Helmut Renders
O artigo investiga diversas leituras confessionais e denominacionais das notae ecclesiae (sua descrição da Igreja como una, santa, católica e apostólica) e sua vinculação com a igreja "invisível" e "vísível". O texto convida a uma leitura realista das igrejas e, ao mesmo tempo, enriquecida pelas notae ecclesiae como um dos seus horizontes de esperança.
Marcas da Igreja – notae ecclesiae – unidade – santidade – apostolicidade – catolicidade.
Helmut Renders é presbítero da Igreja Metodista Unida na Alemanha. Professor de teologia e história e secretário executivo do Centro de Estudos Wesleyanos da Faculdade de Teologia, Umesp. Doutor em Ciências da Religião, Umesp. Doctor of Ministry, Wesley College, Washington, DC. Endereço eletrônico:helmut.renders@metodista.br
Em meio às discussões do dia-a-dia, diante de tantas demandas do cotidiano, é bom fazer uma retrospectiva sobre uma das discussões em andamento na vida da igreja. É oportuno consultar a tradição, entendida como testemunho vivo de discussões anteriores, contemporâneas lá no seu tempo. A tradição nunca responde integralmente as perguntas do cotidiano; mesmo assim, ela pode trazer mais luz sobre certo assunto. “Luz” no sentido de trilhar argumentos promissores e consistentes, e também necessários alertas, “luz” no sentido de um re-encantamento, de um novo fascínio, de um novo e profundo respeito com aquilo que herdamos.
A pergunta “o que a Igreja na sua essência é?” tem sido um dos nossos temas em discussão. No protestantismo, classicamente consideram-se três aproximações.
Em seguida, especialmente exploraremos a discussão sobre as notae ecclesiae e a sua relação com as, assim chamadas, igreja visível e igreja encoberta, oculta ou invisível. Citaremos um número significativo de autores de diferentes vertentes do cristianismo, para nos familiarizarmos com as suas argumentações e intuições, e concluímos com algumas observações próprias.
Kehl, teólogo católico alemão, parte da “compreensão renovada da igreja” do Concílio Vaticano II. [5] Ele interpreta a unidade como expressão da “dimensão escatológica” da igreja, mantida “no Espírito Santo”, apesar da “variedade empírica das Igrejas”. A santidade ele designa como dimensão cristológica. Ela é “dada, à grande pecadora, pelo amor incondicionalmente confiável de Jesus Cristo”. A “comunhão dos santos” é a comunhão daqueles que necessitam da graça. A catolicidade da igreja não deve ser reduzida a uma designação confessional e representa a dimensão “teológico-criacional e escatológica da igreja. Atuar “em prol do mundo”, “... mediar o amor reconciliador a toda a criação” é a terceira marca da Igreja. Finalmente, a igreja permanece “apostólica” “... na medida em que mantém a tensão entre reunião e missão, entre identidade e relevância (J. Moltmann), entre fidelidade ao passado e abertura ao presente e futuro”. A marca da apostolicidade descreve a igreja como missionária e peregrinando entre o passado e futuro, atuando no presente.
2.1 Hans-Martin Barth
A Dogmática de Hans-Martin Barth, escrita em diálogo com três das maiores religiões mundiais, integra o tema da Igreja no capítulo 8 sobre a "Salvação". Transparece aqui a antiga idéia da Igreja como instituição da salvação (Heilsanstalt) [6]. O subtítulo 8.2 “A mediação da salvação” é dividido em 8.2.1 "O horizonte do problema"; 8.2.2 "A força terapêutica da palavra de Deus", 8.2.3 "Identidade espiritual" (batismo) e 8.2.4 "Sociedade espiritual" (Santa Ceia). [7] Das quatro marcas, segundo o Credo N-C, ele trata somente num apêndice sobre "O conceito duplo da Igreja: igreja visível e encoberta": [8] "Palavra e sacramento transformam a Igreja naquilo que ela é: na Igreja 'una, santa, católica e apostólica' [...] não é suficiente entender a palavra e o sacramento como marcas da igreja institucional e, por outro lado, unidade, santidade, apostolicidade e catolicidade como marcas da Igreja encoberta". [9]
2.2 Wilfried Härle
Wilfried Härle descreve a Igreja, na sua essência, primeiro como “comunhão de fiéis”. O autor alerta que a igreja encoberta não deve ser compreendida como aquela parte da igreja visível que realmente teria fé, porque, desta forma, “a igreja visível [...] se torna uma designação meramente negativa”. Lutero teria relacionado as duas como “a alma e o corpo”:
... a igreja encoberta (é) o princípio de vida interior da Igreja, a igreja visível a sua forma exterior e corporal, sem esquecer que nenhuma delas pode ser sem a outra.” Mesmo assim, Härle interpreta as notae ecclesiae não como marcas da igreja visível, mas da igreja encoberta. [10]
Como tal, a Igreja é
Estas marcas não devem ser compreendidas de forma normativa, mas elas têm um sentido descritivo: A “comunhão de fiéis” não tem o dever de ser uma igreja una, santa, católica e apostólica, mas ela é aquilo enquanto ela for a comunhão de seres humanos movidos pelo evangelho de Jesus Cristo. [11] As notae ecclesiae precisam ser lidas a partir do evangelho, e com isso elas têm sempre um caráter, com nossas palavras, proléptico [12] , elas antecipam o que ainda não é, mas que há de vir.
