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A sinfonia da esperança: da importância da escato-diversidade para uma pastoral da esperança

Helmut Renders

Resumo

Uma teologia que parta da vida necessita de uma escatologia viva. Fundado na observação da escato-diversidade bíblica, tenta-se fazer sentido dessa diversidade em vez de defender uma ou outra linha escatológica como a verdadeira e única a ser aplicada para todos os tempos e lugares. Presume-se que a escato-diversidade é a única forma de poder proclamar a esperança diante da pluralidade de desafios em diferentes contextos e situações.


Palavras-chave

Escatologia, esperança, história, metodismo, vida.


Helmut Renders: Secretário Executivo do Centro de Estudos Wesleyanos, professor de Teologia Sistemática no Curso Teológico Pastoral e no Curso Lato Sensu em Estudos Wesleyanos da Faculdade de Teologia da Umesp. Endereço eletrônico: helmut.renders@metodista.br.


Introdução

Houve um tempo, quando livros sobre a escatologia marcaram a época. Trinta e quatro anos atrás, Hal Lindsey com seu bestseller apocalíptico captou multidões. [1] Mais cedo ainda, 1964, iniciou Jürgen Moltmann sua carreira teológica com “estudos sobre os fundamentos e as conseqüências de uma escatologia crista” [2], um dos livros teológicos mais significantes do século XX, com reflexos na teologia latino-americana. [3] As respectivas leituras desses autores (e de outros) representaram o retorno da escatologia e de um debate: precisa-se ler o processo histórico mediante uma escatologia “pré”, “a” ou “pós” milenar, ou, melhor ainda, mediante uma escatologia de crise ou do processo? Agirá Deus na história ou interromperá Deus a história? Defendo, nesse artigo, apesar dos questionamentos adequadíssimos feitos pela filosofia pós-moderna de messianismos totalitaristas de todas as vertentes, a contínua necessidade de investigar a função da escatologia como uma das expressões dos horizontes utópicos indispensáveis para a vida humana. [4] Sem escatologia vive-se tampouco bem como com os messianismos totalitaristas.

A escatologia trata, em primeiro lugar, da esperança: sem esperança ninguém vive, apenas vegeta. Uma teologia da vida precisa de uma escatologia viva. Mas, justamente a minha própria herança teológica, fortemente compromissada com uma teologia da vida, nunca se mostrou muito interessada em debates escatológicos mais detalhados. A única significante contribuição original era de C. Harold Dodd com seu programa de uma escatologia realizada. [5] Esse silêncio deixou as igrejas locais inseguras: Sabem os outros mais dos segredos de Deus? Acredito que seja possível atender a essa necessidade e ainda mais: a partir da percepção da escato–diversidade [6] encontrada na Bíblia, poder-se-ía até tentar superar o impasse da absolutização de uma ou de outra vertente escatológica.


1. Tendências na escatologia metodista

Os impasses da hermenêutica escatológica transparecem, por exemplo, numa recente obra metodista. Randy Maddox defende que John Wesley enfatiza em sua escatologia o aspecto do presente, mesmo que fale também da dimensão futura. [7] Ele se baseia nos escritos tardios de John Wesley, mas, em seguida qualifica toda escatologia de Wesley como “progressiva” no sentido de “em desenvolvimento”. [8] Ao mesmo resultado chega também o teólogo nazareno Vic Reasoner. [9] Mas, Maddox não faz somente um levantamento histórico. Nos rodapés ele defende a sua avaliação positiva da opção escatológica de Wesley contra Lerch, Schempp e Schneeberger que, por sua vez, julgam a escatologia de John Wesley como “imanente demais”. Todos os quatro autores concordam, então, que Wesley tinha, essencialmente, uma posição pós-milenarista ou a-milenarista, mas diferem na avaliação do significado disso para seus tempos. E todos têm as suas boas razões! Lerch e Schempp escreveram no início da II Guerra Mundial, Schneeberger durante da ocupação do seu país pelas tropas do Pacto de Warshova e Maddox nos EUA na década de 90. A escatologia de Wesley é rejeitada quando não há espaço para participar num suposto desenvolvimento, mas se necessita de resistência contra as ditaduras nacional-socialistas (Schempp e Lerch) e comunistas (Schneeberger). A posição de Wesley é abraçada (Maddox) quando os EUA, na década 80, se vêem num combate entre o “reino do bem” e o “reino do mal”, baseado num discurso pré-milenarista.

