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O processo de aconselhamento pré-matrimonial. Pautas pastorais


Ronaldo Sathler-Rosa


Resumo

Este artigo submete à consideração do leitor/a uma proposta, dinâmica e flexível, de aconselhamento pré-matrimonial. Dirige-se a pastores/as da Igreja Metodista e a candidatos/as ao ministério ordenado. Divide-se em quatro partes. A primeira seção reflete sobre a entrevista preliminar com o casal. Métodos de aproximação pastoral são sugeridos na segunda divisão. Na terceira parte do artigo são oferecidas sugestões de temas básicos a serem abordados durante o aconselhamento. Em quarto lugar são identificadas áreas críticas no relacionamento conjugal.


Palavras-chave

pastoral – casais – aconselhamento.


Ronaldo Sathler-Rosa é doutor em Teologia e Teorias da Personalidade. É Professor da Faculdade de Teologia, da pós-graduação em Ciências da Religião da UMESP e coordenador do Instituto Pastoral.


Introdução

“...nunca o homem pode entender completamente a mulher e nem a mulher o homem.” (Paul Tournier) [1]

O processo de aconselhamento pastoral pré-matrimonial é fase significativa na vida de muitos casais. Requer, portanto, cuidado e constante preparo de nossa parte. Além disso, a Igreja Metodista, nos Cânones (2002, p.278), estabelece que é dever pastoral “instruir, segundo normas estabelecidas, os noivos para o rito do matrimônio e para os deveres da vida conjugal”. Essa importante tarefa pastoral é, igualmente, fator de contribuição para que as vidas do noivo e da noiva e, também, da própria pastora ou do pastor, sejam enriquecidas ao refletir e dialogar sobre a fé cristã e sua relação com os diversos aspectos envolvidos no casamento. [2]

Este artigo pretende submeter um roteiro básico para as sessões de preparo para o casamento. As linhas de reflexão que se seguem não intentam indicar prescrições, ou um modelo único e inflexível. A intenção é indicar um campo amplo, dinâmico, de referências pertinentes a um núcleo comum, relativamente constante no contexto do casamento em diferentes culturas. Esses conteúdos devem desdobrar-se em outros aspectos, de acordo com as necessidades do casal e com as circunstâncias que os levaram a optar pelo casamento. Deste modo, as pautas que se seguem não cobrem todas as situações e não são normativas.

Quais seriam os objetivos principais desse processo?

  1. Ajudar o casal a reconhecer, em nível afetivo e cognitivo, o valor e o significado cristão e humano do casamento.
  2. Identificar as áreas que, freqüentemente, são fontes de dificuldades, tensões e conflitos no relacionamento entre casais.
  3. Motivar o casal a desenvolver conhecimentos e meios de lidar, de maneira equilibrada e realista, com situações de crises.

1. A primeira entrevista: prioridades

O primeiro contato com o casal pode ser determinante para que o processo adquira um rumo meramente formal, ou que seja, de fato, ocasião de aprendizado. O pastor ou a pastora deve procurar criar um clima que desperte o interesse do casal em participar das sessões de aconselhamento. Uma forma de motivá-los é valorizar sua decisão e o desejo de invocar a bênção de Deus para sua união. É importante que isso seja comunicado ao casal de maneira calorosa e autêntica. Essa seria a primeira “função” da entrevista inicial.

Segundo, discutir com o casal o método das reuniões. Poderá ser em forma de conversação, diálogo, entre pastor ou pastora e os/as noivos/as. Nesse caso as sessões se desenvolvem de maneira mais informal, embora com conteúdos e objetivos bem estabelecidos.

Quando há vários casamentos, a serem oficiados em datas relativamente próximas, o preparo pode ser conduzido juntamente com outros casais. Se for assim, é fundamental que os casais sejam apresentados entre si e que se sintam à vontade na companhia de uns/umas e outros/as. É preciso gastar tempo no preparo e organização das atividades para um grupo. Já existem experiências em várias igrejas em que se organiza um “cursinho”. O “cursinho” geralmente conta com a participação de outros profissionais, além da pastora ou pastor, que fazem apresentações, focalizadas em suas respectivas áreas de conhecimento, relacionadas ao casamento.

Entretanto, a despeito desse formato de “cursinho”, deve-se contemplar a oportunidade de os casais reunirem-se, separadamente, com a pastora ou pastor. Esse encontro pode ter duas finalidades: dialogar sobre outros assuntos de interesse individual ou necessidade específica do casal; explicar o significado de cada parte da liturgia do casamento e orientar o casal sobre os respectivos procedimentos.

