Tillich, Leitor de Marx
Introdução
À primeira vista, tratar da leitura que Paul Tillich faz de Karl Marx não deveria ser tarefa muito complexa. Tillich evidentemente faz várias referências a concepções de Marx e do marxismo em geral. Além disso, a sua participação ativa no grupo que refletia sobre socialismo religioso em Berlim o aproximou do círculo de discussão das idéias políticas que sofreram forte influência do marxismo. Por fim, o fato de pessoas próximas a ele pertencerem à chamada Escola de Frankfurt também aponta para uma vizinhança ao contexto das idéias oriundas do marxismo.
No entanto, o exame mais atento mostra que esta proximidade em termos gerais não implica uma facilidade real em tratar do tema. Em primeiro lugar, não se encontram tratados analíticos profundos de Tillich sobre Marx ou sobre o marxismo. As considerações de Tillich sobre Marx geralmente são feitas no contexto de outro interesse - principalmente no contexto de discussões sobre o socialismo religioso. Trata-se, assim, de considerações indiretas, fato que deverá ser levado em conta na apreciação do que ele afirma.
Em segundo lugar, não há discussão muito sistemática quanto a conceitos do marxismo. Alguns conceitos aparentemente relacionados a Marx, como alienação e luta de classes, aparecem na obra de Tillich e serão examinados neste texto, mas poderemos ver como, ao final, o fato de estes conceitos estarem reposicionados na estrutura de pensamento que é própria de Tillich faz deles conceitos mais tillichianos do que marxistas - a origem parece se tornar mais fonte de inspiração do que fator que acrescente muito à compreensão dos textos do próprio Tillich.
Em terceiro lugar - e isso não será tratado neste texto - há as dificuldades inerentes ao próprio pensamento de Marx, especialmente as geradas pelas formas dogmatizantes de interpretação que foram se estabelecendo pelos interesses políticos na leitura de sua obra. Até que ponto certos conceitos geralmente aceitos como marxistas são oriundos de uma compreensão correta de Marx ou não? O próprio Tillich levanta essa pergunta - por exemplo em relação aos conceitos de alienação, de luta de classes, de materialismo histórico e de materialismo dialético. Mas para se examinar essa questão seria necessário um estudo da obra do próprio Marx e uma proposta de interpretação dos seus escritos. Como o interesse aqui é a discussão da obra de Paul Tillich, serão apresentadas apenas as considerações críticas e as propostas de reformulação elaboradas por ele a respeito destes conceitos.
Apesar destas dificuldades, é possível partir da afirmação do próprio Tillich de que sua posição teórica se encontra entre o idealismo e o marxismo. É a partir desta declaração que serão analisadas as considerações feitas por Tillich sobre conceitos e concepções oriundas de Marx. A questão norteadora para a interpretação do que Tillich faz com estes conceitos e concepções é pois: como se pode caracterizar este limite entre idealismo e marxismo no qual Tillich afirma se encontrar?
1. Considerações gerais sobre a forma de Tillich ler Marx
Na pequena autobiografia intelectual intitulada Auf der Grenze [1] encontramos a exposição mais forte de Tillich da busca por equilíbrio que marca sua produção teórica. Entre outras marcas, cabe destacar que ele a entende como estando no limite entre teologia e filosofia, no limite entre igreja e sociedade, entre religião e cultura, entre luteranismo e socialismo, entre idealismo e marxismo. É uma exposição de 1936, portanto de uma época em que ainda se pode falar da elaboração do programa reflexivo de Tillich. Mas que o equilíbrio é uma característica fortemente perseguida por Tillich pode-se perceber também na sua Teologia Sistemática, onde ele trata das polaridades ontológicas, e especialmente no terceiro volume, quando analisa as ambigüidades da vida - obra esta escrita no fim de sua carreira. De certo esta busca por equilíbrio é muito saudável, e acredito até que ela seja um dos fatores que possibilitam uma valorização da obra tillichiana para além de seu tempo. No entanto, tal busca por equilíbrio às vezes também intriga, irrita e angustia o leitor que se pergunta onde, afinal de contas, Tillich se situa.
