Camargo Guarnieri

Camargo Guarnieri

Nascido em São Paulo, Brasil, filho de pai italiano e mãe de tradicional família paulista, desde que, em 1928, o muito jovem Camargo Guarnieri surgiu no cenário musical, foi reconhecido como "uma esplêndida afirmação da música brasileira" pelo pianista e professor Antônio Sá Pereira. Sua brasilidade se afirmou ainda mais no convívio com o genial Mário de Andrade, escritor, musicólogo e poeta modernista, que viu no moço alguém que "poderia definir os rumos da música brasileira" e, além de lhe oferecer sua amizade e orientação, emprestou-lhe o prestígio para impulsionar sua carreira.


Para Caldeira Filho, crítico musical do conceituado jornal O Estado de São Paulo, "Guarnieri mostrou-se definido desde logo e cresceu como a palmeira, retilínea e sem ramificações". Em outro artigo, afirmou: "Realmente, o que surpreende desde logo é a riqueza e abundância de ideias, expressas em paralela riqueza de escrita".
O grande pianista francês Alfred Cortot, que o conheceu ainda jovem, escreveu: "Durante minha curta estada no Brasil, tive oportunidade de conhecer a música de Camargo Guarnieri. Ela me causou tal impressão que não hesito em afirmar que sua obra representa um dos valores mais pessoais de nossa era e, certamente, uma das mais características do gênero musical".


Duas décadas depois, o compositor Aaron Copland escreveria: "Guarnieri é o mais empolgante talento dentre os compositores da América Latina. Ele possui todos os requisitos necessários, tais como técnica acabada e amplos recursos, imaginação fecunda e personalidade incomum [...] Seu trabalho tem mais originalidade que o de Villa-Lobos, sem ser menos brasileiro. Mas o que eu mais gosto em sua música é sua saudável expressão emocional. Ele é o músico mais autêntico do novo continente".


Em artigo sobre uma apresentação de suas obras em Nova York, o compositor e crítico musical Virgil Thompson concorda com Copland: "Em tudo e por tudo, seus trabalhos se definem por uma autoridade, amplitude e domínio técnico raros neste hemisfério [...] Ele é um autor de peso e contorno decisivos, o que vale dizer, um artista consumado".
Pouco antes de sua morte, sua carreira vitoriosa, marcada por inúmeros prêmios em concursos internacionais de composição, honrarias e comendas, como última consagração, a Organização dos Estados Americanos, Washington DC, Estados Unidos, lhe concedeu o Prêmio Gabriela Mistral como o maior compositor das Américas, prêmio considerado o Nobel para as Américas.


Fonte: Associação Camargo Guarnieri

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