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Metodismo, literatura e missão

A preocupação com a missão vista nos escritos sobre Metodismo na década de 1980

Claudio de Oliveira Ribeiro


Resumo

O artigo avalia criticamente as publicações da Igreja Metodista na década de 80 em relação à proposta missionária. Mesmo que essa década ofereceu oportunidades singulares para a renovação teológica, a igreja não resistiu aos mecanismos de privatização e de comercialização da fé que levou à desvalorização da solidariedade cristã.


Palavras-chave

Metodismo – política editorial – missão – teologia.


Claudio de Oliveira Ribeiro é pastor Metodista, doutor em Teologia e professor de Teologia Sistemática da FATEO/UMESP.


Introdução


Há sempre várias formas e caminhos para se refletir sobre um tema. Assim, pensar a missão, dentro da caminhada wesleyana, sobretudo no marco dos 75 anos de autonomia da Igreja Metodista no Brasil (1930-2005), possui diferentes possibilidades. Seguirei um caminho bastante específico.

Tempos atrás, no intuito de apresentar os principais aspectos da teologia wesleyana para um grupo de estudantes, coloquei sobre várias mesas tudo o que eu possuía de literatura sobre Metodismo no Brasil e fui comentando cada obra. Dessa ‘eucaristia acadêmica’ surgiu um pequeno livreto Leituras de Aquecer o Coração [1] que, embora modesto, pode oferecer ao iniciante uma visão bastante suscinta dos pontos básicos da teologia wesleyana. Inspirado nesse mesmo procedimento, retomo essas leituras, revistas e ampliadas, agora sob um outro olhar. Como compreender mais adequadamente a visão wesleyana de missão? Como percebê-la a partir dos processos vivenciados pelo Metodismo no Brasil e pela produção que ao longo das décadas nortearam a doutrina e as diretrizes missionárias em terras brasileiras? Essa é a proposta deste trabalho. No entanto, por necessidade de delimitação, o período escolhido para análise será a década de 1980, em função da preocupação com a missão que se fortaleceu nessa época e que agora vem sendo esquecida. Posteriormente, na oportunidade de novos trabalhos, poderão ser socializadas as análises das outras épocas.


Vida é missão

No Brasil, as publicações sobre Metodismo até a primeira metade do século XX eram, na maioria, obras devocionais ou de cunho histórico, preocupadas com a épica do movimento metodista. Nesse sentido, destacam-se, por exemplo, os trabalhos de Paul Eugene Buyers. Não se trata de desqualificá-las, mas o fato é que só posteriormente, a partir da década de 1960, surgem análises e produções de cunho teológico, com maior ou menor densidade acadêmica, conforme a procedência e os objetivos das obras, que incidirão mais acentuadamente nas questões missiológicas. Isso poderia significar, em tese, que a autonomia da Igreja Metodista no Brasil, ao menos no caráter de uma reflexão própria, autóctone, não se deu até os anos de 1950.

A década de 1960 requer uma análise particular e foge dos objetivos aqui propostos. O importante a destacar é que o final dos anos de 1970 e o início dos anos de 80 foram de oportunidades singulares para a renovação teológica e pastoral no Brasil. [2] O ambiente metodista foi um palco privilegiado desse processo. A compreensão da missão como preocupação ampla com o povo — considerando as questões sociais, econômicas e políticas que marcam a sua vida, o interesse pela participação leiga na vida eclesial, pela renovação cúltica e teológica, e por uma face mais popular para a Igreja, voltada para o reino de Deus — marcaram, entre outros aspectos, o anseio por um Metodismo mais “wesleyano” e brasileiro e menos sectário e intimista, como a influência norte-americana havia deixado desde os primeiros missionários no século XIX.

