por Gilberto Dimenstein


Uma parceria entre o setor privado e o terceiro setor promete melhorar a segurança em bairros violentos da cidade de São Paulo com uma fórmula interessante: aumentar o espaço de convivência das comunidades. Procurado pela seguradora Sul América, o Instituto Sou da Paz desenvolveu o projeto Praças da Paz, o qual vai intervir em bairros carentes propondo a criação de áreas de lazer e participação da população em locais até então abandonados.

Os distritos que ganharão praças são Jardim Ângela (Zona Sul), Brasilânida (Zona Norte) e Lajeado (Zona Leste). A escolha dos bairros deve-se ao fato de terem as piores avaliações no Índice de Vulnerabilidade Infantil. De acordo com o Seade, as três áreas pertencem ao Grupo 5 (mais de 65 pontos), o mais alto, de acordo com o ranking elaborado pela instituição.

“Toda intervenção é bem-vinda”, diz Denis Mizne, diretor executivo do Instituto Sou da Paz. “A abertura de uma unidade das Casas Bahia no Jardim Ângela, por exemplo, ajudou a acelerar o ciclo de desenvolvimento econômico da área". Para ele, as Praças da Paz também têm o poder transformador.

Antes de o projeto ser implantado, será realizada uma pesquisa com a comunidade local para detectar as maiores necessidades de lazer e as modalidades de esporte que devem ser priorizadas no espaço a ser constrúido. “Serão eles quem irá decidir se haverá pista de skate ou quadra de futebol.”

“Hoje os locais onde se instalarão as praças são tratados como espaço de ninguém, com abandono por parte do poder público e das comunidades. As pessoas têm medo de passar por eles quando voltam do trabalho e os espaços são propícios para o tráfico de droga”, avalia Mizne.


Propósito

Com experiências bem-sucedidas no combate à violência, o diretor do Instituto Sou da Paz acredita que a praça deva transformar os bairros positivamente. “A partir de uma referência física, tem-se um movimento que se expande para outros setores. O projeto é uma nova maneira de construir uma sociedade que saia da lógica de se esconder para ganhar o espaço para os cidadãos”. A praça do Lajeado terá 2.275 m2; a do Jardim Ângela, 3.000 m2; e a da Brasilândia, 6.500 m2. O valor dos três projetos é de R$ 2,5 mi.

A proposta do projeto prevê quatro estágios de execução: implantação, desenvolvimento e consolidação da gestão participativa, suporte aos grupos mobilizados e monitoramento. Depois dos quatro anos previstos para a conclusão de todas as etapas, o trabalho do Instituto Sou da Paz e da Sul América se encerra. “A garantia do sucesso está na maneira como se faz a intervenção. Se a comunidade se apropria, o lugar se torna seguro”.

Meninas ajudam no combate da violência

Um dos atrativos que as Praças da Paz irão oferecer serão atividades voltadas para meninas e adolescentes. Isso porque o Instituto Sou da Paz detectou que a presença das garotas faz com que melhore o comportamento dos jovens do sexo masculino.

Essa mudança de postura reflete diretamente na queda da violência, já que a população jovem é o principal alvo de assassinatos e brigas de rua. Segundo o IBGE, 70% das vítimas de homicídios (27/100 mil habitantes por ano) são brasileiros com idade compreendida entre 15 e os 29 anos.

Diminuir a violência é o principal objetivo do Movimento Sou da Paz que completa dez anos amanhã, justamente em um período que a cidade de São Paulo comemora os primeiros índices de redução da criminalidade.