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Palavra da Coordenadora


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Bem-vindos e bem-vindas ao nosso “sítio”, nossa casa, nosso espaço, nosso lugar. Vamos fazer dele um ambiente de encontros, de notícias, de informações e, acima de tudo, um espaço de vivência da cidadania.

Lembrei-me de um poema de Cecília Meireles que se chama “A arte de ser feliz”. Nele, a autora diz ver a realidade tal como ela é, mas ao mesmo tempo de um jeito mágico. Coisas que parecem simples ou outras que seriam impossíveis tornam-se inspiração para uma vida feliz. Um trecho do poema é emocionante e o replico aqui:

Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas, todas as manhãs, vinha um pobre com um balde e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz. (Extraído do livro Escolha o seu sonho)

Acreditar na vida vendo possibilidades de estar bem e ser feliz é a construção diária que o Núcleo de Formação Cidadã da Universidade Metodista se propõe aos alunos e alunas que buscam aqui a sua formação profissional. Criar a consciência de que a convivência pode ser permeada pela confiança, justiça, ética, valores, teatro, poesia, dança, música e tantas outras expressões que tocam o nosso ser, é o fazer diário de nossos docentes envolvidos neste projeto que já completou nove anos.

Alguns podem dizer que um projeto como este é pura utopia. Mas eu acredito na proposta que o alicerça e neste momento eu também me lembro do poema da querida Cecília Meireles:

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Paradoxalmente à lembrança saborosa da poesia de Cecília Meireles, recordo aqui o filme "Tropa de Elite", de José Padilha. A princípio tive receio de assisti-lo por ser considerado violento demais por muitas pessoas. De fato é violento, mas não temam vê-lo. É possível suportar as imagens tanto quanto as que são veiculadas nos telejornais – são cenas praticamente reais. O paralelo que faço e o que me choca, é perceber que os dois autores têm visões distintas da sociedade e os dois a retratam com muito realismo. Também percebemos no tema das duas obras de arte a intenção de ver coisas melhores ou as mesmas coisas com melhores olhos. A grande diferença é que a arma para ver acontecer o bem, utilizada pela autora, é a criatividade, a sensibilidade, a reflexão... e a arma do autor (aliás das cenas que são mostradas no filme, pois talvez não signifiquem a visão do autor) é a vingança, o ódio, o remorso, o rancor.

A realidade está na nossa frente; a forma de enxergá-la é que é sempre diferente! No nosso projeto – meu e seu – podemos vê-la melhor e participar desta recriação. Conto com todos vocês para a recriação de um mundo melhor e mais cidadão.


Elena Alves Silva é coordenadora do NFC.

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