Em Auf der Grenze, Tillich apresenta o idealismo como o ambiente teórico no qual ele foi educado. Como influências deste ambiente ele destaca explicitamente a) o criticismo kantiano; b) a busca pela identidade entre ser e pensar efetuada por Hegel; c) a importância da reflexão existencial e da reflexão sobre a liberdade oriundos de Schelling. Todos esses elementos são considerados conquistas irrenunciáveis por Tillich. [2] Por outro lado, ele entende que a crítica da esquerda hegeliana à filosofia essencialista é fundamental. Marx ganha destaque neste cenário à medida que participa desta crítica sem recair num materialismo metafísico. Os pontos ressaltados aqui são dois: a) A crítica ideológica ao que Marx chamou de ideologia alemã - à pretensão de construção de sistemas essencialistas fechados, sem consideração da realidade social concreta. b) A análise sócio-econômica, na qual a noção de luta de classes aparece como elemento fundamental. Interessante é que boa parte desta exposição curta se dedica, como várias outras, a ressaltar a distinção entre o materialismo de Marx e as formas metafísicas do materialismo. [3]
A impressão que se tem é de que, para Tillich, o pensamento de Marx serve como uma crítica aos excessos do idealismo, mas que nunca pode chegar a ser uma superação da filosofia como queria Marx. Parece plausível arriscar dizer que o pensamento de Marx não pode chegar nem a ser uma superação da filosofia idealista - pelo contrário, para a compreensão correta de Marx é necessária a compreensão desses sistemas idealistas. Enquanto crítica ao idealismo, o pensamento de Marx é tributário do idealismo. Assim, o limite em que Tillich se coloca não pode ser uma península entre dois rios da mesma envergadura, mas a margem entre um afluente menor e o veio principal da bacia hidrográfica. O exame dos textos de Tillich que tratam de elementos do pensamento de Marx vai se dar aqui seguindo esta imagem norteadora.
É no aspecto da crítica ao idealismo absoluto que se percebe a mais forte apreciação de Marx por parte de Tillich. Marx, neste sentido, no entanto, não está sozinho. Ele é emoldurado por Tillich num conjunto que este denomina de pensamento existencial. [4] Tillich distingue entre a corrente existencialista, enquanto uma subdivisão menor, e o pensamento existencial como um modo de compreender a realidade que ganhou força no século XIX justamente no processo de reação ao idealismo. De uma forma geral, Tillich entende que o idealismo procurou fundamentar o modo de ser e os valores da sociedade burguesa, e isso de maneira que esta forma sócio-cultural particular se baseasse numa essência atemporal. Com isso, a visão idealista deixou de contemplar os elementos negativos da realidade concreta, ou pelo menos tentou justificá-los seja como elementos particulares do processo racional, seja como estágio provisório a ser superado pelo progresso humano inevitável e seguro. Percebe-se que quando Tillich trata do idealismo nesses termos gerais, ocorre uma generalização que é bastante próxima à crítica que Marx dirige à ideologia alemã. Por outro lado, uma apreciação detalhada das considerações de Tillich sobre os expoentes idealistas feitas individualmente de certo revelaria juízos bem mais matizados. Esta análise das avaliações particulares, apesar de ser um projeto muito interessante, é algo que vai muito além dos objetivos colocados para o presente trabalho. Em todo caso, neste grande conjunto de críticas ao idealismo a partir da consideração da existência concreta Tillich inclui formas filosóficas tão distintas as de quanto Kierkegaard, Nietzsche e Marx, para citar só algumas. A partir do esquema que Tillich elabora mais detalhadamente na Teologia Sistemática, trata-se de formas de pensamento que levam em consideração a ruptura entre a essência e a existência. O que, para Tillich, une este conjunto multiforme de pensadores é levarem a sério esta ruptura e rejeitarem um método de reflexão que se arrogue a possibilidade de pensar o ser essencial de forma imediata. Por outro lado, e isso é típico da busca de Tillich por equilíbrio, o drama dessas formas de reflexão existenciais é que elas mesmas se situam no âmbito da ruptura, de modo que só percebem aspectos particulares do ser. No caso de Marx, trata-se aqui da pretensão de compreender a realidade, o ser humano e as criações do espírito humano a partir da análise sócio-econômica, e especialmente das condições materiais de reprodução da vida e da sociedade. [5] Assim, a leitura que Tillich faz de Marx está sempre determinada por esta moldura que é denominada de pensamento existencial. É notório que só esta denominação já demonstra a particularidade da leitura de Tillich em relação à maioria das leituras marxistas da obra de Marx.
Um segundo aspecto geral a ser levado em conta na análise da compreensão que Tillich tem de Marx é que esta se dá numa forma essencialmente teológica. Na obra Perspectivas da Teologia Protestante nos séculos XIX e XX, Tillich apresenta Marx como teólogo: "Vou lhes descrever a teologia do teólogo de maior sucesso desde a Reforma, Karl Marx." [6] Como esta é uma obra baseada em exposições em aula, e não o resultado direto da escrita de Tillich, esta citação deve ser valorizada como expressão retórica de algo a ser pesquisado nos escritos do próprio Tillich. Nestes, embora eu não tenha encontrado a palavra teólogo para caracterizar Marx, este é freqüentemente designado como profeta. [7] Isto parece dever ser compreendido de duas formas.
Em primeiro lugar, o profetismo de Marx é visto como continuidade em relação à história judaica. Sendo Marx judeu, este elemento biográfico serve de suporte para a designação que Tillich faz. Característica do profeta, para Tillich, é a indignação com a situação concreta a partir de valores transcendentes em relação a esta situação. Neste sentido, mesmo que a crítica à religião seja um pressuposto intrínseco à obra de Marx, percebe-se uma continuidade com estas figuras da religião de Israel que também apresentavam a crítica à religião de seu tempo como base para uma espiritualidade verdadeira.
