.

O painel da Cidade Tiradentes foi dividido em três etapas: “A primeira está em preto-e-branco, quando o bairro era uma fazenda e tinha escravos; a segunda é marrom e laranja, para mostrar que o desenvolvimento foi difícil e que o local tinha apenas uma linha de ônibus; já a terceira é colorida para representar esperanças, com imagens de metrô e fábricas”, descreve Hope.


Largo São Francisco

Hope conta que se surpreendeu com o último bairro a ser grafitado: não encontrou moradores do Largo São Francisco para entrevistar. “Falamos com muitos comerciantes, mas não foi possível conversar com moradores porque não achamos nenhum.”

Localizado no coração da cidade, o Largo ganhará o maior painel de todos, com 240 metros de extensão. “O pessoal da Justiça Federal cedeu o prédio deles para guardarmos nosso material”, lembra Hope.

Entre outras coisas, o painel a ser finalizado mostrará que o local já teve a Igreja dos Enforcados e um cemitério que ficava onde é o vale do Anhangabaú. “Também terá mendigos, mas suas sombras são representadas por casas; já seu sonho é ter lugar próprio”, acredita Hope.


Exposição

”Amanhã a gente termina os murais, mas o encerramento do projeto será nos dias 14 e 15 com uma exposição que vai mostrar todos os murais”, diz Tota, diretor artístico e pedagógico do projeto. A exposição será na sede do Instituto Pombas Urbanas.


Serviços:

O Instituto Pombas Urbanas fica na av. Metalúrgicos, 1.511, na Cidade Tiradentes.