Apresentação

A revista Correlatio chega ao seu quarto número contando com mais de 2.000 consultas on-line. A Sociedade Paul Tillich do Brasil e o Grupo de Pesquisa Paul Tillich da Universidade Metodista de São Paulo procuram estabelecer diálogo com o pensamento do filósofo e teólogo alemão com a finalidade de fomentar o pensamento crítico entre nós e de levar em consideração as suas muitas sugestões e propostas. O elevado número de consultas registradas em nosso contador atesta o interesse que esse tipo de pensamento tem despertado entre professores e estudantes de religião no Brasil e no exterior. Não queremos, naturalmente, ser representantes de seu pensamento. Queremos pensar o nosso próprio pensamento. A Sociedade Paul Tillich do Brasil e o Grupo de Pesquisa são instâncias especializadas no âmbito maior dos interesses da academia e da religião. Com isso queremos dizer que a revista Correlatio não tem a finalidade de reproduzir o pensamento de Tillich. Pensando a partir dele, pensa o que vai sendo necessário pensar no Brasil de hoje. É por isso que nem sempre os artigos e resenhas serão necessariamente carimbados com o seu nome. Não negamos com isso a importância do diálogo com esse grande pensador do século vinte. Mas afirmamos, ao mesmo tempo, que o diálogo segue seus caminhos de acordo com as exigências de nosso tempo e de nossas necessidades. Nosso último "seminário em diálogo com o pensamento de Paul Tillich" realizado nas dependências da Universidade Metodista de São Paulo, nos fez refletir sobre outros movimentos filosóficos do século vinte como, por exemplo, o marxismo, a escola de Frankfurt, o neokantismo, a filosofia da vida e o existencialismo. Esses temas aparecem nos artigos publicados neste número da revista. Eduardo Gross mostra o relacionamento do pensamento de Tillich com Marx. Frederico Pieper Pires, volta-se para o estudo das relações entre Bultmann e Heidegger.Enio R. Mueller discorre as relações de Tillich com a escola de Frankfurt. Jorge Pinheiro examina as relações entre religião e sociedade a partir da história do Partido dos Trabalhadores. O tema da coragem de ser é retomado nos artigos de Lucy Piccinin, Jonas Resende e Josias da Costa Júnior. Mas além deles convém observar a presença de duas reflexões sobre a cultura atual, a primeira escrita por Eduardo Cruz sobre o filme Matrix, e a segunda, pelo editor desta revista, sobre a Bienal de Veneza ainda aberta ao público até o início de novembro deste ano. O professor Carlos Eduardo Brandão Calvani examina as contradições do pensamento do bispo anglicano Robinson Cavalcanti sobre o corrente debate a respeito de homossexualidade e religião na perspectiva do princípio protestante de Paul Tillich.