Em segundo lugar, é preciso estar atento para o significado do conceito de profético na obra de Tillich como um todo. Especialmente nos seus escritos mais antigos, Tillich chama de princípio profético aquilo que mais tarde vai ficar mais conhecido como princípio protestante. A concepção de Tillich é de que um princípio, diferentemente de uma essência, é uma caracterização de uma força atuante na história. Para ele, o problema do conceito de essência é que se poderia compreendê-lo como tratando de uma realidade alheia à história e ao tempo. Por isso, o conceito de princípio é utilizado para marcar com força o caráter sempre histórico de uma dinâmica que, entretanto, não se pode reduzir a suas manifestações históricas concretas. [8] Quando fala do princípio profético e mais tarde do princípio protestante, Tillich se refere à dinâmica crítica que se rebela contra a dotação de um caráter absoluto a uma realidade finita. Este princípio está em ação, por exemplo, na crítica profética à idolatria, que é descrita por Tillich como a divinização de objetos de culto que acabam substituindo a realidade transcendente que deveriam representar. Mas além desta leitura mais literal do fenômeno profético como crítica da idolatria, a partir da noção de princípio profético Tillich pode desenvolver as conseqüências dessa crítica. Assim, ele elabora a idéia de que não só imagens religiosas se tornam ídolos, mas também instituições religiosas em geral - daí que seja natural que os profetas clássicos já tenham inicido a crítica à instituição religiosa no antigo Israel. O mesmo princípio atua no início do cristianismo frente à sociedade judaica e mesmo ao culto ao imperador no Império Romano. Na reforma protestante o princípio profético age na erosão da fudamentação divina para a instituição eclesiástica - a concessão da graça divina ao fiel diretamente, mediante a fé, sem intermediação institucional, representa a mesma crítica da forma religiosa concreta a partir do princípio desestabilizador transcendente. Com a reacomodação institucional-eclesiástica do protestantismo, esta crítica reaparece no âmbito filosófico. Neste sentido, o criticismo de Kant se mostra para Tillich como outra manifestação do mesmo princípio - embora o fato de que a origem transcendente de toda crítica seja esquecido implique a necessidade de mais tarde criticar profeticamente o criticismo. Nas considerações de Tillich sobre filosofia da religião e teologia, o mesmo princípio aparece ainda na disputa entre a prioridade dada ao tempo contra o espaço nas religiões. O princípio crítico do profetismo se manifesta no privilégio do tempo, uma vez que o futuro abre possibilidades de realizações novas, o que a sacralização do espaço impede pelo caráter estático que o caracteriza. Assim, quando se chega às manifestações filosóficas do princípio profético, é fácil perceber as implicações da caracterização de Marx como profeta. Indo além da atribuição de uma aura religiosa que o próprio Marx de certo rejeitaria, Tillich está ressaltando o elemento crítico e o privilégio do tempo sobre o espaço na estrutura de pensamento de Marx. O elemento crítico se mostra na construção de uma instrumental analítico da sociedade e da economia que não se fundamente em idealizações ou pretensões de justificar o existente como essencialmente necessário. O privilégio do tempo sobre o espaço se mostra na esperança de uma reorganização da sociedade não baseada em características territoriais ou raciais, mas na luta por uma fraternidade universal, globalizada. Estes dois aspectos dão conta de uma dualidade que se mostra em todas as manifestações do princípio profético e que também se encontram em Marx: o elemento racional-analítico e a esperança que se fundamenta na trascendência em relação aos dados imediatos. [9]
No que se refere a esta segunda localização da caracterização de Marx como profeta, no entanto, é preciso acrescentar que o princípio profético não é, para Tillich, nenhum bem absoluto. Sem o princípio sacramental, ele se torna unilateral. Este princípio sacramental é o que se manifesta, no âmbito das religiões, na valorização das realidades concretas enquanto manifestações da transcendência. O princípio profético só pode agir à medida que esta relação sacramental, em princípio correta, se desvirtua e o finito passa a ser considerado infinito - um perigo, por outro lado, constante. Se o princípio profético é absolutizado, por outro lado, se cai numa redução racionalista, se deixa de perceber o caráter transparente da realidade. No que se refere à dinâmica entre tempo e espaço, nesse caso não se percebe mais o elemento de participação dos espaços, dos povos, da cultura no seu fundamento transcendente. Com tal absolutização, ocorre um divórcio entre o transcendente e o imanente de modo que o transcendete se torna distante e, em última análise, inútil, enquanto que o imanente se torna vazio de significado. Daí que a eliminação total da transcendência seja a conseqüência inevitável, enquanto que a fundamentação do imanente em si mesmo abre espaço para a redução da vida e da história ao cálculo - tanto no nível do conhecimento quanto da política, e poderia se acrescentar ainda o nível das relações inter-pessoais. Em si, esta absolutização da imanência Tillich a vê como realização do espírito burguês. No entanto, a caracterização de Marx como profeta e a assunção acrítica deste espírito burguês pelo marxismo apontam também para limitações que Tillich enxerga na própria obra de Marx.