2.3 Gerhard Ebeling
Ebeling considera as notae externae no capítulo “A Igreja contestada”, ou seja, ele claramente as relaciona com a igreja visível. [13] Fazendo assim, ele precisa investigar a relação entre o “já” e o “ainda não” destas marcas da Igreja. Primeiro, cada marca é descrita e depois problematizada; a seguir, investiga a sua base vital – como fundamento da sua revitalização contínua – e, finalmente, aborda cada marca como tarefa. Desde a igreja primitiva a Igreja confessa a sua unidade, mas nunca se chegou a uma única compreensão a respeito. A unidade da Igreja é constituída pelo fato de ser corpo de Cristo e a busca da unidade deve ser construída a partir do cotidiano das igrejas. A apostolicidade nunca significou a imutabilidade da Igreja. Para ser fiel às suas origens, a Igreja tinha que se transformar, apesar de que isso sempre engloba a possibilidade de crises ou até da perda de identidade. A autoridade da Igreja é sempre relacionada com “a autoridade libertadora do evangelho”, e a “... perturbadora oposição entre autoridade e liberdade, muitas vezes, engessada pela oposição entre um legalismo conservador e um legalismo progressista [...] envenena a atmosfera” eclesiástica. A sua superação depende do amadurecimento do corpo de Cristo e nasce “no primeiro lugar, da Igreja como convivência”. A apostolicidade afirma Jesus Cristo como o fundamento da Igreja. Nem a tentativa da sua institucionalização (sucessão apostólica), nem a tentativa da sua renovação escatológica (comunidades neo-apostólicas), nem a aproximação da Igreja ao ideal da pobreza apostólica e à comunhão dos bens, vivenciada separada do mundo (ordens religiosas) garantem o caráter apostólico da Igreja, se não for na liberdade do evangelho. A marca da santidade da igreja sempre causou um conflito com o ideal da sua unidade. Para que a busca da pureza não destrua a Igreja, o catolicismo optou pelo caminho de exigir, de grupos diferentes, atitudes diferentes em relação à santidade. O protestantismo, sua vez, acabou com os santos, aliás, de forma mais radical do que os próprios reformadores. Como santos de substituição são procuradas algumas pessoas envolvidas em ortopraxia, por exemplo, na diaconia. Ao longo do tempo isso levou a uma compreensão moralista da santificação. “Jesus Cristo é a base da santidade da Igreja. O Espírito Santo vivificador [...] é o Espírito santificador. [...] (Jo 15.3).” A Igreja deve ao mundo o acesso a “fé como liberdade para amar” e a santidade é a “auto-realização como liberdade para servir”. A universalidade da Igreja – Ebeling omita a expressão catolicidade –, ou a sua ecumenicidade é questionável enquanto não é interpretada como “envio abrangente para o mundo”, mas entendida como a afirmação
... da permanência da Igreja em si. [...] A questão [...] é como a Igreja vive a sua universalidade, não somente para si mesma, mas para o mundo. [...] isso não depende da liberdade cedida para a Igreja, mas da liberdade que ela faz viver e de qual ela se apropria por ser dada para ela... [14]
pelo evangelho. A universalidade da igreja é enraizada no senhorio de Jesus Cristo e na sua autodoação para todos/as e sua disponibilidade para todos/as. Trata-se de uma nova realidade que marca o mundo, não de um mero ideal. Por causa disso, a igreja deve, primeiro, reconhecer a universalidade de Jesus Cristo e ceder espaço a ela. O luterano Ebeling favorece até a criação de ordens religiosas evangélicas para vivificar melhor a tão necessária relação entre a contemplação e a ação.
2.4 Paul Tillich
Tillich menciona as notae externae, sem referência direta, no capítulo "A presença espiritual e o novo ser na comunidade espiritual" [15] , em dois momentos; primeiro em relação ao evento de pentecostes; depois, como parte da sua distinção entre a comunidade espiritual latente e manifesta [16] . A "comunidade espiritual, sem ambigüidade, embora fragmentada" é "... criação estática [...] criação de uma fé [...] criação do amor [...] criação da unidade e [...] criação da universalidade...". O aspecto da apostolicidade transparece talvez no aspecto do serviço, relacionado com o amor que se "auto-entrega" e que, desta forma, simboliza a sua conexão com as suas raízes. A unidade é interpretada como força para integrar "... indivíduos, nacionalidades e tradições diferentes e congregá-los para a refeição sacramental". A universalidade – não catolicidade, nem ecumenicidade – é interpretado como
... impulso missionário daqueles que foram tomados pelo Espírito Santo. [...] não existe Comunidade Espiritual sem abertura a todos os indivíduos, grupos e coisas e o impulso de incorporá-los a si. Todos esses elementos [...] sendo marcas da Comunidade Espiritual tal como derivada da imagem de Jesus como o Cristo e do Novo Ser manifesto nele. [17]
Em seguida, Tillich define a santidade da Comunidade Espiritual pela sua participação “... mediante a fé da santidade da Vida divina”. Também ela “... confere santidade às comunidades religiosas, isto é, às igrejas das quais ela é a essência Espiritual invisível”.