Terceiro, é útil dar ao casal uma visão geral dos temas a serem tratados. O casal deve ter a liberdade de conversar com o/a celebrante a respeito de eventuais ruídos em seu relacionamento, para que sejam discutidos. O casal também pode indicar os assuntos que gostariam de discutir. Mas, é bom que o pastor ou a pastora elabore uma pauta de temas, conforme veremos mais adiante, e que justifique sua importância.

Quarto, o/a oficiante deve expor ao casal as condições para que o seu casamento seja celebrado pela igreja:

  • O casamento deve seguir os padrões estabelecidos pela Igreja Metodista.
  • A pastora ou o pastor, segundo os Cânones, deve dirigir o processo do preparo do casal para a vida matrimonial e para a celebração.
  • É indispensável a realização do casamento civil antes do religioso. Alguns casais optam pela realização da “cerimônia religiosa, com efeito, civil”. Sendo assim, o casal deve procurar, no Cartório Civil, as informações necessárias para esse procedimento a fim de fazer a tramitação dos documentos de acordo com a legislação vigente. É prudente conservar cópia dos “proclamas” e da Certidão de Casamento nos arquivos da igreja.

Quinto, o pastor/a pode recomendar que o casal procure serviços médicos a fim de receber orientação profissional sobre os exames de saúde apropriados à ocasião. Essa recomendação baseia-se no fato de que o nível de satisfação no casamento depende, também, das condições de saúde do casal. Além disso, as epidemias atuais exigem maior atenção à saúde. Alguns casais podem querer fazer testes médicos para verificar se são ou não portadores de doenças sexualmente transmissíveis. É dever pastoral apoiar essa iniciativa e até mesmo recomendá-la, mas nunca exigi-las.

Sexto, leituras, caso seja de interesse do casal, devem ser indicadas durante a primeira entrevista. Contudo, as leituras sugeridas devem ser previamente conhecidas pela pastora ou pastor. A boa literatura deve apresentar uma compreensão bíblico-teológica do casamento além de ajudar o casal a preservar sua autonomia como indivíduos, ensinar a prática da solidariedade entre si e estimular a presença cristã na sociedade.

Sétimo, quem será o/a celebrante? Essa é uma pergunta que pode ser feita ainda na primeira entrevista. Caso o casal queira convidar outra pessoa que não o pastor ou pastora local para presidir a cerimônia é recomendável que, de acordo com a ética pastoral, haja um entendimento prévio entre esses pastores ou essas pastoras. Como afirma o Código de Ética Pastoral (1998 p. 9-10) da Igreja Metodista: “O pastor e a pastora só aceitam convite para quaisquer atividades, pregações, palestras e celebrações em outra igreja quando formulado pelo/a respectivo/a pastor/a ou por quem de direito. Em qualquer caso, somente o faz mediante conhecimento do/da colega de outra igreja”.


2. Métodos

Howard Clinebell (1998-2005), conhecido escritor metodista, considera o aconselhamento pré-matrimonial uma forma de educação personalizada. Clinebell faz algumas sugestões metodológicas [3] para a realização dessa atividade:

  1. O relacionamento pastoral deve expressar-se de maneira franca, calorosa e fundamentado em confiança mútua.
  2. Perguntas do tipo “abre-portas” (por exemplo, “como vocês se conheceram?”) podem ajudar a criar um clima de descontração e confiança.
  3. Faça o possível para evitar ou reduzir qualquer atitude de desconfiança a fim de que o casal expresse claramente suas maiores preocupações ou necessidades.
  4. Tente identificar se o casal está, realmente, motivado para aprender; que temas lhes interessam mais e se estão conscientes de algum problema em seu relacionamento.
  5. Concentre-se nos temas de maior interesse do casal.
  6. Dê mais atenção aos sentimentos atuais do que a eventuais antecipações de situações pós-casamento.
  7. Gaste tempo ajudando o casal a desenvolver formas de comunicação que evidenciem respeito, equidade e que levem em consideração suas individualidades.
  8. Procure incentivar o casal a ser ativo na vida da igreja e a ajudar outros casais a exercitar estilos de vida que favoreçam o serviço ao próximo e relacionamentos interpessoais baseados na justiça.