As crises que marcaram os anos de 1960 deixaram marcas a ponto de não se permitir uma reflexão mais profunda sobre a vida e a missão da igreja. A Igreja Metodista naquela época, acompanhando o quadro conjuntural político do País e das igrejas evangélicas, ainda sentia os efeitos dos esquemas repressivos internos e externos que culminaram com os processos divisionistas, em 1967, relativos aos problemas doutrinários e de poder eclesiástico, e com o fechamento da Faculdade de Teologia, em 1968. Mesmo assim, havia um anseio de se pensar a vida da igreja a partir de uma proposta global que mobilizasse todos os seus setores e que pudesse ser uma tentativa de resposta às questões que afligiam a sociedade brasileira. Em 1974, o XI Concílio Geral, no Rio de Janeiro — RJ, aprovou o Plano Quadrienal (1975-1978), com o tema “Missão e Ministério”. Estavam sendo colocadas as bases para uma nova retomada da vida e da missão da igreja. Em 1978, em Piracicaba-SP, o XII Concílio Geral estabelece um novo plano quadrienal (1979-1982), agora com o tema “Unidos pelo Espírito Metodistas Evangelizam”, cujas ênfases indicavam a necessidade de uma inserção mais positiva da igreja na sociedade, tendo em vista os valores do reino de Deus e de sua justiça. Em 1981, a Igreja Metodista conclui a Consulta Nacional sobre a Vida e a Missão da Igreja, pensada como forma de marcar os cinqüenta anos da autonomia da Igreja Metodista (1930-1980). Ela indicou a necessidade de um plano que pudesse nortear a ação missionária da igreja a partir de uma perspectiva integral, participativa e que reafirmasse a responsabilidade social cristã, já anteriormente indicada no Credo Social.

O clima no País era de expectativas positivas com o processo de redemocratização, de participação popular e de possibilidades de transformação social. Como se sabe, era a fase final da ditadura militar, lideranças políticas exiladas estavam retornando, os movimentos sindicais, associativos e comunitários em geral retomavam os seus espaços, além de serem retomados também projetos de educação popular, com intensa valorização das expressões da cultura popular brasileira. Em 1982 ocorreram as eleições gerais parlamentares e para os governos estaduais. Há um ambiente que favorecia a formulação de propostas de transformação social a partir de um forte questionamento da realidade brasileira marcada pela dominação social. Isso formava para vários setores eclesiais um amálgama de esperanças e de desafios.

Nesse contexto, o Plano para a Vida e a Missão da Igreja, aprovado em 1982, no XIII Concílio Geral, Belo Horizonte-MG, simbolizou um movimento conciliar que alcançou — não sem conflitos — todas as Regiões Eclesiásticas da Igreja Metodista, setores clérigos e leigos, comunidades locais e instituições, com variação de grau em função de diversos fatores, especialmente a histórica dificuldade da Igreja em articular as suas bases com os demais níveis decisórios. Da mesma forma, a discussão sobre a necessidade de diretrizes para a educação metodista mobilizou vários setores e lideranças da Igreja, sempre marcada por diálogos criativos, conflitivos e, por isso, geradores de novas realidades. [3] A elaboração e a publicação do Plano para a Vida e a Missão e também do Diretrizes para a Educação e do Plano Diretor Missionário (aprovados no mesmo Concílio de 82) se deram no contexto de valorização da ênfase metodista de responder o mais adequadamente possível aos desafios que a sociedade apresenta à Igreja, especialmente a preferência que o Evangelho exige que se dê às pessoas pobres.

No Plano Para a Vida e a Missão da Igreja encontram-se, em síntese, os principais aspectos da herança wesleyana. Embora redigidas de forma sintética e conciliar, as orientações desse documento, integradas como artigo dos Cânones da Igreja, reforçam os conteúdos e a metodologia teológica latino-americana, com as exigências das mediações socioanalíticas, hermenêutica e prática para a ação teológica e pastoral: “Há necessidade de conhecer o bairro, a cidade, o campo, o país, o continente, o mundo e os acontecimentos que os envolvem, porque e como ocorrem e sua conseqüências” (ver); “A missão de Deus no mundo é estabelecer o seu Reino. Participar da construção do Reino de Deus no nosso mundo, pelo Espírito Santo, constitui-se na tarefa evangelizante da Igreja” (julgar); “A Igreja deverá experimentar de modo cada vez mais claro que sua principal tarefa é repartir fora dos limites do templo o que ela de graça recebe do Senhor” (agir).