A leitura teológica que Tillich faz de Marx como profeta é um fato coerente com toda a postura teórica de Tillich e também com a apreciação que ele faz das conseqüências das idéias de Marx para o movimento do marxismo. Tillich define religião como "(...) o estado de estar tomado por uma preocupação incondicional" [10] - de modo que, neste sentido, religião e fé podem ser sinônimos. Em Marx, o ideal de justiça social aparece como uma tal preocupação incondicional. É justamente para perceber este caráter religioso da estrutura de pensamento de Marx que Tillich defende a sua versão do conceito de religião. [11] Assim, enquanto que aparentemente em Marx se tem um destruidor da religião, Tillich afirma que, pelo contrário, se encontra aqui uma manifestação particular daquilo que é essencial à religião. Os desdobramentos que esta visão de Tillich sobre Marx e o marxismo teve no curso de sua vida são diversos. É notório que a simpatia de Tillich por Marx, mesmo que nunca tivesse sido exagerada, era maior nos seus escritos mais antigos do que na época tardia. Apesar disso, mesmo com ênfases diferentes, ele manteve uma coerência praticamente completa no que se refere a consideração de Marx como uma manifestação de religião ou, o que no fundo não é muito diferente, de uma semi-religião. [12] O que ocorreu foi que, na época de sua reflexão mais próxima aos eventos políticos alemães e ao socialismo religioso, Tillich apontava mais para virtudes e perigos que esta forma semi-religiosa apresentava. Nesse sentido, ele se mostrava em diálogo com o pensamento de Marx na perspectiva de sugerir correções de rumo a serem adotadas pelos seguidores de Marx. Mais tarde, com os desenvolvimentos históricos das revoluções comunistas e a guerra-fria, a posição de Tillich se orientou mais para a crítica das distorções demoníacas que os estados socialistas representaram - ou seja, Tillich passou a exercitar com mais veemência o espírito crítico representado pelo princípio protestante ou profético contra estruturas estatais que absolutizaram - ou sacralizaram - realidades finitas ideologicamente justificadas com o recurso ao ideário de Marx. No entanto, esta mudança de estilo manteve em Tillich uma continuidade fundamental. A impressão que se tem, inclusive, é de que Tillich durante sua vida foi narrando uma tragédia anunciada. Aquilo que inicialmente ele anunciava como perigos presentes no marxismo redutor acabou sendo o que se realizou na história. E de modo algum é possível encontrar um júbilo em Tillich por ter acertado na previsão. Pelo contrário, no que se refere ao universo político percebe-se em sua obra uma certa frustração com esta história dramática. Um indício disso é, por exemplo, o fato de que ele sempre continuou mantendo uma distinção nítida entre o pensamento de Marx e o modelo comunista. [13]
2. Convergências e divergências que Tillich encontra em Marx
Como visto, um dos elementos que Tillich afirma ser uma contribuição positiva de Marx é a análise da realidade a partir da situação concreta, material, em que vive a sociedade. No entanto, esta afirmação tem de ser comparada com o modo como o próprio Tillich analisa a situação concreta em que vive. O exemplo mais interessante deste tipo de análise por parte de Tillich está no texto A situação religiosa do presente, de 1926. Uma breve análise deste texto permite perceber a distinção metodológica em relação ao tipo de análise empreendida nos textos de Marx. Isso justamente numa época em que Tillich está imerso nas discussões sobre o socialismo religioso e é professor de filosofia da religião na escola técnica de Dresden.
Tillich enuncia seu propósito, nesta análise, como sendo um exame da situação presente à luz do eterno. Sua intenção é observar o significado dos fatos de seu tempo diante da eternidade. [14] Com isso ele quer indicar não uma perspectiva sobrenaturalista, mas sua visão ontológica que transcende a mera enumeração de dados. O pressuposto desta perspectiva é enunciado mais adiante:
Ali onde cada presente fala de si mesmo de modo mais claro, com maior poder simbólico, ali ele justamente não fala de si mesmo mas de alguma outra coisa, de uma profundidade que subjaz todo tempo e transcende qualquer forma existente. [15]
Por outro lado, a contrapartida é que o eterno não se concebe como algo independente do presente. É só no tempo que a eternidade irrompe.