3.1 Emil Brunner
Brunner distingue entre a “Ecclesia como irmandade de pessoas [...] baseada na comunhão com Cristo”, sendo assim, “uma koinonia do Espírito”, “nova humanidade”, ou “o povo de Deus na história”, por um lado, e a Igreja como “instituição”, por outro lado. Depois ele inverte a ordem do Credo N-C. A Igreja é apostólica “por ser erguida no fundamento dos Apóstolos [...], quando ela é leal a Jesus e quando ela se orienta [...] segundo a Ecclesia”. “Uma igreja que se considere infalível, justamente por causa disso não pode ser considerada apostólica. [...] O conceito da apostolicidade [...] poderia ser chamado um princípio revolucionário da Igreja”. Católico “... significa universal, tratando do tudo”. A Ecclesiae como nova humanidade está em colisão com o mundo, mas, ao mesmo tempo, deve se aproximar do mundo. [18] Em relação à santidade da Igreja, Brunner alerta:
A igreja precisa decidir se pensa de si mesma segundo os apóstolos, em categorias pessoais, ou como, a Igreja Católica, em categorias sacramentais. [...] Ecclesia sancta somente pode significar: uma igreja fundada mediante o ato santificador e a palavra santificadora de Deus em Jesus Cristo, que pode ser recebido somente pela fé. [19]
A impossibilidade da unidade entre igrejas batistas, congregacionais e igrejas episcopais, por um lado e entre a Igreja Católica e as igrejas protestantes, por outro, se deve à confusão feita, pelas mesmas, entre ecclesia e igreja. Cada igreja precisa reconhecer que ela não é o corpo de Cristo em si, mas que ela somente serve para edificar o corpo de Cristo.
3.2 Wilfried Joest
Joest relaciona o ensino sobre as quatro marcas da Igreja segundo o Credo N-C com a doutrina da igreja invisível e resume:
A Igreja é uma e santa, por ser unida e santificada por Cristo e seu Espírito,**apostólica**, por seguir com o seu foco na Bíblia o testemunho apostólico; católica, por viver nesta crença única, verdadeira e fundamentada na palavra de Deus [20]
3.3 Jürgen Moltmann
Jürgen Moltmann fecha sua eclesiologia com as notae ecclesiae, ou seja, reserva para elas um lugar incomum e privilegiado. [21] Moltmann pergunta se estas quatro marcas do Symbolum Nicaeno-Constantinopolitanum deveriam ser entendidas como "condições (criteria) da igreja verdadeira" ou como "sinais (signa) ou características (notae) da igreja". No primeiro caso, "... procura-se fazer distinção entre igreja verdadeira e igreja errada, a fim de definir as condições para a comunhão entre igrejas". No segundo caso, "... pretende-se esclarecer a forma reconhecível da igreja no mundo como testemunha". Assim, ele descreve as marcas da igreja como "afirmações da fé" (Glau-benssätze) e "afirmações messiânicas" ou "afirmações da esperança" (Hoffnungs-sätze) que levam, necessariamente, a ações afirmativas (Handlungssätze). A unidade, segundo Moltmann, é "união em liberdade" e "liberdade e diversidade em união". Dessa forma, a união resiste ao "vício da uniformidade" e a um "pluralismo sem consideração do outro". A superação dos dois perigos passa pelo contínuo retorno ao fundamento da "unidade em diversidade" e sua "liberdade em união", a Santa Ceia. Como o corpo de Cristo é um, a marca da união tem também um aspecto ecumênico: "Uma comunidade, que não encara o sofrimento e o testemunho de uma outra comunidade, como seu próprio sofrimento e testemunho, divide o uno, o Cristo, que sofre e que age em todos os lugares e todos os tempos". Catolicidade, em Moltmann, é a capacidade de “tomar partido”. A catolicidade e a união são conceitos correlacionais. A primeira descreve uma "união extensa" e a segunda uma "catolicidade intensa". Segundo Moltmann, a Igreja é católica "não por si mesma, mas somente em e por Cristo". A igreja não deve interpretar a sua catolicidade como dever de servir a todos no sentido de assumir posições. Pelo contrário, deve tomar partido a favor daqueles/as sem "meios, direitos e liberdades para viver". A santidade da Igreja é também somente garantida em Cristo:
A Igreja é [...] ao mesmo tempo communio peccatorum e communio sanctorum. A santidade não separa a igreja e os cristãos da humanidade pecaminosa [...] A igreja é santa, justamente naqueles momentos, quando ela confessa o seu pecado e o pecado da humanidade e crê na justificação por Deus. [...] A comunidade dos pecadores justificados é, ao mesmo tempo, a comunidade dos vocacionados para o serviço no Reino de Deus. Não para si mesma, mas para o serviço no Reino de Deus ela é separada. [...] Os sinais da santificação da Igreja e dos seus membros são, de forma especial, os sinais do seu sofrimento, sua perseguição por causa da sua resistência e sua pobreza [...] Os [...] santos eram os mártires... [22]
Pela sua apostolicidade, a Igreja revela Cristo. Trata-se da única marca não eterna da igreja. A marca da apostolicidade relaciona o “testemunho dos primeiros apóstolos” com o “envio missionário” e destaca o conteúdo desta missão: anunciar o crucificado e ressurreto e testemunhar até os confins da terra a presença “libertadora de Cristo”. Por causa disso, esta marca é sempre desafiada e leva a Igreja ao sofrimento.