Luta pela vida e evangelização

Dos vários encontros de teólogos metodistas promovidos no período, produziu-se um pequeno caderno intitulado Problemas para um Metodista Pensar [4], com um diagnóstico bastante crítico da realidade das igrejas e com um elenco razoável de questões desafiadoras para a igreja, em especial a necessidade de democracia interna e a construção de uma nova visão teológica que pudesse responder mais adequadamente aos desafios que a sociedade apresenta para a igreja.

Como instrumento e, ao mesmo tempo, fruto desse contexto, foram produzidas diversas obras. William J. Hinson, professor de Teologia Sistemática na Faculdade de Teologia durante os anos de 1960, também fez conferências sobre a teologia de John Wesley durante uma Semana Wesleyana promovida pela Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, que seriam publicadas nos anos de 1980, com o título A Dinâmica do Pensamento de João Wesley [5]. Essa obra destaca o equilíbrio do Metodismo, em diferentes e complementares aspectos: entre vida e doutrina, experiência religiosa e conhecimento bíblico, iniciativa salvífica de Deus e resposta responsável humana, justificação e santificação, o universal e o pessoal, testemunho e fruto do Espírito, fé e obras, conversão instantânea e gradativa, lei e evangelho, santidade pessoal e responsabilidade social, o pessimismo advindo da corrupção do pecado e o otimismo da graça. Tal perspectiva teológica é, entre outros aspectos, um dos pontos fundamentais para se pensar especificamente a missão da Igreja.

José Míguez Bonino, reconhecido teólogo metodista argentino, participou duas vezes como conferencista da Semana Wesleyana. Da primeira oportunidade, não temos em português o registro dos conteúdos. [6] Eles tratam da eclesiologia em perspectiva wesleyana, com destaque para a necessidade de renovação eclesial e missiológica. Tal perspectiva tem sido retomada nos dias de hoje e é uma das preocupações da Igreja Metodista no Brasil tendo em vista a realização do XVIII Concílio Geral em 2006. As conferências apresentadas em 1982 foram publicadas no ano seguinte com o título Metodismo: Releitura latino-americana. Os pontos centrais desse trabalho são: (I) as limitações políticas e ideológicas do Metodismo original para favorecer mudanças na estrutura socioeconômica inglesa, com uma tendência para adequação e facilitação da sociedade moderna economicamente liberal e politicamente conservadora, (II) a formulação wesleyana da conversão, que não enfatiza o aspecto proselitista, e sim o da regeneração, (III) a relação intrínseca da justificação, santificação e plenitude, com a afirmação da participação humana ativa na obra de Deus sem desqualificar a prioridade permanente da graça, (IV) a eclesiologia wesleyana e (V) o ecumenismo como doutrina fundamental do Metodismo.

Esse texto foi publicado novamente em 1985, como parte de um volume coletivo, Luta pela Vida e Evangelização. [7] Essa obra representa uma das melhores contribuições sobre Metodismo entre as produzidas no Brasil e inclui análises de teólogos não-metodistas. Clory Trindade de Oliveira analisa os aspectos políticos e ideológicos conservadores presentes no Metodismo primitivo no contexto inglês e como eles se articulam com a antropologia negativa de Wesley, evidenciada nos numerosos escritos sobre o pecado. Hugo Assmann, teólogo católico, destaca as teses de historiadores como E. P. Thompson e E. Hobsbawn para lembrar que o Metodismo obteve um peso social na Inglaterra do século XVIII, mas as ênfases religiosas intimistas atenuaram os processos de transformação na estrutura da sociedade e que o voluntarismo — e mesmo, ingenuidade — na prática social não permitiu que o movimento metodista estabelecesse mediações históricas e políticas que viabilizasse a santidade social.

