por Gilberto Dimenstein
Uma equipe de pediatras vem percorrendo escolas públicas da cidade de São Paulo, nas quais se depara com um show de horrores: uma parcela enorme de crianças com problemas de saúde, algumas das quais com doenças transmissíveis. Quase todas essas doenças poderiam ser facilmente evitadas e tratadas, o que revela o tamanho do crime - são pessoas que, por causa disso, terão muita dificuldade de aprender. Se a situação é assim numa das cidades mais ricas do país, imagine nas outras.
Os dados preliminares estão espantando as autoridades. "É de estarrecer", conta o secretário da Educação da cidade de São Paulo. "Ninguém consegue aprender nessa circunstância, por melhor que seja a escola." Encontram-se muitos alunos com anemia por carência de ferro, o que impede um mínimo de concentração.
Veja a disparidade. Os problemas dos alunos da USP, a maioria deles de classe média e alta, conseguem chamar a atenção de todo o país - e não estão nem remotamente perto dos problemas de crianças que são chamadas de burras por falta de um par de óculos ou que estão com a boca cheia de cáries e a barriga repleta de verminose. O remédio sugerido para elas, receitado por um bando de ignorantes, é a repetência para que tomem jeito e estudem melhor.
Não é possível que, diante de números tão contundentes, levantados por aqueles pediatras, não se tomem providências imediatas.