Pela proximidade à tradição reformada, incluímos aqui uma voz pentecostal. O teólogo pentecostal Miroslav Volf toma a posição das igrejas livres [23]. [24] Ele parte do ponto mais sensível para estas igrejas, o caráter "católico" da Igreja:
Igrejas livres representaram para ambas, a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa, a quinta-essência daquilo que é considerado não-católico. Como a catolicidade qualifica todos os outros atributos essenciais da Igreja, todos os pecados capitais eclesiológicos das igrejas livres podem ser compreendidos como uma transgressão contra a catolicidade. A compreensão, nas igrejas livres, da unidade, da santidade e da apostolicidade é problemática, precisamente, por ser não-católica. [25]
A unidade delas seria incompleta, pela falta de relações concretas com todas as outras igrejas. Sua santidade seria restrita, por ser exclusivista. Sua apostolicidade seria limitada, pela rejeição da sucessão apostólica. De lá, entretanto, Volf parte para sua proposta da catolicidade como "unidade diferenciada" ou "unidade heterogênea", citando o exemplo do corpo humano, usado por Tomás de Aquino [26]:
Quando se nega a multiplicidade, a catolicidade é dissolvida numa completa uniformidade e, desta forma, numa totalidade falsa; quando se entrega a unidade, a catolicidade passa ser uma não-integrada e assim falsa particularidade. Uma compreensão apropriada da catolicidade não pode dispensar nem a unidade nem a multiplicidade. [27]
Mas, enquanto a "relação entre unidade e multiciplidade é, em primeiro lugar, um problema interno de cada igreja [...] o lado externo do problema [...] é o problema entre a exclusividade e a inclusividade". Desta forma, o tema da catolicidade da Igreja refere-se também às relações externas de cada igreja. Volf destaca as diferentes compreensões de όλος inerente ao conceito da catolicidade.
Com a mudança das referências, [...] o significado da catolicidade varia, incluindo o aspecto geográfico (encontrado em todas as partes), antropológico (em relação a todos seres humanos), revelacional (conter toda verdade da revelação), criacional (curando toda a criação), soteriológico (conter todos os bens salvíficos) ou cristológico (a quem pertence o Cristo todo).
Em seguida Volf segue seu orientador da tese de doutorado, Moltmann, e rejeita uma leitura quantitativa. “A igreja já era católica [...] no por do sol de pentecoste”. A frase que católico seria aquilo que "ubique, quod semper, quod omnibus creditum est (o que foi crido em todo lugar, sempre e por todos)" também não resolve o problema, apesar da possível interpretação de uma compreensão mais consensual. Catolicidade deveria ser interpretado de forma qualitativa como "plenitude da salvação". Ele conclui que somente uma compreensão escatológica da catolicidade seria adequada. Nesta catolicidade escatológica, "... a natureza entre a Igreja peregrina e a nova criação tem um significado crucial para a compreensão da catolicidade histórica da Igreja". A descrição mais adequada no Novo Testamento desta relação é aquela da antecipação. [28] Pentecoste é o primeiro “evento católico”. Mas, como “... o caráter antecipatório da catolicidade da Igreja leva à correspondência entre a catolicidade escatológica e histórica, ele também relativisa [...] a catolicidade histórica”. Pode-se distinguir entre o “máximo (escatológico)” e o “mínimo (histórico)” da catolicidade. Estender este mínimo, porém, continua sendo a tarefa de todas as igrejas.
Jaci Maraschin, teólogo anglicano brasileiro, responde às discussões ecumênicas com uma interpretação latino-americana. [29] Segundo ele, a Igreja é una no sentido de “singular”. Ela manifesta-se,
... de maneira imperfeita, sempre que [...] o Evangelho de Jesus, o Cristo, é anunciado, e os sacramentos são celebrados [...], sempre quando a Bíblia é lida e recebida como primeiro documento da tradição [...] porque tem uma só missão [...] quando celebra o culto em louvor a Deus contra as idolatrias que a ameaçam de todos os lados [...] na sua preocupação em anunciar o Evangelho da libertação tanto para os indivíduos como para as sociedades. [30]
A Igreja não é santa no sentido de livre de pecado, mas no sentido de disposta ao serviço e "na sua capacidade de 'ouvir o que lhe é dito...'". A catolicidade não passa pela “superioridade numérica”. O “sentido quantitativo e mecânico” deveria ser substituído por “um sentido espiritual e qualitativo”. Desta forma, “a Igreja destina-se a todas as raças e não faz diferença entre homens e mulheres”. Isso relaciona a Igreja “à questão da sua inclusão na particularidade das culturas e no que se chama contextualização”. A catolicidade “precisa se encarnar”. Apóstolos, segundo Maraschin, são, em primeiro lugar “edificadores da Igreja”. Mas, a marca foi relacionada por muito tempo com a questão da autoridade da Igreja. Não um princípio formal (sucessão apostólica), mas “o serviço que ela (a Igreja, a autora) presta” deve ser a medida da sua apostolicidade. “A fidelidade aos fundamentos da Igreja não era simples questão de doutrina. Era uma práxis ousada e revolucionária”.
6.1 Thomas C. Oden
Oden apresenta o estudo mais abrangente sobre as notae ecclesiae em comparação a todas as dogmáticas consultadas [31]. A
... ecclesia é una porque ela participa num corpo só, o corpus Christi. Ela continua sendo feita santa, na fé, pela participação na santidade perfeita do Filho mediante o poder do Espírito. Ela é universal ou católica por oferecer todo consolo de Deus a todo mundo. Ela é apostólica por ser enviada ao mundo do mesmo modo como o Filho.