3. Temas básicos para roteiros das reuniões

Embora o casal deva ser estimulado a fazer sugestões de temas a serem discutidos nas entrevistas pastorais, compete ao pastor ou à pastora preparar-se para discutir temas que, de acordo com a literatura e com base em experiências, são pertinentes no âmbito do casamento. Os temas são discutidos em perspectiva teológico-pastorais, isto é, considerando-se sua importância para promover o bem-estar do casal visando à expressão, em suas diversas interações, da “vida abundante” anunciada por Jesus Cristo (João 10.10). Os temas que se seguem são, geralmente, considerados essenciais.


Significado cristão do casamento

O objetivo da inclusão deste assunto é ajudar o casal a compreender o significado cristão do casamento e incentivá-lo a viver em sintonia com sua vocação básica conferida por Deus na Criação (Gênesis 1). Os textos de ética teológica, de teologia pastoral, os dicionários teológico-pastorais, (especialmente nas seções de casamento, família e termos correlatos) são alguns dos recursos bibliográficos que podem ser consultados pelo pastor ou pela pastora.


Compromisso eclesial

A motivação que leva um casal a buscar a bênção de Deus para sua união deve levá-lo, também, a assumir o compromisso de participar da vida da igreja local. A pastora ou o pastor deve conversar com o casal acerca da importância de sua presença e envolvimento regular na vida e missão da igreja. Além de serem membros do Corpo de Cristo, o relacionamento com a comunidade da fé deve oferecer-lhes a oportunidade de crescerem como cristãos/ãs, de serem ativos enquanto cidadãos e cidadãs e de aprimorarem seu relacionamento matrimonial. A iniciativa pastoral de organizar uma classe de jovens casais na Escola Dominical pode representar um bom estímulo para os casais terem uma ativa participação na vida eclesial.


Liberdade, individualidade e companheirismo.

O exercício da liberdade do homem e da mulher no relacionamento conjugal deve ser conseqüência da maturidade emocional de cada um, da autoconfiança e da confiança mútua. A liberdade no contexto conjugal significa que marido e mulher devem ter o direito de exercer suas escolhas profissionais, de manter amizades anteriores, de desenvolver novas amizades, de voltar a estudar e, principalmente, de se desenvolverem como seres humanos criados por Deus, com individualidades e potencialidades próprias. Assim, preserva-se a individualidade de marido e mulher e abre-se o caminho para o casal desenvolver um relacionamento regado a amizade, companheirismo e cooperação entre si.


Comunicação

Há certo consenso entre os estudiosos do campo de aconselhamento pastoral, de terapia de casal e terapia familiar de que grande parte das dificuldades de relacionamento entre casais deve-se ao fato de não saberem comunicar-se de maneira apropriada. Às vezes a comunicação é indireta. Outras vezes é contaminada por ódio, ressentimentos ou por hostilidades reprimidas; refletem rupturas no relacionamento entre os cônjuges, sobre as quais nunca conversaram com franqueza e honestidade, sem agressões. Se a comunicação entre os cônjuges não é clara e objetiva é porque não ocorreu a resolução de pendências recentes ou antigas. A causa pode estar em um dos cônjuges ou pode ser o efeito de atitudes ou interferências de outros membros de suas respectivas famílias. O pastor/a pode dialogar com o casal sobre o seu atual padrão de comunicação. Algumas perguntas podem facilitar esse diálogo. Por exemplo: “Vocês têm alguma queixa sobre a forma como se comunicam?” “Gostariam de conversar sobre comunicação no casamento?”


Tensões e conflitos: como resolvem?

Na fase de namoro e noivado certamente o casal se deparou com algumas tensões ou mesmo conflitos em seu relacionamento. Às vezes o casal tenta esconder, ou não se deu conta da existência dessas tensões ou conflitos. Compete ao pastor ou pastora, com habilidade e tato, verificar, por meio de observação, como o noivo e a noiva se comunicam. Ao perceber que o estilo de comunicação entre o casal não contribui para o seu bom relacionamento, isso deve ser dito de maneira clara e amistosa.


Saúde e sexualidade

A recomendação pastoral mencionada anteriormente, para que o casal faça exames médicos antes do casamento, tem a intenção de evidenciar que o nível de satisfação no casamento depende, também, de sua saúde. A sexualidade, como fator de saúde na vida do casal, deve ser objeto de consideração no diálogo pastoral. Mas, não se pode esquecer que a saúde emocional e relacional são outros fatores que, igualmente, contam para a saúde integral. O casal não encontrará plena satisfação sexual se outras áreas de suas vidas não estiverem sendo desenvolvidas de maneira a proporcionar-lhes prazer e gosto pela companhia um do outro.