Portanto, um vai-e-vem entre auto-transcender-se e permanecer em si, entre querer-ser-recipiente e querer-ser-próprio-conteúdo, entre direcionamento ao eterno e direcionamento a si mesmo. [16]
É esta busca de equilíbrio constante entre o olhar para o eterno, ou seja, para os fundamentos ontológicos, e o olhar para os fatos concretos que marca decididamente o método de análise tillichiano. No entanto, é evidente que colocar os fatos diante deste seu fundamento eterno implica necessariamente uma insatisfação com quem busca compreender tais fatos só na sua interrelação imanente. Neste sentido, aqui se tem a distinção mais forte em relação ao modo como Marx analisa o seu tempo. No próprio texto em questão isto aparece explicitamente. Marx é elogiado como o mais vigoroso crítico do espírito burguês. E, no entanto, mesmo esta força profética sucumbe ao que é mais próprio deste espírito burguês, que é a limitação à imanência. O elemento religioso se perdeu com a imanência total do alvo da esperança - de modo que o espírito burguês vence Marx desde dentro. Falta a Marx a visão da possibilidade de irrupção (Durchbruch) do eterno no tempo. [17] Ou, dito de outro modo, falta a ele a possibilidade de expressar que a ruptura proposta no tempo é originária do eterno.
Ainda num texto posterior, Marxismo e socialismo cristão, de 1941, Tillich afirma que
A diferença básica entre o socialismo religioso e o marxismo situa-se nas diferentes atitudes a respeito da idéia de transcendência. [18]
O marxismo é só imanente. Para Tillich, falta explicar, neste caso, de onde vem o poder para o milagre da transformação a ser operado pelo processo revolucionário. A utopia de surgimento de uma nova sociedade e de um novo ser humano, às vezes justificada com o argumento de que novas estruturas econômicas engendram tais transformações, não convence a Tillich. Para ele, estas utopias têm um efeito psicológico poderoso - mas isso se deve justamente ao anseio humano pelo eterno, e uma utopia imanentista como a que formulou Marx revela, neste ponto, seu fundamento religioso. [19] Por isso uma das tarefas da reflexão a que se propôs Tillich no âmbito do movimento do socialismo religioso foi o de levantar os problemas deste imanentismo reducionista, apontando para as razões profundas do estado de alienação humana que não se resume à situação econômica e para as razões profundas do próprio ideal socialista de superação desta alienação. [20] Mais tarde, em 1960, no artigo Christianity and Marxism, Tillich pode então afirmar que é justamente esta falta de abertura para uma irrupção do eterno pela limitação à imanência que permitiu o surgimento do stalinismo como rebento negador das intenções profundas de Marx. A imanência pura destrói a possibilidade de crítica externa e reintroduz a prevalência do espaço sobre o tempo. Ou seja, ressurgem instituições com caráter sagrado, opostas ao espírito profético. Por isso, a decisão entre afirmar uma imanência absoluta e afirmar a possibilidade de irrupção do eterno no imanente é, para Tillich uma decisão religiosa. É a decisão entre uma religião sacramental, territorial, espacial, cultural e uma religião profética, temporal, crítica. [21] Em suma: Para Tillich, a limitação absoluta à finitude sempre foi tão criticável quanto o escapismo para utopias negadoras do mundo. [22]
Se com isso podemos perceber a distinção do método de Tillich em relação ao materialismo histórico, resta ainda observar as implicações de sua estrutura teórica no que se refere ao materialismo dialético. As considerações expressas por Tillich a respeito são elaboradas a partir da observação prática das conseqüências desta noção no processo da luta socialista. Ele percebe uma disputa entre os socialistas que crêem num tipo de automatismo do processo histórico e os que defendem um voluntarismo político que por vezes deixa totalmente de lado a análise das condições objetivas da realidade. A fonte desta dupla distorção Tillich encontra no divórcio entre a análise da realidade e o empenho da consciência humana. A noção de que a consciência é mero reflexo das condições materiais em que subsiste, aliada à noção de que existe uma marcha inexorável ao socialismo, produziu por um lado calculistas e por outro voluntaristas. [23] Assim, noções teóricas localizadas de Marx foram estruturadas de um modo a produzirem aberrações alheias à intenção do próprio Marx. A proposta de correção de rumo que Tillich faz é de que se volte a reunir o elemento da espectativa em relação ao alvo final com a participação individual neste destino, contra o previsionismo objetivista e o moralismo revolucionário. [24] Ou seja: de fato a correção que Tillich propõe é uma releitura de Marx a partir de Hegel. Ou então, o que para Tillich é um modo simbólico de enunciar isso, é a explicitação do caráter religioso da expectativa histórica presente nas idéias de Marx.