A unidade da Igreja não é um ato voluntário dos membros do corpo de Cristo que se unem, mas a unidade de um só corpo possibilitada pelo Espírito. A santidade da Igreja não é encontrada na pureza moral dos seus membros, mas no Espírito Santo. [32] A catolicidade não é um conceito territorial, mas representa a universalidade do aconselhamento divino oferecido pela palavra. Oden alega:
A unidade da Igreja não pode ser observada empiricamente se não for pela participação empática na vida da palavra proclamada, nos sacramentos estabelecidos, por uma disciplina ao longo de toda vida. O mesmo vale para a sua santidade, apostolicidade e catolicidade. [33]
O que faz a Igreja santa, são “sua vocação, seu destino, sua paciência e seu arrependimento”. Quanto à questão da visibilidade e invisibilidade da Igreja, Oden questiona o que ele designa como “hiper-visibilidade” e “hiperinvisibilidade”: Tanto a posição católica com a sua tendência de identificar a Igreja Católica com o Corpo de Cristo (= hiper-visibilidade) como a sua rejeição radical pelo protestantismo – que acaba reduzindo a Igreja a uma instituição meramente humana (= hiper-invisibilidade) – precisam ser re-lidas. “Eleição, graça e fé são dimensões invisíveis da Igreja”, mas “o aspecto cooperativo, a organização [...] e o engajamento trans-cultural são aspectos visíveis da ecclesia”. Seus comentários sobre a redução do corpo de Cristo a uma igreja empírica – como exemplo de um visibilidade excessiva –, sobre a “rejeição do iconoclasmo” – como “luta contra uma invisibilidade excessiva” – e sobre as “fantasias docéticas da invisibilidade” [34] são reflexões inspiradoras que vão além daquilo que é normalmente tratado em relação às notae ecclesiae.
6.2 Walter Klaiber e Manfred Marquardt
Nesta dogmática há um reflexo eclesiológico bastante parecido com a proposta de Tillich:
A comunidade cristã vive como comunidade visível – sujeita a falhas [...] e [...] comunidade oculta. [...] Nas exposições sobre comunidade e Igreja (visível) é absolutamente necessário [...] distinguir entre a essência da Igreja de Jesus Cristo (isto é, a identidade que lhe é própria como Igreja e que lhe pertence como de forma imutável), de um lado, e suas manifestações históricas, do outro, e que sempre correspondem mais ou menos à sua essência. [35]
A communio sanctorum é descrita – sem usar a expressão – como comunidade composta por aqueles “que buscam e crêem”. O acréscimo “que buscam” vai além da compreensão reformada e representa uma posição mais próxima à da compreensão luterana. As notae externae são mencionadas, mas não em conjunto. O batismo recebe certo destaque, uma vez que a discussão da Santa Ceia está integrada no capítulo sobre os meios da graça. As notae ecclesiae do Credo N-C não são tratadas.
6.3 John Wesley
Na Geórgia, Wesley foi defendido como ortodoxo, por defender o uso dos credos segundo o artigo de religião VIII [36]. [37] Segundo o sermão n. 7, “O caminho do Reino”, o mero fato que uma pessoa concorde, intelectualmente, com o conteúdo dos três credos, ainda não garante uma fé viva. [38] As referências chaves são o sermão 74 “Sobre a Igreja” e os 24 artigos de fé, metodistas, apesar deles não preservarem o artigo VIII dos 35 artigos da Igreja Anglicana. No sermão 74, de 1785, Wesley combina as afirmações do Credo Apostólico (comunhão dos santos [39], santidade [40], catolicidade [41]) com Ef 4.1-6 (unidade) e o anúncio da palavra e a devida ministração dos sacramentos [42]. Wesley defende o movimento metodista com a Confessio Augustana [43], na busca de manter a unidade entre o movimento e a Igreja Anglicana. No seu Apelo para pessoas de razão e religião, de 1745, Wesley interpreta somente os artigos anglicanos de religião, mas se refere a “fé” (!), “palavra e sacramentos”. [44] O artigo de fé n. 13, dos 25 artigos da Igreja Metodista, de 1784, finalmente cita o artigo XIX dos 35 Artigos anglicanos:
Artigo de fé n. 13 – Da Igreja. A Igreja visível de Cristo é uma congregação de fiéis na qual se prega a pura Palavra de Deus e se ministram devidamente os sacramentos, com todas as coisas a eles necessárias, conforme a instituição de Cristo. [45]
É notável que Wesley omitiu, na sua versão dos artigos de religião, a passagem referente ao caráter errôneo de outras igrejas, que consta na versão anglicana (trecho em negrito na nota de rodapé 38).
Até aqui, percorremos este caminho a fim de dialogar a uma conversa contínua sobre a essência da Igreja. As dogmáticas citadas tentam relacionar esta herança com seu respectivo cotidiano. Justamente durante os conflitos duros entre os reformadores e a Igreja Católica, entre o movimento metodista e a Igreja Anglicana e entre a posição pentecostal e a posição católica e ortodoxa, as notae ecclesiae lembram que não há dois ou mais corpos de Cristo, mas um corpo só. É com esta percepção que a fala da Igreja como “una” se sente compromissada.
