O Nordeste inteligente
por Gilberto Dimenstein
Uma das experiências comunitárias mais interessantes que já conheci dentro e fora do Brasil - e não conheci poucas - está em Recife, onde transformaram um bairro abandonado, no centro, em uma imensa incubadora de tecnologia de informação.
Desde que era apenas uma idéia no papel e eu ainda morava nos Estados Unidos, venho acompanhando (e não deixo de me surpreender) a experiência do porto digital. Graças ao projeto já nasceram 105 empresas, muitas delas exportando programas. Talentosos jovens não precisaram sair de lá, rumo a São Paulo ou Rio em busca de emprego.
A imagem que muitas vezes o Nordeste passa é a de um lugar que exacerba os vícios nacionais presentes nas regiões mais ricas: empresários que só vivem às custas de favores oficiais, lideranças políticas que se misturam a interesses privados (veja quantos líderes políticos são magnatas da comunicação), desperdício de dinheiro (a lentidão contra a seca).
O que se vê ali no porto digital é um roteiro para gerar riqueza, apesar da adversidade. Isso porque se trabalhou em cima de um foco e se criou uma rede de parcerias que souberam se complementar. Envolveram-se rigorosamente todos os níveis de poder, do governo federal à associação de bairro, passando pelas entidades representativas dos empresários.
Se os responsáveis por políticas públicas, especialmente na área social, usaram esse tipo de modelo como guia o enfrentamento à pobreza será muito menos difícil.