Que no presente esta dinâmica histórica é impulsionada pela ação do proletariado é um ponto de concordância entre Marx e Tillich. No entanto, o caráter de que este agente histórico se reveste é distinto em ambos os casos. Para Marx, o proletariado é este agente privilegiado justamente por causa de seu estado de alienação total - por nada mais ter a perder, transforma-se no agente transformador da realidade que o oprime. Já foi apontado como esta noção é considerada um tanto quanto milagrosa por Tillich. Para ele, de fato o proletariado é o sinal evidente de que a perspectiva do espírito burguês falsifica os fatos. Trata-se de ideologia mascaradora a crença de que a livre competição engendra um progresso histórico infinito (aliás, esta fantasia anda bem viva). A situação desumana do proletariado é o sinal concreto de que isto não é verdade. E a ação contestadora desta classe demonstra que ela é portadora (Träger) de um princípio que transcende o estado atual da imanência. Nele o ser é expressão do dever-ser diferente. [25] No entanto, para Tillich não se pode idealizar os agentes históricos. Novamente é o conceito de princípio que possibilita a crítica a uma identificação imediata das realidades históricas com sua ação. Assim como a pessoa do profeta pode negar o princípio profético, e assim como as igrejas protestantes podem negar o princípio protestante, o proletariado que é o agente da revolução socialista pode se negar a cumprir o papel de que é portador. O princípio não deixa de ser efetivo, ele pode se objetivar em outros portadores históricos no futuro. Mas não se idealiza os portadores, como se eles fossem algo mais do que os veículos da irrupção transcendente. [26]
Esta análise da situação do proletariado evidencia um outro ponto bastante importante da apreciação crítica de Marx por parte de Tillich. É incompreensível, para Tillich, a fundamentação da potencialidade crítica do proletariado só a partir de seu estado de alienação radical. Na releitura filosófica de Marx proposta por ele, no entanto, esta potencialidade se explica a partir da ânsia por humanidade plena. A alienação histórica pressupõe uma essência humana que serve de fonte de inspiração ou de modelo para esta crítica do estado atual. [27] Neste sentido, Tillich - como não poderia deixar de ser -, valoriza bastante os escritos mais antigos de Marx, de cunho filosófico, sobre a situação de alienação. Embora reconheça que em Marx a alienação tem um caráter transitório, sendo própria do período pré-revolucionário, no que se distingue do caráter transhistórico que adquire na simbologia cristã da queda, mesmo assim Tillich defende que toda a elaboração teórica posterior de Marx deve ser lida a partir deste pano de fundo humanista. [i]
Neste sentido, Tillich não pode se contentar com uma mera substituição da condição econômica na perspectiva de que assim se crie um novo ser humano. Tal concepção lhe parece ingênua, à medida que absolutiza uma única dimensão da existência justamente por não querer discutir do que se trata quando se fala no ser humano. As considerações de Marx, no entanto, servem de ponto de partida para a crítica de Tillich a uma relação destituída de sentido entre o ser humano e o mundo das coisas que o cercam. A superação deste estado de alienação entre sujeito e objeto só poderá surgir para Tillich com a redescoberta do eros presente no mundo objetivo. Com esta descoberta se reencontra o elemento pessoal no sujeito e o caráter mítico-cúltico do mundo dos objetos, sem que se recaia num misticismo romântico nem que se permaneça num naturalismo demoníaco em que a economia rege a existência maquinalmente. [28]
Mas esta transformação pressupõe a descoberta de um novo sentido, de um modo de ver a realidade que valorize os elementos simbólicos presentes na vida sem reduzi-los a uma apreensão meramente racionalista. A atual estrutura capitalista da sociedade se fundamenta, para Tillich, nesta relação puramente objetiva com as coisas, de modo que tudo pode ser visto como um simples valor de troca - inclusive as pessoas enquanto mão-de-obra. Só a redescoberta de novos símbolos, como por exemplo a noção de fraternidade, que supera a relação com o outro baseada simplesmente na pretensão de uso e de domínio, pode levar a uma transformação efetiva. Para Tillich, por exemplo, noções como socialização ou expropriação dos meios de produção são expressões totalmente desprovidas de eros, sem veiculação simbólica. Neste caso se lida simplesmente com conceitos contrapostos ao de propriedade privada, mas que pertencem à mesma esfera redutora no que se refere à compreensão do ser humano. [29]
Assim, no tocante à concepção de ser humano, Tillich reafirma com Marx o perigo de projeção das necessidades humanas no nível ideal, por exemplo na religião. A crítica à religião narcótica é parte da ação do princípio profético em atividade na obra de Marx, e estes deuses produzidos pelo ser humano para suprir suas necessidades devem ser alvo de crítica constante para Tillich. No que se refere às outras realizações do espírito humano, a crítica às ideologias justificadoras - como por exemplo à idéia burguesa de progresso - merece igualmente ser levada a sério. No entanto, a redução da atividade consciente do espírito humano à reprodução de situações materiais é um exagero. E, mais do que isto, representa uma submissão ao espírito burguês, caracterizado pelo racionalismo e pela coisificação. De acordo com Tillich, sua proposta vai ao encontro das intenções profundas de Marx, criticando no entanto os resquícios tipicamente burgueses que permaneceram em seu pensamento: o materialismo mecanicista, coisificador, e a idealização representada pela transformação da natureza humana em conseqüência do processo sócio-econômico revolucionário. [30]