As diversas críticas, mesmo sendo compreensíveis, representam, porém, uma lógica questionável. Todos podem imaginar somente uma escatologia para todos os contextos e tempos. Por causa disso, Lerch, Schneeberger e Schempp lamentam a posição de Wesley e Maddox critica os três. Uma lógica parecida leva pré-milenaristas metodistas contemporâneos a tentarem provar o caráter pré-milenarista do metodismo nascente. [10] É impensável que o maior sucesso da missão metodista tivesse acontecido exatamente nas suas fases pós-milenaristas. [11] Um terceiro exemplo, entretanto, indica um outro caminho: enquanto os descendentes de europeus celebraram os EUA como terra de Deus (God´s own country) os seus escravos africanos cantavam “Quando os santos entrarão [no céu]” (Oh when the saints go marching in). Um grupo celebra a ação de Deus na história e seus momentos kairóticos contínuos, um outro grupo enxerga a festa da vitória só no além. Encontramos duas escatologias opostas, mas simultâneas e a sua marca diferenciadora é a vida com as suas circunstâncias reais. Escatologias, assim diz Karl Rahner, falam do futuro a partir do presente. Por causa disso haverá sempre escatologias paralelas, dependendo do momento da vida de uma pessoa, de um grupo, de uma nação em relação a outros e outras. Schempp, Lerch, a teologia da libertação, os afro-americanos etc. tinham razão quanto ao fato de que a ênfase num mero “desenvolvimentismo” pode desorientar a igreja ou qualquer outro grupo quando perseguido ou discriminado; da mesma forma, concordo com o evangelho social, Randy Maddox e o Plano para Vida e a Missão da Igreja [12] de que um pré-milenarismo permanente pode promover irresponsabilidade em momentos históricos nos quais se pode e se deve cooperar com os mais diversos setores de uma sociedade.

A questão escatológica não se resolve, então, no levantamento e na repetição da escatologia de John Wesley, nem do PVM (!) e também não de Lindsay ou de Scofield, mas, na avaliação da relevância de uma das diversas opções escatológicas para um certo momento histórico. Dependendo do momento histórico, cada alternativa escatológica pode se tanto tornar libertadora ou opressora. Isso é talvez a razão pela qual a maioria das dogmáticas metodistas se limita a uma escatologia individual. [13]


2. A escato-diversidade no cânon bíblico

Como cada modelo escatológico, dependendo do contexto, pode se tornar libertador ou opressor, precisa-se de mais de um modelo para garantir a promoção da vida em diversos momentos. Em vez de destilar, então, da Bíblia um único modelo como universal e permanentemente relevante, precisa-se re-descobrir o texto bíblico na sua integridade, riqueza e complexidade. Somente na sua integridade a Bíblia é o cânon, a orientação máxima da igreja; com esse cânon, a igreja testemunha a importância da escato-diversidade.


2.1 Vozes do Antigo Testamento

No AT podemos observar como a esperança do povo de Deus, no decorrer dos séculos, ganhou em perspectiva. [14]

Período A.T Expectativas/ Esperanças Horizontes de **Esperanças
Pré-escato- lógico Antes dos Profetas Clássicos Sobrevivência geral; Libertação; terra/pátria político – nacional Individual-tribal
Proto-esca- tológico Amós, Isaias e contempo- râneos Visão de um novo povo e de um novo reino; surgindo por meio de forças espi- rituais Nacional
Escatológico Deutero-Isa- ias e com- temporâneos O reino de Deus transformará o mundo Deus dá um novo co- ração, transforma pessoas Universal- terrestre
Apocalíptico transcenden- tal Daniel Não no mundo (?), mas no céu, por meio de uma catástrofe cósmica, mundo novo Cosmológico

Anota-se, em primeiro lugar, como a esperança ganha um aspecto cada vez mais universal e inclusivo. Parece também que os novos aspetos não simplesmente substituem os anteriores, mas funcionam como um aspeto complementar. A esperança ganha novas perspectivas. Anteriores limites se transformam, de repente, numa nova linha do horizonte da esperança. Nessa perspectiva pode se imaginar um grande final cosmológico sem desqualificar a caminhada terrestre; pode se defender a construção de estruturas inspiradas nos sinais do Reino de Deus sem confundi-las com o mesmo; as diferentes perspectivas se qualificam e inspiram mutuamente.