Mas, isso ainda não responde a pergunta "sobre qual igreja estas notae ecclesiae falam?" Moltmann lembra, com toda razão que, a defesa da unidade da Igreja foi levantada por uma igreja imperial a serviço da unidade imperial. Sem dúvida, seu doutorando Miroslav Volf tem especialmente esta sensibilidade, também intuída como “hiper-visibilidade” (Oden), ou seja, a confusão entre a Igreja empírica e a Igreja encoberta. As marcas da Igreja precisam ser lidas a partir dos princípios do evangelho e seu convite para a liberdade da fé (Ebeling, Moltmann). É ele que preserva a busca da unidade, da santidade, da catolicidade e da apostolicidade, do legalismo, do institucionalismo, do falso orgulho e auto-engano. Somente assim pode-se vivenciar o "mínimo histórico da catolicidade" (Volf), a abertura fraternal com a outra igreja, apesar dela ser uma "grande pecadora" (Kehl), "não livre de pecado" (Maraschin) ou "santa em graus diferentes" (Wesley). A Igreja é "ao mesmo tempo communio peccatorum e communio sanctorum" (Moltmann) ou, não somente uma "comunhão daqueles que crêem", mas também "uma comunhão daqueles que buscam" (Klaiber e Marquardt). Há uma diferença entre os dois pronunciamentos, sem dúvida nenhuma; o primeiro é muitas vezes lido com um tom de resignação: não espere muito da igreja. A idéia da busca parece mais corajosa, mas também não abraça nenhum triunfalismo. Na mesma direção aponta a busca da santidade como "capacidade de 'ouvir o que lhe é dito...'" (Maraschin). O mundo precisa mudar, a Igreja precisa ser reformada, as pessoas precisam procurar a sua transformação – disso há um consenso. Mas, o que encanta e leva à transformação é o evangelho, não o esforço sem a graça; não a lei eclesiástica exercida sobre o protecionismo do estado; não a falta de liberdade anulada pela supremacia alcançada dentro de uma igreja empírica em relação às práticas espirituais, aos bens simbólicos, ou às perspectivas teológicas; não o fervor que num instante altera pessoas sem transformá-las em profundidade. Então, as notae ecclesiae seriam apenas marcas escatológicas da Igreja ou são, orientações para o cotidiano, marcas a serem envolvidas nos planejamentos estratégicos das igrejas empíricas?
7.1 As ‘notae ecclesiae’, a Igreja visível e a Igreja encoberta: o problema do entusiasmo institucional e individual
Para a relação entre as igrejas vale que também se observe o que vale entre pessoas: relações juridicamente estabelecidas não garantem a vida, tão pouco a contínua fuga da formalização desta vida. Relações precisam de coragem e da descoberta dos limites de si mesmo e do outro, necessitam do remédio do evangelho. Nos porões da polícia ditatorial repressiva nascia a possibilidade de uma ecumene brasileira, que hoje, inversamente, vai minguando, justamente, na autoria da redemocratização no país.
Os luteranos, certamente, confiam mais na igreja como instituição do que os calvinistas não arminianos, embora não nas dimensões católicas. Como Lutero, Tillich e Härle seguem uma interpretação mais relacional entre a igreja visível e encoberta (oculta ou invisível). Eles aproximam o aspecto escatológico e histórico ou empírico da Igreja sem confundi-los. As marcas começam a desafiar a igreja. De uma forma diferente, mas próxima no resultado, a santidade bíblica (Wesley) se prova e, ao mesmo tempo, se descobre e se renova no cotidiano, na vida, no desafio. Também, nesta perspectiva mais favorável à igreja como instituição, a busca da unidade, da santidade, da catolicidade e apostolicidade não é considerada fácil porque ela não existe se não for em Cristo (Härle) ou no Espírito (Kehl); mas, ela pode nascer e amadurecer um pouco em cada minuto que a palavra é ouvida e os sacramentos (Barth, Moltmann) – e os outros meios da graça – são recebidas.
Mas, relações oficiais intra-eclesiásticas, não raramente acabam por se enganar sobre o estado real da relação e precisam de um convívio qualitativo para se recuperar (Ebeling). O mesmo auto-engano encontra-se com freqüência entre os movimentos religiosos com tendências legalistas. Quantas vezes prevalece o princípio formal e corre-se o perigo de confundir a aparência da vida com a vida real! A mera existência de instituições tampouco garante a vida como qualquer outra definição (literalmente, estabelecimento de fronteiras) ou lei. Então, seja no nível institucional ou no nível individual ou pessoal, a aproximação entre o invisível e o visível, ou o divino e o humano, o corpo de Cristo e a igreja empírica, entre ideal e real, não é fácil; e, uma vez alcançada, não é automaticamente garantida para sempre. Há uniões que não são mais uniões, consensos que se esvaziaram, esperanças que não se concretizaram e que foram, lentamente, abandonados ou trocados por algo, supostamente, mais promissor. Mas, a interpretação qualitativa das marcas da Igreja não deve ser usada para desqualificar o seu aspecto quantitativo, mais visível e, desta forma, também mais disposto a análises e críticas; diferente, ela deve contribuir para qualificar as nossas formas e desafiar as nossas práticas.
Hoje em dia, com muita facilidade sede-se à tentação de se enganar sobre as qualidades celestiais dos indivíduos e subestima-se a importância da igreja como um corpo organizado e bem administrado, de forma transparente e participativa, para ter um impacto contínuo e um clima interno alegre e confiante. É muito provável que logo depois do desencantamento com a igreja institucionalizada – tendência protestante – virá o desencantamento com o ser humano entusiasmado. Organizações e comissões intra-eclesiásticas podem se enganar sobre o seu estado real, mas também podem se enganar aqueles/as que julgam a sua fé como extremamente impactante e vibrante e que vivem de evento a evento por depender de fortes estímulos. O desencantamento é um desafio para toda a Igreja Cristã e todas as suas vertentes.
7.2 As ‘notae ecclesiae’ e a interpretação da Igreja em termos quantitativos ou qualitativos: tendências místicas e a desesperada entrega do mundo a si mesmo
“Para a teologia reformada a ecclesiae invisibilis é a Igreja dos predestinados, a ecclesiae visibilis é a igreja dos vocacionados.” [46] Este julgamento de Trilhaas não contempla todas as posições reformadas aqui apresentadas. Mas, também não podemos ignorar a tendência da perspectiva reformada de se mostrar muito mais cética em relação ao potencial real da igreja visível (Brunner [47], Joest). Poucos reformados lêem as notae ecclesiae não como condição para (des)considerar a igreja como verdadeira, mas como sinais de esperança para o mundo (Moltmann).
