Como avaliar, responsavelmente, o Caso Malafaia

Por Magali do Nascimento Cunha, pesquisadora e editora do site Midia, Religião e Política

A condução coercitiva do Pastor Silas Malafaia, pela Polícia Federal, neste 16/12, é mais um espetáculo oferecido às mídias e ao público ávido por linchamentos. Quando a Polícia Federal, o Ministério Público e Juízes-Heróis querem holofotes em torno das investigações que envolvem figuras políticas, já não enviam mais intimações para depor: aplicam “conduções coercitivas”, que, na linguagem popular se transformam em “prisões”. E ai de quem quiser corrigir isto ou questionar o ato…

Neste sentido, Malafaia é tão vítima da espetacularização da judicialização da política a que estamos estarrecidamente assistindo nestes tempos difíceis do País, como foi Lula (o caso mais emblemático) e vários  outros políticos, empresários e lideranças de movimentos sociais.

Entretanto, não é possível, para qualquer avaliação deste episódio, que se diga séria, parar por aí. É preciso considerar o que faz a espetacularização: além de aliviar os judicializantes das acusações de parcialidade contra o PT e suas lideranças (“afinal, já pegamos Cunha, e agora um antipetista”), faz incendiar as mídias sociais com defesas e acusações, sobre o Pastor e entre participantes, rápidos em tripudiar e acirrar ódio e intolerância. Curiosamente, em muito pouco tempo, quem antes questionava as operações da PF passa a exaltar e dizer que Silas Malafaia teve o que merecia…

… e este é outro ponto que não pode ficar de fora de qualquer avaliação comprometida com a reflexão do momento complexo que vivemos. O Pastor Malafaia, de fato, sentiu na boca o gosto amargo da humilhação que ele próprio celebrou quando as personagens do mesmo processo eram outras. Emblema de arrogância e de intolerância expressas sem maquiagem em seus espaços midiáticos, o religioso, ao se defender, usa agora dos mesmos argumentos que aqueles de quem zombou usaram antes. Ironia do destino? Castigo de Deus? Ou o preço dos jogos na política?

 

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