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Carta da Metodista

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A Carta abaixo foi escrita pelos gestores das Faculdades de Administração e Economia, Comunicação, Exatas e Tecnologia, Gestão de Serviços, Humanidades e Direto, Saúde; e dos setores de Direção Geral, Assessorias, Gerência e Coordenadoria Administrativa.

 

"Em 2009 vivíamos dias conturbados. A crise ambiental começava a mostrar sua face mais irreversível: mudança climática e poluição generalizada alertavam a todos sobre as mudanças que se seguiriam. As pessoas ainda não estavam conscientes sobre os desafios futuros que se avizinhavam e que, hoje, são apenas história. Foi neste contexto que a comunidade acadêmica e administrativa da Universidade Metodista e representantes da Igreja Metodista resolveram se reunir para iniciar na educação o movimento mais tarde conhecido como a Grande Virada.
Esta carta resgata as ações originalmente propostas e que constituíram a base que possibilitou a formação de pessoas, que desde então tem estado à frente das ações que desencadearam a mudança.

Através da reunião concebida pelo primeiro Fórum de Sustentabilidade do dia 02 de Abril de 2009, entendemos que é preciso tomar medidas em caráter de urgência que contemplem algumas áreas que careceram de transformação para a aplicação da sustentabilidade a fim de mudar esta fase da crise ambiental. Apontamos itens de ordem paradigmática para a formação daqueles que passaram por nossa instituição. Entendemos que é preciso aplicar o princípio da transversalidade, e que o item da sustentabilidade possa compor a formação acadêmica a partir do básico ampliando-se para todos os cursos, trabalhos integrados, projetos e extensões, possibilitando na construção de um caráter coletivo ético e global. Entendemos que ações devem ser tomadas para transformar áreas como tecnologia, política, economia de modo que possam utilizar os recursos naturais de forma responsável e coerente, através da criação de um diagnóstico institucional dos recursos utilizados que direta ou indiretamente afetam a sustentabilidade procurando contribuir para a redução dos impactos sobre o meio ambiente. Sendo assim, é perceptível a importância do estabelecimento de políticas, metas e indicadores do uso dos recursos da Instituição no seu cotidiano, para racionalizar e otimizar o consumo dos recursos naturais (como ar, água e energia) e subprodutos (como papel, copos descartáveis e etc), afim de se instituir uma nova cultura nas pessoas: a cultura sustentável.
Propomos algumas ações dentro da Instituição visando à diminuição dos impactos ambientais, como estabelecer por meio da educação individual e coletiva, e da conscientização e sensibilização sócio-ambiental um programa de reciclagem e reuso de resíduos como, por exemplo, a substituição dos copos descartáveis por copos reutilizáveis incluindo a instalação de pias nos setores para haver a possibilidade de se lavar os mesmos; a diminuição da demanda de papel, seja com impressão, reprografia ou escrita, na elaboração de provas, trabalhos e documentos disponibilizando os mesmos em versões digitais e, quando for necessário a utilização de papéis nesses processos, se possível usar papel reciclável; adotar medidas para um possível reaproveitamento da água através de tratamento dos efluentes, para reutilização da mesma em banheiros, contribuindo indiretamente para o seu uso racional; estabelecer medidas que contribuam com a economia de energia desligando luzes, monitores e computadores quando não utilizados, buscar e implementar através de pesquisas, novas fontes (renováveis) de energia, como energia solar por exemplo e, divulgar na Universidade  informações técnicas sobre consumo de energia elétrica; promover a coleta seletiva de lixo em toda a Instituição, revertendo para a própria comunidade os benefícios resultantes.
Para isso, entendemos que os alunos, profissionais e funcionários devem participar continuadamente dessa reflexão, juntamente com programas desenvolvidos, possibilitando estratégias de ação na comunidade e todos os níveis socioeconômicos.
Propomos criar um plano de ação para conscientização de todos os usuários da Instituição, através da divulgação de iniciativas que contribuiriam para o programa de sustentabilidade e, desenvolver uma prática pedagógica permeada pelas diversas questões de sustentabilidade, tais como, produção, consumo, ambiente, vida social, trabalhando a conscientização dos professores, para discutir como tratar o tema em aula e, conseqüentemente a conscientização dos alunos ao longo do curso.
As práticas de aprendizagem, na área de comunicação inseridas em sala de aula, propõem a defesa do meio-ambiente e aparecerão freqüentemente como pauta de reportagem, briefing de campanhas publicitárias, como tema de produtos em radio/TV e cinema, como projetos em mídias digitais sempre desenvolvidos pelos alunos, visando sua participação como cidadão e profissional. Destacam-se, ainda, aspectos críticos e fiscalizadores, que possam esclarecer e orientar a opinião pública diante da complexidade e relevância da questão ambiental.
Ressalta-se, também, a promoção do tema sustentabilidade em eventos como SESTINFO, dia do tecnólogo, congresso de produção científica, palestras no fórum de coordenadores e, criar outros eventos que abordem o mesmo, dentro da Universidade.
Por fim, propomos a criação de programas de incentivo a práticas direcionadas à comunidade como reciclagem e campanhas de economia, para a construção de uma cultura de solidariedade por meio de participação e envolvimento comunitário.
Consideramos a importância da discussão sobre a questão ecológica permeasse por três “ecos”: o ecológico, o econômico e o ecumênico, por ecumênico (leia-se a terra toda habitada). A partir dessas três perspectivas, refletir sobre a importância de se conceituar que tipo de homem a sociedade quer.
Essa reflexão precisa ter como base uma visão gnosiológica, antropológica e política.
O ponto crítico é a nossa comodidade. Assim, acreditamos que a saída para o problema da sustentabilidade esbarra na necessidade primeira de internalização dos conceitos, o que levaria a uma sensibilização, gerando mudança gradual de atitudes.


Só sabemos que depois desta carta e em conjunto com todas as demais ações que nasceram nesta época, esta região e depois este país e o mundo não foram mais os mesmos. O pioneirismo e a coragem para mudar de todos foram decisivos para que hoje pudéssemos estar aqui e dar este testemunho e por isto somos gratos!"

Cidadãos da Metrópole de São Paulo
Planeta Terra

Ações do documento

Programa Metodista Sustentável
Universidade Metodista de São Paulo