A preferência para a leitura calvinista não-arminiana da Igreja e sua fundamental desconfiança em relação às instituições eclesiásticas deve ser lida também a partir das experiências reais das igrejas protestantes no Brasil nos séculos XIX e XX. Poucas eram as possibilidades de uma participação real na sociedade, e rapidamente elas foram interrompidas por fases nacionalistas ou ditaduras, tendencialmente, pro-católicas, ou seja, pouco ecumênicas. Relacionar as notae ecclesiae com a igreja visível, não significa de abraçar todos os aspectos de uma compreensão de uma igreja imperial, nacional ou estadual. Da mesma forma, as igrejas que nasceram na perseguição ou enfrentaram uma certa rejeição por igrejas oficiais, não são obrigadas de se desencantar totalmente com a igreja cristã como instituição.
7.3 As notae eclesiae como horizonte utópico do compromisso divino para com o mundo e compromisso humano para com o Reino
Horizontes de esperança sempre nos elevam além daquilo que é; porém, não existe nenhum “horizonte” que não acompanhe, exatamente, a terra sobre a qual ele se eleva. As realidades terrestres não devem se tornar o cativeiro da esperança do Reino de Deus, mas a esperança do Reino de Deus precisa ser esclarecida dentro das condições ou realidades da vida cotidiana. A Igreja faz parte desta tensão. Nela se encontram terra e céu, ela é corpo de Cristo e comunhão de fiéis, sendo eles/as também, às vezes, os/as “infiéis”. Julgar a Igreja a partir de ideais absolutos revela tanto a falta de prudência como a desistência de ideais e a preguiça de avaliar o estado real das igrejas, mesmo que talvez seja, simplesmente, por falta de esperança.
Mas, nem tudo que parece ser uma revelação é de Deus e nem toda forma de organização, planejamento ou análise é um impedimento ou encobrimento da ação divina. Há uma relação entre organização e impacto. Há uma relação entre a fragmentação da Igreja e sua perda de visibilidade ou de significância na sociedade pós-moderna, há uma relação entra a ênfase na igreja invisível e sua real invisibilidade na sociedade atual e há também uma relação entre a confusão de estruturas com a vida real e o impacto da Igreja na sociedade.
Nesta situação as notae ecclesiae alimentam uma esperança
Neste sentido, as notae ecclesiae descrevem uma Igreja que ainda não foi vista. Mas, quem disse que já vimos tudo, inclusive, sobre condições terrestres? Quem disse que mesmo o "mínimo histórico da catolicidade" (Volf) já foi alcançado? Todas as vozes aqui apresentadas mostram como cada igreja "luta" com a sua compreensão confessional da relação entre os quatro elementos das marcas da Igreja. E, para a Igreja Metodista no Brasil, como se relaciona a busca da santidade – como um dos elementos das notae ecclesiae – com a busca da unidade, catolicidade e apostolicidade da Igreja? Acreditamos que esta discussão seja enriquecedora e muito importante para toda Igreja Cristã.
| [1] | Da mesma forma é o batismo considerado “um sinal visível de uma graça invisível”. |
| [2] | TRILLHAAS, Wolfgang. Dogmatik. Berlin & New York: Walter de Gruyter, 1980, p. 511. |
| [3] | Credo Apostólico: "Credo in Spiritum Sanctum, sanctam ecclesiam catholicam, sanctorum communionem". Na teologia moderna, a obra mais significativa sobre este tema é provavelmente BONHOEFFER, Dietrich. Sanctorum Communio: Eine dogmatische Untersuchung zur Soziologie der Kirche (1930). Werke, vol. 1. Joachim von Soosten (ed.). München: Chr. Kaiser Verlag, 1986. |
| [4] | Latim: "Credimus [...] in unam sanctam catholicam et apostolicam ecclesiam". Grego: Πιστεύομεν [...] είς μίαν άγίαν καΘολικήν καί αποστολικήν έκκλεσίαν. Cf. PELIKAN, Jaroslav & HOTCHKISS, Valerie. Creeds and Confessions of Faith in the Christian Tradition: vol. 1 – Early, Eastern, & medieval. New haven & London: Yale University Press 2003, p. 162. |
| [5] | KEHL, Manfred. A igreja: uma eclesiologia católica. Tradução: João Rezende Costa. São Paulo, SP: Loyola, 1997, p. 117-121. |
| [6] | Este conceito é próximo, porém não idêntico à compreensão da Igreja como sacramento. |
| [7] | Cf. BARTH, Hans-Martin. Dogmatik: Evangelischer Glaube im Kontext der Weltreligionen. Gütersloh: Christian Kaiser & Gütersloher Verlagshaus, 2001, p. 578-678. |
| [8] | Ele usa “verborgen”, não “unsichtbar”. A primeira expressão é de Lutero (ecclesia abscondita), a segunda de Zuínglio (ecclesia invisibilis). Traduzimos “abscondita” não por “oculta”, mas por “encoberta”. |
| [9] | Ibidem, p. 673. |
| [10] | HÄRLE, Wilfried. Dogmatik. Berlim & Nova Yorque: Walter de Gruyter, 1995, p. 570-577. |
