Perigo nas mãos, pilhas e baterias
Ações simples como descartar corretamente materiais recicláveis de lixo comum podem colaborar com a preservação do ambiente. Santo André é a cidade do ABC que mais recicla o lixo sólido e também a que melhor desenvolve um programa de coleta seletiva, segundo dados do Instituto Triângulo. Veja também dicas e locais para depositar pilhas usadas.
Ações simples como descartar corretamente materiais recicláveis de lixo comum podem colaborar com a preservação do ambiente.
Santo André é a cidade do ABC que mais recicla o lixo sólido e também a que melhor desenvolve um programa de coleta seletiva, segundo dados do Instituto Triângulo.
Por Silvia Postiglioni e Paula Baldini
Fotos: Rafael Almeida

Objetos como pilhas e baterias são extremamente agressivos ao meio ambiente e à saúde do homem, já que são compostos de produtos químicos de alto nível tóxico. Depois de usados, se jogados no lixo comum, podem causar danos.
O Instituto Triângulo, organização não-governamental localizada em Santo André, recebe pilhas e baterias para reciclagem. Para reaproveitá-las, são desencapadas e levadas para fornos industriais em alta temperatura. Depois, os metais que são liberados servem de matéria-prima na produção de refratários, vidros, tintas, cerâmicas e químicas em geral.
Mas de que forma objetos que parecem tão insignificantes podem causar danos à saúde pública? “Apesar do seu tamanho, as pilhas e baterias contêm metais pesados em sua composição que podem contaminar o solo e a água. Existe uma resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) que permite o descarte de pilhas no lixo convencional. Entretanto, há algumas marcas que não respeitam esses limites de metais (em especial as chamadas piratas) e são muito nocivas ao homem e ao ambiente. Além disso, não são todas as cidades que possuem aterros sanitários adequados para receber esse tipo de lixo”, disse o diretor de operações do Instituto Triângulo, Fabrício França.
Hoje, elas representam um grave problema ambiental, além de causar doenças que podem afetar o sistema nervoso central, o fígado, os rins e os pulmões. O cádmio é cancerígeno, o chumbo pode provocar anemia, debilidade e paralisia parcial, e o mercúrio pode também causar mutações genéticas.
Questionado sobre a produtividade dessa ação do instituto, Fabrício responde que financeiramente só existem gastos. “Mas serve como forma de mobilização e para incentivarmos as pessoas a participarem de nossa rede. A pilha, assim como o óleo, é um resíduo que não tem ainda uma solução fácil de descarte e fazemos isso como uma prestação de serviço para a população”, afirmou.
Certificado como OSCIP (Organização de Sociedade Civil de Interesse Público) desde 2004, o instituto entrega as pilhas coletadas à Prefeitura de Santo André, que paga para a Suzaquim, empresa do Estado de São Paulo, reciclar esse tipo de resíduo.
No Brasil são produzidas anualmente, segundo a ABINEE (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), cerca de 800 milhões de pilhas, entre as chamadas secas e alcalinas.
Os interessados em contribuir com a doação de pilhas e baterias usadas podem entregá-las aos agentes socioambientais do instituto. Caso os agentes ainda não tenham passado em seu bairro, entre em contato pelo telefone 4991-1112, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h.
Para conscientizar um maior número de pessoas, grande parte dos condomínios da região do ABC conta com o serviço de coleta seletiva. Os moradores têm apenas o trabalho de separar os materiais químicos dos normais na hora de colocar o lixo para fora de casa.
A pedicure Dinael Viola, moradora do edifício Artigas, que fica no bairro Barcelona, em São Caetano, é uma das que contribuem com essa ação. “Esse trabalho de separar o lixo é algo que todos nós deveríamos fazer, pois assim ajudamos o meio ambiente. Além disso, eu acredito que é dever de qualquer cidadão reciclar todos os materiais possíveis’’, disse.
Outro condomínio de São Caetano que também faz a coleta de matérias recicláveis é o São Martim, que possui cerca de 250 moradores. Parte dessas pessoas não apóia o fato de o condomínio exigir a coleta seletiva, como é o caso do mecânico Rogério Freitas. “Perco muito tempo separando todo o material reciclável. Não concordo com essa exigência do condomínio, afinal cada um contribui como e quando quiser”.
Segundo o instituto, Santo André é a cidade do ABC que mais recicla o lixo sólido e também a que melhor desenvolve um programa de coleta seletiva, além dos resíduos de uma forma geral.