Na mesma obra, Julio de Santa Ana resgata a herança do Metodismo wesleyano — como o dinamismo na tarefa evangelística, a posição francamente abolicionista de Wesley, a ênfase no perdão dos pecados — e a confronta com as posturas de caráter mais conservador e individualista presentes nos EUA, para indicar como a tradição metodista pode tornar-se atual em uma perspectiva latino-americana. Em perspectiva similar, Mortimer Árias analisa as distorções que o legado teológico-doutrinário original de Wesley sofreu nos EUA, especialmente as reduções: (I) da santidade bíblica à controvérsia moralista e puritana sobre a santificação, (II) da renovação evangélica à polêmica anticatólica e (III) da “paróquia mundial”, como expressão missionária, ao “destino manifesto”, como justificativa ideológica/conversionista para a conquista e/ou colonização de outros territórios. Nora Quiroga Boots também analisa o caráter ideológico do Metodismo que veio dos EUA.

Ainda nesse volume, Ely Éser Barreto Cesar apresenta as condições para uma leitura bíblica protestante, de inspiração metodista, a partir dos pobres, como a mediação histórica (relacionamento entre os vários períodos abordados pela Bíblia), o princípio da Sola Scriptura (articulação do processo de salvação no mundo bíblico com o contemporâneo) e uma pastoral missionária (constituída a partir da vivência dos e com os pobres). [8]

Outros autores articulam o pensamento de Wesley com a realidade social latino-americana: Victorio Araya (“Por uma Igreja solidária com os pobres: um desafio para os metodistas”), Sérgio Marcos Pinto Lopes (“Idolatria dos poderes opressores e formas de idolatria das [estruturas das] igrejas”), Aldo M. Etchegoyen (“Teologia do pecado e estruturas de opressão”), Dow Kikpatrick (“Afirmação de vida, espiritualidade e celebração”).

A ênfase ecumênica do Metodismo foi analisada por Federico Pagura e Nestor O. Miguez, e Paulo Ayres analisou as questões da unidade interna do Metodismo brasileiro propondo

uma doutrina do Espírito Santo que seja profética (crítica e transformadora da realidade), carismática (fundamentada na diversidade dos ministérios e serviços concedidos pelo Espírito livremente a todos), comunitária (o povo de Deus sobrepondo-se à máquina burocrática e às lideranças personalistas) e missionária (voltada para fora da instituição metodista, em direção ao mundo dos brasileiros) [9].

Rui de Souza Josgrilberg, na mesma obra, chamava a atenção de que “não podemos encarnar o evangelho, sem incluir outras pessoas e grupos na dinâmica da graça e sem distinguir claramente onde o povo está, que forma ele está tomando na sociedade ou como está acontecendo a marginalização que ele está sofrendo”. [10]

Essa obra, embora não devidamente divulgada entre os metodistas, constitui um marco na reflexão teológica metodista latino-americana e expressa um período de uma densa sensibilidade missionária e visão teológico-pastoral crítica e profética.


A necessidade de um projeto missionário nacional

De fato, os anos de 1980 foram marcados por uma boa produção sobre o Metodismo, facilitada talvez pela renovação teológica em curso no contexto latino-americano e a abertura da Igreja à uma reflexão mais crítica em relação ao seu papel social e à missão do reino de Deus.