| [11] | Ibidem, p. 575. |
| [12] | “Πρόσληψσις”(antecipação); “προλαμβάνειν” (tomar antes). |
| [13] | EBELING, Gerhard. Dogmatik des christlichen Glaubens, vol. III: Der Glaube an Gott den Vollender der Welt. Tübingen: J.C.B. Mohr (Paul Siebeck), 1993, p. 371-384. |
| [14] | Ibidem, p. 382. |
| [15] | TILLICH, Paul. Teologia sistemática. São Leopoldo / São Paulo: Sinodal / Paulinas, 1987, p. 499-508. |
| [16] | Igreja “latente” e “manifesta” não são sinônimos da Igreja “visível” e “invisível”. “As qualidades invisível e visível devem ser aplicadas à igreja tanto em sua latência como quanto em sua manifestação. [...] O que é latente é a Comunidade Espiritual antes de um encontro com a revelação central e manifesta depois desse encontro.” Segundo Tillich, existem também Comunidades Espirituais latentes em outras religiões e grupos sociais. Ibidem, p. 501-502. |
| [17] | Ibidem, p. 501. |
| [18] | BRUNNER, Emil. Dogmatic, vol. III: The Christian doctrine of the Church, Faith and the consummation of all things. London: Lutherworth Press, 1962, p. 117-133. |
| [19] | Ibidem, p. 126 & 127. |
| [20] | JOEST, Wilfried. Dogmatik, vol. 2: Der Weg Gottes mit den Menschen. Göttingen: Vandenhoeck, 1986, p. 533-534. |
| [21] | MOLTMANN, Jürgen. Kirche in der Kraft des Geistes: Ein Beitrag zu einer messianischen Ekklesiologie. München: Christian Kaiser, 1989, p. 363-388. |
| [22] | Ibidem, p. 380. |
| [23] | Free Churches são, pela definição literal, igrejas não estaduais. |
| [24] | VOLF, Miroslav. After our likeness: the church as the image of trinity. Grand Rapids, Michigan / Cambridge, U.K.: William B. Eerdmans Publishing Company, 1998, p. 259-282. O livro desenvolve a posição das igrejas livres em discussão com as posições eclesiológicas do teólogo católico Karl Ratzinger e do teólogo ortodoxo John D. Zizioulas. |
| [25] | Ibidem, p. 259. |
| [26] | O próprio Aquino parte da imagem da Igreja como corpo de Cristo, usada nas cartas paulinas. |
| [27] | Ibidem, p. 162. |
| [28] | Cf. o aspecto proléptico em Härle e, claro, MOLTMANN. |
| [29] | MARASCHIN, Jaci. O espelho e a transparência: o credo Niceno-Constantinopolitano e a teologia latino-americana. Rio de Janeiro, RJ: CEDI, 1989, p. 219-242. |
| [30] | Ibidem, 219-226. |
| [31] | ODEN, Thomas C. Life in the Spirit: Systematic Theology, vol. 3. New York: Harper & Collins, 1992, p. 297-365. |
| [32] | Ibidem, p. 297. |
| [33] | Ibidem, p. 303. |
| [34] | Ibidem, p. 330-333. |
| [35] | KLAIBER, Walter; MARQUARDT, Manfred. Viver a graça de Deus: um compêndio de teologia metodista. São Bernardo do Campo: EDITEO / Cedro, 1999, p. 370. |
| [36] | O artigo VIII fala do Credo do Nicéia, do Credo de Atanásio e do Credo Apostólico. Cf. Página na internet Believe. Disponível em: < http://mb-soft.com/believe/txc/thirtyni.htm >. Baixado em: 12/04/2008. “Article VIII - Of the Three Creeds: The three Creeds, Nicene Creed, Athanasius’ Creed, and that which is commonly called the Apostles’ Creed, ought thoroughly to be received and believed; for they may be proved by most certain warrants of Holy Scripture.” |
| [37] | WESLEY, John. Diário 02/09/1737. |
| [38] | WESLEY, John. Sermão 7, §I.6. |
| [39] | WESLEY, John. Sermão 74, §14. |
| [40] | WESLEY, John. Sermão 74, §23-28. Aqui Wesley interpreta a santidade com atitudes das bem-aventuranças. |
| [41] | WESLEY, John. Sermão 74, §14. |
| [42] | WESLEY, John. Sermão 74, §18. |
| [43] | A diferença entre o artigo VII da CA e o artigo XIV dos Artigos de Religião da Igreja Anglicana é justamente o aviso que a unidade da Igreja não depende da uniformidade cerimonial. |
| [44] | WESLEY, John. Appeals for men of reason and religion, §6-11 e 23-25 (fé); §27, 40, 52 (palavra); §47, 51 (sacramentos). |
| [45] | IGREJA METODISTA, Cânones da Igreja Metodista 2007, p. 40. Compare essa versão com o artigo XIX da Igreja Anglicana: “Article XIX Of the Church: The visible Church of Christ is a congregation of faithful men, in the which the pure word of God is preached and the sacraments be duly ministered according to Christ’s ordinance in all those things that of necessity are requisite to the same. As the Church of Jerusalem, Alexandria, and Antioch have erred: so also the Church of Rome hath erred, not only in their living and manner of ceremonies, but also in matters of faith.” (negrito pelo autor). |
| [46] | TRILHAAS. Dogmatik, p. 511. |
| [47] | São elas que desafiam mais a idéia da igreja institucional. Cf. BRUNNER, Emil. Equívoco sobre a Igreja. Tradução Paulo Arantes. São Paulo, SP: Editora Cristã Novo Século, 2ª impressão, 2004. |