Para França, o que falta é informação. “O que as pessoas precisam é ser informadas de como proceder para colaborar e, após a informação, é necessário que aconteça a mudança de hábito e posteriormente a mobilização das pessoas para começarem a praticar ações socialmente adequadas.”
O colecionador
Por Rafael Almeida
Fotos: Rafael Almeida

O estudante de engenharia da FEI Fabio Granata Kozikowski, 21, pode ser considerado uma espécie de “colecionador”. Só que Kozikowski não guarda o acervo de sua “coleção”. O futuro engenheiro encaminha o fruto de sua coleção para espaços de reciclagem.
Há cerca de dois anos, Kozikowski recolhe semanalmente pilhas e baterias de sua casa, em São Paulo, onde mora, e da casa de seus avós, em São Bernardo, e leva a coleta a pontos de recolhimento dos objetos para que sejam reciclados corretamente.
“Tudo começou com uma idéia da minha avó que sempre foi preocupada com reciclagem de todos os tipos de materiais. Eu achei muito legal esse tipo de iniciativa e nós começamos a fazer esse trabalho juntos, todas as semanas. Depois, eu continuei sozinho, pois comecei a gostar da idéia e a pesquisar sobre o assunto, desde como é realizado o processo de coleta até a forma como eles reciclam as pilhas e baterias em geral. É um trabalho muito prazeroso ajudar a preservar o ambiente”, disse o estudante.
O universitário também acredita que falta apoio por parte do poder público para mostrar à população a importância de reciclar outros tipos de lixo.“Não adianta ficar colocando cores para alguns materiais, sendo que existem outros prejudiciais ao ambiente e ninguém fala nada”, disse.
Além dessas tarefas com as pilhas e baterias, Kozikowski também se preocupa com outros tipos de materiais recicláveis, como o alumínio. Ele afirmou que chegou a abrir uma ONG (organização não-governamental) com um amigo da mesma faixa etária para recolher latinhas jogadas nas ruas e transformá-las em lixo reciclável.
“Eu tinha uma ONG com o propósito de recolher latas jogadas nas ruas por pessoas que não sabem sobre a importância de reciclar esse tipo de material. Nós as levávamos para um depósito onde eles faziam a reciclagem do alumínio. Ficamos um ano trabalhando com isso, tentando conscientizar amigos e familiares. Mas depois que entramos na faculdade tivemos que parar por falta de tempo para realizar perfeitamente o trabalho de reciclagem”, disse Fabio.
DICAS SOBRE PILHAS E BATERIAS
- Não compre aparelhos que venham com bateria embutida não removível.
- Dê preferência a pilhas e baterias recarregáveis ou alcalinas, pois elas costumam durar mais.
- Sempre as guarde em local seco e na temperatura ambiente.
- Jamais as deixe guardadas com remédios, brinquedos e alimentos.
- Quando trocar as pilhas de um aparelho eletrônico, troque todas de uma vez.
- Não as deixe expostas à umidade e ao calor, pois elas podem explodir ou vazar. Também não tente abri-las.
- Se as pilhas estiverem há muito tempo dentro de um aparelho, retire-as, pois elas podem vazar.
- Ao comprar baterias e pilhas, verifique se elas realmente são originais. (RA)
LOCAIS
Saiba onde depositar suas pilhas e baterias usadas sem agredir o ambiente:
Em Santo André, os postos são os seguintes:
- Coop Capuava, Avenida das Nações, 1.600
- Travel Telecomunicações - Shooping ABC Plaza, Avenida Industrial, 600- 1ºandar.
- Semasa, Prédio Sede, Avenida José Caballero, 143.
- Pão de Açúcar. Rua das Goiabeiras, 359.
Em São Bernardo, esses lixos tóxicos podem ser encaminhados para:
- D&V Service Center, Avenida Lucas Nogueira Garcez, 435.
- Agência Banco Real, Avenida Caminho do Mar, 3.241.
- Agência Banco Real, Rua M.M.D.C., 433.
- As agências do Banco Real estão recolhendo esses materiais recicláveis.
- O Grupo Pão de Açúcar está fazendo parte desta campanha. Entre no site e veja a loja mais perto da sua casa: www.grupopaodeaçucar.com.br (PB)
Fonte: Rudge Ramos Jornal