Metas e planejamento

Quais são as principais metas para os primeiros anos de vida? O casal deve ser encorajado a pensar em planos em termos de filhos/as, de condições econômicas, de lazer, de trabalho e de participação nos ministérios da igreja. Como pretendem realizar seus desejos? É com o planejamento, ou o inventar as condições para que seus sonhos se realizem. A discussão desse tópico deve oferecer ao casal a oportunidade de revitalizar sua vida conjugal e de ampliar suas potencialidades.


4. Prevenir tempestades: áreas com forte potencial para conflitos

A prática pastoral tem comprovado a predominância de quatro áreas que, geralmente, são fontes geradoras de conflitos e separações entre casais: econômica, sexualidade, religião ou espiritualidade e relacionamentos entre as famílias. É importante perguntar ao casal como lidam com essas dimensões essenciais de suas vidas e como encaram suas divergências e diferenças de personalidade, experiências e idéias. O conflito se instala quando não se chega a um entendimento e acordo sobre determinado aspecto. Algumas observações sobre essas áreas.


Econômica

É recomendável começar pelo incentivo ao casal para que os dois tenham conhecimento de suas reais condições econômicas e financeiras. Essa prática ajuda a fortalecer os vínculos de confiança e solidariedade. Além disso, é essencial que mulher e marido participem das decisões relacionadas à vida financeira e econômica. A participação vale por si mesma! É educativa, reparte as responsabilidades e, no futuro, pode ser um modelo de educação cidadã junto a filhas e filhos.

É essencial alertar o casal para uma nova forma de colonialismo: o consumismo, alimentado, especialmente, pela mídia. Na cultura consumista instalada pelo “mercado” compra-se o que não se precisa pelo “prazer” de comprar e, depois, não se sabe o que fazer com o que se comprou e, pior, como pagar a conta!


Sexualidade

O pastor/a podem apresentar, ao casal, uma compreensão cristã da sexualidade humana. É importante realçar que a sexualidade é constitutiva do ser homem e do ser mulher e que o relacionamento sexual entre marido e mulher deve ser fator de satisfação para a vida conjugal.

Cabe, também, conversar com o casal sobre as diferenças psico-biológicas existentes entre ambos, as manifestações dessas diferenças em suas interações e as repercussões na atividade sexual. Há uma relação de reciprocidade entre a satisfação sexual e a satisfação com o relacionamento em outras áreas do convívio. Por outro lado, a insatisfação, ou disfunções sexuais pode ser, igualmente, resultado de relacionamentos deteriorados. O casal deve receber apoio pastoral para procurar assistência médica, ou psicológica, ou de outro/a profissional, dependendo da situação.


Religião ou espiritualidade

Dietrich Bonhoeffer [4] (1985, p. 75), afirma que há três coisas a serem salientadas em relação ao casamento: “o casamento como instituição divina e a vida matrimonial como um ‘estado’; a cruz do casamento; a promessa e bênção do casamento”. É dever pastoral salientar junto ao casal a importância da fé como dádiva de Deus ao ser humano e, ao mesmo tempo, como atitude humana de compromisso. A vida na fé deve iluminar e dar sentido às outras dimensões da existência, inclusive àquelas resultantes das precariedades humanas. A fé que os cônjuges possuírem pode determinar sua compreensão e maneira de lidar com os desafios da vida matrimonial. As diferenças, nessa compreensão, podem ser fonte de conflitos.


Relacionamento entre as famílias

É amplamente reconhecido que muitos casamentos fracassam em virtude de interferências indevidas de familiares. Às vezes há pais e mães excessivamente controladores. Por outro lado, há pessoas que não conseguiram, por diversos fatores e circunstâncias, construir seu ser e suas vidas de maneira emancipada e no ritmo próprio de suas personalidades. É necessário conversar com o casal a esse respeito. A pastora ou o pastor deve ouvir do casal sobre o relacionamento de suas respectivas famílias de origem com o “novo membro” da “família” que agora se amplia. [5]


Conclusão

O conhecido texto do chamado “sermão da montanha” (Mateus 5.1-12 e Lucas 6.17-22) oferece um marco bíblico sobre o tema da felicidade que deve ser considerado no preparo de casais para o casamento. A felicidade, nas Escrituras, não está associada, principalmente, a posses materiais, a vida fácil ou a acontecimentos espetaculares na vida das pessoas. Não são os discípulos, no texto, que afirmam que são felizes. É Jesus Quem anuncia que são felizes ao mostrar-lhes um padrão de felicidade segundo a mensagem da Boa Nova do Reino de Deus.