No plano eclesiástico, o Colégio Episcopal da Igreja Metodista no Brasil, no início da década, publicou a Pastoral sobre a Doutrina do Espírito Santo e o Movimento Carismático (1980), visando conter os desvios doutrinários que naquela época já se evidenciavam. [11]

Dessa mesma época são os escritos de Duncan Reily (Metodismo Brasileiro e Wesleyano, 1981), [12] que analisam as origens e as contradições do projeto de autonomia do Metodismo brasileiro, o episcopado metodista à luz da tradição wesleyana, o contexto norte-americano que influenciou o protestantismo — em especial a concepção de “religião civil”, o denominacionalismo e a polêmica escravagista —, aspectos da vida familiar e religiosa de John Wesley e a postura favorável em relação à unidade ecumênica, à renovação litúrgica e à reforma social. José Gonçalves Salvador em História do Metodismo no Brasil (1982), [13] trata dos primórdios do trabalho dos missionários norte-americanos em 1835 até a proclamação da República e Sante Uberto Barbieri em Aspectos Históricos do Metodismo (1983), [14] analisa a identidade do Metodismo e as experiências primeiras de ação social. Barbieri destaca o espírito universal no Metodismo — sua perspectiva de abertura ao outro, interna e externamente — e as características não proselitistas da pregação e da evangelização desenvolvidas na visão metodista.

A revista teológica Caminhando, da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, publicou alguns textos sobre Metodismo. No número 1, de julho de 1982: “Estrutura Organizacional e Administrativa do Metodismo (1965-1982)”, de Clory Trindade de Oliveira, e “Os Ministérios Femininos no Metodismo Antigo”, de Duncan Reily. No número 2, do primeiro trimestre de 1984: “Diretrizes para a Educação na Igreja Metodista”, de Paulo Pena Schutz, e “O Metodismo em terra latino-americana”, de Odilon Massolar Chaves. Todos indicam, direta ou indiretamente, a necessidade de se pensar a missão por meio de articulação dos elementos do Metodismo histórico com as demandas da realidade social e eclesial no Brasil.

Hélerson Bastos Rodrigues, com a obra No mesmo barco (1986) [15], analisa a vivência intereclesiástica dos metodistas no Brasil de 1960 a 1971, incluindo o ensino e as normativas da igreja para a vivência ecumênica, o relacionamento da igreja com outras do ramo metodista, com as igrejas evangélicas do Brasil, com organismos ecumênicos e com a Igreja Católica.

Ainda dessa década é o texto de Paulo Ayres Mattos, resultado das reflexões apresentadas na Semana Wesleyana de 1987, Pastoral Metodista: ontem, hoje, amanhã (1987) [16], que analisa a ausência de um projeto histórico para o Metodismo brasileiro, o que gerou burocratização, instabilidade institucional e divisionismo interno. A análise histórica do Metodismo brasileiro, assim como a reflexão bíblica, em especial a pneumatológica, feitas no texto, deveriam colaborar para

“um projeto missionário nacional e democrático, que rompa com a alienação que como metodistas temos experimentado com a nação brasileira e com o autoritarismo e elitismo que tem caracterizado nossa ação pastoral”. [17]

Considerações finais

As observações feitas até aqui somente fazem sentido se forem uma contribuição para o repensar da missão hoje. Como se sabe, a conjuntura da Igreja Metodista no Brasil, assim como a das demais igrejas, sofreu e reforçou, no final da década de 1980 e início dos anos de 90, os efeitos da mentalidade individualista e consumista própria da sociedade em geral. Foram anos difíceis para uma vivência autêntica do Evangelho e desenvolvimento da missão, que se prolongam até o momento atual. Neles são visíveis os mecanismos de privatização e de comercialização da fé, a desvalorização da solidariedade cristã e dos projetos de cunho social críticos; e, por outro lado, uma ênfase excessiva no intimismo devocional, na demasiada identificação da bênção de Deus com bens materiais e no avivalismo individualista.