Caso se insista numa visão da consciência humana como simples elemento reprodutor de uma situação material, cai-se num materialismo anterior a Marx. Este criticou o materialismo metafísico. Apesar disso, a relação pouco clara que estabelece entre base material e superestrutura ideológica permite interpretações redutoras. Tillich propõe que se entenda essa relação como a relação entre ser e dever-ser. Desta forma pode-se valorizar as realizações humanas no âmbito da consciência e, ao mesmo tempo, criticar as realizações neste âmbito que não refletem mais possibilidades reais, condizentes com o que é, mas meros resquícios - ideológicos - de modos de ser já desaparecidos. Ideologia, para Tillich, é, pois, um dever-ser do passado, que não mais pode ser. E a idéia da relação entre base material e super-estrutura ideológica da sociedade não pode representar um modelo único, reducionista e mecanicista de se compreender a atividade consciente. Pelo contrário, a consciência do dever-ser tem de ser valorizada como o âmbito que pode resistir à redução de tudo a um estado de aceitação passiva da situação dada do ser. [31]
Mais uma vez, pode-se perceber que a forma de leitura de Marx por Tillich se caracteriza pela retomada de aspectos filosóficos que permaneceram em estado embrionário na reflexão de Marx. De fato, talvez se possa dizer que foram conscientemente abortados por ele, à medida que se propôs a superar a filosofia. Fica patente, em todo caso, que o tipo de leitura que Tillich faz de Marx representa uma volta atrás em relação à pretensão que o próprio Marx tinha quanto à significação de sua obra diante dos seus antecessores filósofos.
Como não poderia deixar de ser, na apreciação da religião se tem mais uma distinção nas perspectivas adotadas por Tillich e Marx. A resposta que Marx dá à questão da religião tem um caráter praticamente universal - e, na verdade, ela nem é formulada por ele, mas tomada de Feuerbach e recolocada na estrutura teórica própria de Marx. É notório que ele não quis reiniciar a investigação relativa ao fenômeno religioso. Por outro lado, entre os implementadores das idéias de Marx, a crítica da religião freqüentemente desempenhou um papel importante. De certo por causa da função política da religião na sociedade e dos interesses ligados a ela.
A primeira objeção de Tillich já foi apresentada anteriormente: a visão da realidade defendida por Marx assume sem crítica um imanentismo assumido da cultura burguesa. A implicação disto é que as religiões concretas passam a ser interpretadas só em referência a esta realidade imanente, sendo reduzidas a funções dentro dela.
Outra implicação da visão imanentista da religião leva a uma segunda objeção: Marx não percebe os pressupostos e as conseqüências religiosas de suas próprias idéias. Os pressupostos dizem respeito à distinção entre a alienação existencial e a essência da humanidade, à visão da história como tendo um sentido, à indignação moral diante da injustiça concreta. As conseqüências, por sua vez, se referem ao universo simbólico elaborado a partir da luta política socialista. Neste sentido, já desde cedo Tillich propunha ao movimento socialista a incorporação consciente de elementos simbólicos significativos para a população de sua época (como, por exemplo, as idéias de pátria, de povo), não deixando que estes elementos fossem instrumentalizados pelas forças conservadoras. Só que Tillich entendia que isso só seria possível se o movimento socialista se espelhasse mais no caráter profético da obra de Marx do que no espírito racionalista (e, portanto, burguês) em que este se expressou). O pior é que Tillich percebe que com o vazio assumido deste espírito burguês existe o perigo de que o movimento socialista divinize a própria ciência, absolutizando-a como substituta da religião. Com isso, além de trair os objetivos da própria ciência, enfraquece-se a argumentação socialista, já que saberes provisórios são utilizados para fundamentar novos tipos de dogmas. Inclusive idéias de Marx acabam por ser sacralizadas indevidamente desta forma. [32]
Como antídoto a este esvaziamento simbólico operado a partir de Marx, Tillich sugere uma complementação a partir do discurso de Nietzsche. Ao mesmo tempo que se trata de outro profeta do século XIX, não se pode acusá-lo de transigir com a religiosidade alienante. O interesse de Tillich está justamente em que as críticas de Nietzsche se mantêm ligadas ao discurso simbólico, fundamentado nos aspectos arcaicos da existência humana. Esta junção do simbólico com o crítico deveria permitir, conforme Tillich, evitar a instrumentalização demoníaca do ideário de Nietzsche. Esta é, pelo menos, a visão de Tillich em 1930. [33] Mas deve-se ler esta afirmação mais como uma expressão por Tillich do dever-ser do que do ser.