2.2 Vozes do Novo Testamento

A escato-diversidade do AT está viva nos conceitos escatológicos encontrados na época de Jesus. Os fariseus defenderam uma esperança mais individual – grupal em que o estabelecimento do Reino de Deus depende da ética individual de cada um. Os Zelotes acreditaram mais na criação de um novo povo por meio de forças espirituais e bélicas, ou seja, num sinergismo divino-humano. Aspetos universal-integrais encontram-se na esperança farisaica da vida eterna, e os Essênios esperavam o mundo novo por meio de uma catástrofe cósmica. O que não se encontra nas comunidades cristãs do NT, porém, é um projeto meramente nacional, seja político, étnico etc. Em vez disso é enfatizada a esperança individual, a importância do testemunho contextual da igreja, e a, finalmente, vitória universal do Deus trino. Muitas vezes, a escatologia é caracterizada pela esperança de transformação da vida antes da morte e pela presença revolucionária do Deus Espírito. A escatologia cosmológica – às vezes, mas não sempre, desenvolvida como uma catástrofe cósmica – encontra-se em todos os ramos, porém fica mais evidente nos trechos mais recentes, refletindo perseguições locais. Característico em todos os textos é o tom de esperança: celebra-se o kairos de Deus, o início do Reino. O final dos tempos é, para a comunidade, um dia de festa, da alegria dos santos, de levantar a cabeça. Encontramos, então, no NT uma diversidade parecida com a do AT que impede uma leitura unilateral ou simplificadora: aplicar um único sistema escatológico à totalidade dos textos é nada menos do que uma exegese, que ignora o sentido original de uma parte dos textos. O problema, porém, não é novo. Ele já aparece na Bíblia. E alguns textos deixam transparecer como os diversos autores responderam a essa tarefa. Especialmente esclarecedor, aqui, são os textos em que diferentes autores partem da mesma tradição escatológica, mas tiram conclusões diferentes. Isso pode ser visto, por exemplo, nas chamadas “apocalipses sinóticas”. [15] Em seguida investigamos como os três evangelistas sinóticos interpretam cronos e kairos, partindo da mesma herança bíblica. [16] Todos os autores usam a mesma tradição ou fonte para falar da extensão temporal entre a destruição do templo judeu e o evento da parusia do filho do homem. Veja a seguir:

  Marcos Mateus Lucas
Quem pergunta? 13.3: Pedro, Tiago, João e André 24.3: aos seus discípulos 21.7a: pergunta- ram-lhe
O que pergunta? 13.4: Quando serão essas coisas e que sinal haverá quando todas elas estiverem para se para se cunprir? 24,3b Dize-nos quando serão que sinal haverá da tua vinda (parusia) e do fim do mundo? 27.7b: Quando serão, pois, essas coisas coisas? E que sinal haverá,quando isto estiver para acontecer?
Cronos 13.7-8: ainda não é o fim; o princípio das dores. 24.6-8: ainda não é o fim; o princípio das dores. 21.9: mas o fim não será logo
O que acontece- rá antes? 13.10: mas importa que o evangelho se- já primeiramente pregado entre todas as nações 24.14: este evangelho do reino será pré- gado em todo mundo em teste- munho a todas as nações, e então virá o fim. Versículo omitido; ele reaparecerá em Atos 1.8: ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.
Parábola da figueira 13.29: quando vir- dês sucederem essas coisas sabei que [ele] já está perto às portas. 24.33: quando virdes todas essas coisas as- bei que ele está próximo, às por- tas. 21.31: quando virdes acontecer estas coi- sas, sabei que o Reino de Deus está perto.
Temas centrais, aparecendo em outras períco- pes   25.37-39: quando te vimos [com fome; enfermo]? Quando o fizes- tes a um destes pequeninos ir- mãos a mim o fizestes. 17.17-21: o Reino de Deus está dentro de/ entre vós.