Ao dom de Deus corresponde uma decisão da parte de mulheres e homens. A realização do ideal de felicidade não se dá sem se considerar as próprias condições e possibilidades humanas. A felicidade, em nível humano, é busca constante, é dinâmica, requer autodisciplina e é condicionada pelas limitações e novas percepções e experiências das pessoas e famílias.

O exercício da vocação humana para a felicidade depende de iniciativas, determinação e da intenção dos membros da família. Dependemos, simultaneamente, da graça de Deus e de nós mesmos, de nossa vontade, para que as famílias sejam espaço de animação, de renovação de forças e de fruição prazerosa da vida.


Referências bibliográficas

BIBLIA SAGRADA. Tradução João Ferreira de Almeida. Rio: IPB, 1972.

BONHOEFFER, D. Spiritual Care. Fortress, 1985.

CLINEBELL, Howard. Aconselhamento Pastoral. Um Modelo Centrado em Crescimento e Libertação. 2a.edição, São Paulo: Paulinas, 1998.

IGREJA METODISTA. COLÉGIO EPISCOPAL. Cânones. São Paulo: Cedro, 2002.

IGREJA METODISTA. COLÉGIO EPISCOPAL. Código de ética pastoral. São Paulo: Imprensa Metodista, 1998.

GOTTMAN, J. e SILVER, Nan. Por que os casamentos fracassam ou dão certo. São Paulo: Scritta, 1995.

OLSON, David H., & DeFRAIN, J. Marriages and families: Intimacy, diversity, and strengths. 4a. edição, New York: McGraw-Hill, 2003.

RASSIEUR, C. Pastor, our marriage is in trouble. Philadelphia: Westminster, 1988.

SALOMÓN, Álvaro Michelin. Reflexiones bíblico-pastorales para bendiciones matrimoniales. Visiones y herramientas. Itinerario por la teologia práctica. II, 2004.


Notas


[1]Paul TOURNIER (1898-1986), médico suíço, cristão, escreveu intensivamente sobre teologia e psiquiatria. Dedicou-se, por longos anos, à prática de aconselhamento.
[2]Compare Álvaro Michelin SALOMÓN (2004). A expressão “aconselhamento” neste contexto sugere a idéia de processo, de algo aberto a outras circunstâncias. Além disso, os conceitos mais atualizados de “aconselhamento” implicam em “não dar conselhos”, em participação mútua, relacionamento empático, ouvir atento e valorização da pessoa que procura cuidado pastoral. O processo, portanto, desenvolve-se em forma de conversação.
[3]Aqui adaptadas. (As traduções e adaptações do artigo são de responsabilidade do autor).
[4]Pastor e teólogo alemão, nascido em 1906, foi preso e assassinado em 1945 pelos nazistas por sua participação no Movimento de Resistência ao Nazismo na Alemanha.
[5]Além desses, David LUECKE (apud Rassieur, 1988, p. 100ss) identifica quatro “sistemas” que podem envenenar o relacionamento conjugal: compatibilidade, cooperação, intimidade e suporte emocional. W. LEDERER e Don JACKSON (apud Rassieur, p. 101) acrescentam o sistema de equidade. O próprio RASSIEUR (p. 102), pastor conselheiro em Minneapolis, EUA, acrescenta equilibrio de poder. John GOTTMAN (1995, p. 69-90)), professor da Universidade de Washington, Seattle, identificou, após extensiva pesquisa de campo, os grandes inimigos de alianças conjugais bem sucedidas e estáveis. Denominou-os de “quatro cavaleiros do apocalipse”: a crítica, o desprezo, a atitude defensiva e o bloqueio de comunicação. Por outro lado, John DeFRAIN (Olson e DeFrain, 2003), professor da Universidade de Nebraska/Lincoln, em pesquisa longitudinal realizada durante vinte anos, com cerca de dezoito mil famílias em vinte e sete países, indicou os fatores que criam condições para o bem-estar entre esposos e respectivas famílias: compromisso, apreciação e afeição; comunicação aberta e positiva; tempo de convívio; bem-estar espiritual e habilidade para lidar com estresse e crises.