Essas características conjunturais da Igreja Metodista no Brasil não correspondem – como mostram os estudos até aqui descritos — ao Metodismo. Todavia, a simples publicação e circulação de literatura metodista, embora de singular importância, não garante a manutenção — criativa e renovadora, como a teologia requer — da doutrina e de uma perspectiva missionária evangélica. Na atualidade, parece ser a chamada “mídia evangélica” — especialmente os programas de rádio e a indústria fonográfica — a que forma mais efetivamente as igrejas metodistas (e as demais) no tocante à doutrina. Tal doutrina — “neodenominacional”, como indicam alguns estudiosos – está em profunda sintonia com a cultura e as ênfases do sistema econômico neoliberal. Dessa forma, os desvios bíblico-doutrinários, incluindo a (in)compreensão acerca da missão, possuem uma força maior do que se pode avaliar somente a partir do interior de cada denominação. Mesmo assim, os esforços de reflexão doutrinária feitos a partir da teologia wesleyana precisam ser redobrados para que a vida e a missão da igreja sejam favorecidas.


Referências bibliográficas


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VV.AA. Luta pela Vida e Evangelização. Paulinas/UNIMEP, São Paulo: 1985.


Notas


[1]Um comentário sobre as publicações na área de Teologia e História do Metodismo em língua portuguesa editadas no Brasil. São Paulo: Editora Cedro, maio 2001.
[2]Veja as observações que fiz em “Vinte anos: O Plano Para a Vida e Missão da Igreja”. Expositor Cristão – Encarte Especial, out 2002. Uma visão mais completa da temática está em 20 Anos Depois: A Vida e a Missão da Igreja em Foco, organizada por Claudio Ribeiro e Nicanor Lopes (São Bernardo do Campo, EDITEO, 2002).
[3]Para a temática da educação veja as obras: MATTOS, Paulo Ayres. Mais de um Século de Educação Metodista: tentativa de um sumário histórico-teológico de uma aventura educacional. Piracicaba – SP, UNIMEP, 2000; MESQUIDA, Peri. Hegemonia Norte-Americana e Educação Protestante no Brasil. Juiz de Fora,MG / São Bernardo do Campo-SP, UFJF/EDITEO, 1994; e também os diversos números da Revista de Educação do COGEIME.
[4]VV.AA. Piracicaba, SP, s.ed., 1982.
[5]São Paulo, SP, Imprensa Metodista, s.d.
[6]Em 2003, a Faculdade de Teologia da Igreja Metodista publicou, em parceria com Ciemal, os conteúdos dessa Semana Wesleyna, em espanhol: Hacia una Eclesiologia Evangelizadora: una perspectiva wesleyana. São Bernardo do Campo: EDITEO, 2003.
[7]Paulinas/UNIMEP, São Paulo, 1985. Outra obra de referência para o metodismo latino-americano, de conteúdo similar à obra em português, é DUQUE, José (ed.). La Tradición Protestante en la Teologia latinoamericana. San José, Costa Rica, DEI, 1983.
[8]“Condições para uma leitura bíblica protestante, de inspiração metodista, a partir dos pobres da América Latina” (p. 169-187). In: VV. AA. Luta pela Vida e Evangelização. Op. Cit.
[9]“A Questão da Unidade Metodista (ou da unidade que temos à unidade que precisamos)” (p. 296-300). In: VV. AA. Luta pela Vida e Evangelização. Op. Cit.
[10]“Opção e Evangelização na Teologia Metodista” (p. 259-269). In: VV. AA. Luta pela Vida e Evangelização. Op. Cit.
[11]Outro texto dos bispos, com intensa circulação nas igrejas nessa época, foi a Pastoral da Família (1979).
[12]São Paulo, SP, Imprensa Metodista, 1981.
[13]São Paulo, SP, Imprensa Metodista, 1982.
[14]Piracicaba, SP, UNIMEP, 1983.
[15]São Paulo, SP, ASTE/IEPG, 1986.
[16]São Bernardo do Campo, SP, FTIM/IMS, 1987.
[17]São Bernardo do Campo, SP, FTIM/IMS, 1987, p. 26.