Em Marcos, os dois momentos estão mais próximos do que nos outros dois evangelhos. Porém, e mesmo que se viva já o princípio do fim, ele relata o desafio da proclamação do evangelho entre as nações. Em Mateus, a pergunta se tornou uma pergunta dupla: essas coisas são agora explicitamente distintas do evento da parusia e do fim do mundo. Ele enfatiza a pregação em todo mundo e que somente depois virá o fim. Além disso, reflete mais a presença de Jesus (!) no próximo. Lucas enfatiza ainda mais o tempo entre os eventos. O fim “não será logo”; o Reino de Deus está próximo, no sentido de uma proximidade já iniciada. Na base da proximidade de Deus, afirmada pela presença do Espírito, a igreja se torna testemunho até aos confins da terra. A realização dessa missão está em aberto, o martírio de Paulo não se relata. Os representantes do Império Romano são descritos como cooperadores do Reino de Deus. Uma futura aceitação, abrangendo a totalidade do império, não parece inimaginável. A escatologia da crise se transforma, em certos momentos, numa escatologia de processo. Os sinóticos, então, divergem na afirmação do momento do cronos, para manter contextualizado o horizonte da esperança, o kairos. Em outros momentos históricos, uma escatologia de convivência é substituída ou por uma escatologia crítica, porém, não ascética (1 Pedro) ou por uma escatologia de crise absoluta (Apocalipse).


2.3 A importância da escato-diversidade

Os modelos escatológicos abraçam, então, a esperança individual até a esperança de uma renovação cosmológica, de um processo transformador de pessoas até o de circunstâncias contextuais, da necessidade de resistência contra políticas abusivas até a possibilidade de colaborar em momentos de paz. Todas essas esperanças são “bíblicas”.


3. A esperança cristã e a história

Destacamos a escato-diversidade bíblica como um recurso importante para a pastoral e atuação da igreja. Ela possibilita reações adequadas em situações distintas. Vejamos isso em relação à leitura do processo histórico.

O modelo da decadência crescente pode ser uma leitura que expresse um projeto revolucionário na busca de “interromper” as estruturas dominantes ou um projeto alienador quando afasta seus seguidores/as das lutas sociais. A sua contribuição está na busca de realismo.

Da terra prometida ao novo mundo, do segundo grande avivamento nos EUA ao evangelho social, até a dominante filosofia de economia depois de 1950, todos operam com o modelo do desenvolvimento crescente. Este modelo é otimista quanto às possibilidades humanas. Baseiam-se nessa visão otimista, muitas vezes, as pessoas que pertencem a grupos socialmente estabelecidos. Este modelo consegue libertar e concentrar forças humanas, mas, outras vezes, não quer saber das vítimas dos desastres e fracassos causados por elas nas suas “periferias”. Esse tipo de otimismo se relacionou na história, várias vezes, com um discurso de “sacrifícios necessários” como condicio sine qua non de progresso.

Os dois modelos existem paralelamente em “tempos normais” e disputam entre si, em certos momentos históricos, o papel da escatologia dominante ou marginal. Cada modelo tem um potencial libertador e opressor: pode defender, impedir ou ameaçar a vida.


4. A necessidade de uma ampla discussão sobre escatologia

Milenaristas defendem as suas teorias até hoje. [17] Escritos da academia metodista sobre esse assunto, provavelmente, não se distinguiriam muito da sua rejeição elaborada pelo batista Wayne Gruedem [18] ou pelo teólogo nazareno George Lyons. [19] Disse “provavelmente” por que não se encontra muito sobre esse tema nas academias metodistas. Às vezes, acha-se o assunto simplesmente marginal demais; outras vezes, teme-se o clima ideologizado dos discursos, especialmente quando se relacionam posições unilaterais com o poder eclesiástico; e, finalmente, há aqueles que argumentam pastoralmente: eles não querem confundir o membro comum. Contudo, se a escatologia não é algo periférico – mas é uma doutrina central contribuindo na proclamação do evangelho da graça de Deus – a igreja deveria ter, então, um interesse vital em não deixar a escatologia nas mãos de autodeclarados “especialistas” com suas tentativas de provarem a cronologia do futuro e deveria tomar uma posição escato-pastoral. O silêncio não é pastoral; perdem-se contribuições importantes das diversas perspectivas e, assim, possibilidades para um diálogo que supera confrontações inúteis. Será que é realmente impossível valorizar a preocupação profética – às vezes presente, sim, no pré-milenarismo sem se render aos seus problemáticos cronogramas escatológicos, ou sem fugir aos sistemas fechados – como os do dispensacionalismo e arrebatamento? Será que isso é, hoje em dia, realmente tão incompreensível e, por causa disso, incomunicável ao membro comum da igreja? Da mesma forma, precisa-se perguntar por que a intenção atrás do pós-milenarismo é tantas vezes tão rejeitado e discriminado como liberalismo descompromissado ou coisa pior. Isso somente se supera quando se captam os potenciais vivificadores atrás das diversas concretizações escatológicas e se avalia o seu uso em situações específicas. Em outras palavras: às vezes será necessário orar maranata, Senhor venha (logo); e, em outros momentos, será oportuno a dizer: Quem não é contra nós é por nos. [20]


Considerações finais

O papel central dos diversos textos escatológicos é “manter a esperança” e possibilitar uma ação adequada diante de desafios distintos. Quanto ao pessimismo humano, a esperança manteve o seu realismo, mas frisa que Deus opera na história e desafia a alienação e o comodismo. Quanto ao otimismo a-crítico, a esperança acentua o senso crítico e um olhar a partir das vítimas. Somente nessa combinação não se perde o horizonte utópico da esperança cristã.

Encerro com dois exemplos. Dietrich Bonhoeffer, diante da sua morte, diz para seus companheiros prisioneiros: “Para muitos isso significa o fim, para mim é o começo de uma vida nova”. Aqui, um compromissado com a luta pela vida consegue – graças à sua escatologia – manter a esperança diante da face da morte. A escatologia garante a militância cristã a favor da vida. Numa outra perspectiva, Martinho Lutero mostra a mesma esperança quando afirma: “Mesmo que eu soubesse que amanhã acaba o mundo, eu plantaria hoje uma árvore de maçã”. Seja a ruptura que for, Deus deve nos encontrar trabalhando pelo bem em termos gerais e até com longa perspectiva. Certamente a perspectiva escatológica distingue o/a sonhador/a do/a visionário/a, o/a compromissado/a do/a falante. A perspectiva escatológica se mostra na disponibilidade de carregar a cruz da sua época, sendo assim um símbolo escatológico de compromisso e esperança diante das lutas, diante da morte, diante das portas abertas e, também, diante dos pecados cometidos nas lutas. A escato-diversidade nos prepara para as eventualidades dessa caminhada na busca de manter a esperança.


Notas

[1]LINDSEY. The Late Great Planet Earth. Grand Rapids, Mich.: Zondervan, 1970. Lindsey defendeu que depois da fundação do Estado de Israel, em 1948, vivesse a última geração (40 anos) antes do fim do mundo e do arrebatamento.
[2]Juergen MOLTMANN. Teologia da esperança: estudos sobre os fundamentos e as conseqüências de uma escatologia cristã. Tradução de Helmut Alfred Simon. São Paulo: Editora Teológica, 2003.
[3]Veja Gustavo GUTIÉRREZ. Teologia da libertação: perspectivas. Trad. Jorge Soares. Petrópolis, RJ: Vozes, 1976, 181-183.
[4]Jung Mo SUNG. Sujeito e sociedades complexas: Para repensar os horizontes utópicos. Petrópolis: Vozes, 2003.
[5]Charles Harold DODD. A interpretação do quarto evangelho. Tradução de José Raimundo Vidigal. São Paulo: Editora Teológica, 2003.
[6]Criei o termo “escato-diversidade” na base do conceito “bio-diversidade”, tentando assim de pronunciar a sua riqueza e contribuição, em vez de entender a escatologia como algo predominantemente horrível e, conseqüentemente, não desejável.
[7]Veja, Randy MADDOX. Responsible Grace: John Wesley’s Practical Theology. Nashville, TN: Kingswood Books, 1994, p. 230-235.
[8]Ibidem, 235 e 239. São distinguidas no mínimo três fases: 1733-1738; 1738-1765; 1765-1791.
[9]Veja Vic REASONER. The Hole in the Holiness Movement. Evansville, IN: Fundamental Wesleyan Publishers, 1991, p. 17, 96-97; Vic REASONER. The hope of the gospel: An Introduction to Wesleyan Eschatology. Evansville, IN: Fundamental Wesleyan Publishers. 1999. Vic REASONER. The obituary of dispensationalism: 1830-1988. The Arminian Magazine, vol. 9, n. 1, 1990. Na página de Wesley Center Online do Wesley Center for applied Theology da Northwest Nazarene University. Disponível em: <http://wesley.nnu.edu/ Arminianism/ArminianMag/09-1_90.htm>. Acesso em 1 fevereiro de 2004.
[10]Ou pentecostais que John Wesley teria passado pelo batismo do Espírito Santo. Mas isso não é o tema desse artigo.
[11]Refiro-me aqui ao século XIX nos EUA e o segundo grande avivamento.
[12]Plano para Vida e a Missão da Igreja, C. 4; H. Em seguida: PVMI.
[13]Eduardo JOINER. Theologia Cristã sendo uma apresentação e defesa da Fé Cristã como é ensinado pelos Methodistas. Vol. II, Rio de Janeiro: Casa Publicadora Methodista, 1900, 156-241; Thomas C. ODEN. Life in the Spirit: Systematic Theology. Volume Three. San Francisco: Harper Collins, 1992, 369-468; John COBB, Jr. Grace and Responsibility: A Wesleyan Theology for Today. Nashville, TN: Abingdon, 1995, nem menciona a escatologia; Theodore RUNYON. The New Creation: John Wesley’s Theology Today. Nashville, TN: Abingdon, 1998, desenvolve somente uma escatologia imanente; Walter KLAIBER & Manfred MARQUARDT. Viver a Graça de Deus: Um Compêndio de Teologia Metodista. São Bernardo do Campo: Editeo, 1999, p. 193-203 + 430-435; Ted A. CAMPELL. Methodist Doctrine: The Essentials. Nashville, TN: Abingdon, 1999, 80-83.
[14]Adapto aqui um modelo de Theodore Vriezen, apud Hans SCHWARZ. Escatologia. Dogmática Cristã, Vol. II. Editores: Carl E. Braaten e Robert W. Jenson. São Leopoldo: Sinodal, 1995, p. 484.
[15]Veja também a comparação sinótica de Jirair S. TASHJIAN. Jesus’ Olivet Discourse. H. Ray Dunning (Ed.), The Second Coming. Kansas City: Beacon Hill Press, 1995, 55-77.
[16]Esta comparação foi inspirada pelo artigo Roger HAHN. The “last days” and “signs of the times”. H. Ray DUNNING (ed.). The Second Coming: A Wesleyan Approach to the Doctrine of Last Things. Kansas City – Missouri: Beacon Hill Press of Kansas City, 1995, p. 33-54.
[17]Veja a defesa do pré-milenarismo sem arrebatamento por Wayne GRUEDEM, Teologia Sistemática. São Paulo: Editora Vida, 1999, p. 946-970 e a defesa de um pré-milenarismo dispensacionalista por J. Dwight PENTECOST. Manual de Escatologia. São Paulo: Editora Vida Nova, 1999 (2a edição), (Original: 1964).
[18]GRUEDEM, Teologia Sistemática, 966-970.
[19]Trata-se de uma pregação. George Lyons. Revelation 20:1-10. Chapel: Northwest Nazarene University. January 12, 2000. Acesso em 01 de fevereiro de. 2004, disponível em: <http://wesley.nnu. edu/sermons/Millennium.htm>.
[20]Mc 9:40; a existência de Mt 12:30 mostra a a arte de adaptação diante das circunstâncias.