Com o desenvolvimento histórico posterior, os temores de Tillich em relação ao movimento socialista se confirmaram. O vazio simbólico foi cedendo lugar a sacralizações demoníacas. Os elementos utópicos em Marx (por exemplo, a destruição do estado) deram lugar à crença no automatismo do processo revolucionário, e as análises efetuadas a partir da observação da realidade ganharam um status dogmático. [34] Assim, o perigo da demonização no movimento socialista [35] acabou se confirmando para Tillich, de modo que sua própria expectativa de uma nova irrupção transcendente, de um novo kairós, lhe foi parecendo cada vez mais distante.
Mas minha própria sensação pessoal é que hoje vivemos num período em que o kairos, o tempo oportuno da realização, está muito à frente de nós no futuro invisível, e um vazio, um espaço incompleto, um vácuo nos cerca. [36]
Conclusão
Pode-se perceber, a partir do exposto, a coerência geral da apreciação que Tillich faz das idéias de Marx. A crítica ao imanentismo representa o ponto fundamental. A partir dele, as demais críticas e as análises empreendidas acabam sendo conseqüências lógicas.
É a partir daí que se pode retomar a questão que motivou este trabalho: Como entender a auto-apresentação de Tillich, em Auf der Grenze, de que ele se encontra no limite entre o idealismo e o marxismo? Já no início estava lançada a hipótese de que não se tratava, para Tillich de duas grandezas equivalentes.
No processo deste exame, entretanto, esta impressão foi se aprofundando. As sugestões e críticas de Tillich no que se refere à necessidade de retomada da discussão sobre a concepção de ser humano, por exemplo, apontam para uma volta à filosofia que Marx entendia superada. A própria interpretação de toda a obra de Marx a partir de seus escritos filosóficos iniciais, especialmente sobre a alienação, aponta ainda mais nessa direção. A caracterização de Marx como filósofo existencial, ao lado de outros pensadores que não comungavam de um espírito objetivista, indica que a leitura efetuada por Tillich representa também uma recolocação das idéias de Marx na estrutura teórica própria a Tillich.
As considerações de Tillich quanto ao materialismo histórico, ao materialismo dialético e particularmente à crítica da religião, por sua vez, mostram que dificilmente o limite entre idealismo e marxismo a que Tillich se refere pode ser entendido como equidistante.
Em suma, Tillich tem o grande valor de mostrar, na obra de Marx, tanto descobertas valiosas quanto limitações perigosas. Ele efetua uma leitura filosófica de Marx que revigora algumas noções que haviam se tornado reduzidas por interpretações dogmatizantes. Mas isso ele consegue fazer justamente por não estar num limite totalmente equilibrado entre Marx e os idealistas. É a partir da proximidade ainda existente com a escola idealista em que foi educado que Tillich descobre possibilidades e perigos nos escritos de Marx. De modo que um pouco de suspeita em relação à auto-apresentação de Tillich não nos faz mal.
Bibliografia
TILLICH, P. Auf der Grenze [1936]. München, Hamburg : Siebenstern, 1962.
_____. Basic Principles of Religious Socialism [1923]. In: _____. Political Expectation. Lanham, New York, London : University Press of America, 1971, p. 58-88.
_____. Christianity and Marxism [1960]. In: _____. Political Expectation. Lanham, New York, London : University Press of America, 1971, p. 89-96.
_____. Christianity and the Encounter of the World Religions [1961]. New York, London : Columbia University, 1963.
_____. Die religiöse Lage der Gegenwart. Berlin : Ullstein, 1926.
_____. Existential Philosophy : Its Historical Meaning [1944]. In: _____. Theology of Culture. Oxford : Oxford University, 1964, p. 76-111.
_____. La décision socialiste [1933]. In: _____. Écrits contre les nazis (1932-1935). Paris : Cerf, Genève : Labor et Fides, Québec : Université Laval, 1994.
_____. Marxismo e socialismo cristão. [1941] In: _____. A era protestante. São Bernardo do Campo : UMESP, , p. 267-274.
_____. O princípio protestante e a situação do proletariado [1931]. In: ____. A era protestante. São Bernardo do Campo : UMESP, 1992, p. 181-199.
_____. Perspectivas da teologia protestante nos séculos XIX e XX [1962-1963]. São Paulo : ASTE, 1986.
_____. Religious Socialism [1930]. In: _____. Political Expectation. Lanham, New York, London : University Press of America, 1971, p. 40-57.
_____. The Political Meaning of Utopia [1951]. In: : _____. Political Expectation. Lanham, New York, London : University Press of America, 1971, p. 125-180.
_____. The Struggle Between Time and Space []. In: _____. Theology of Culture. Oxford : Oxford University, 1964, p. 30-39.
Dr. em teologia, professor no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da UFJF.
| [1] | TILLICH, Paul. Auf der Grenze, 2. Aufl. München, Hamburg : Siebenstern, 1965. O título existe também em espanhol, tendo sido traduzido como En la frontera. |
| [2] | Ibid., p. 48-49. |
| [3] | Ibid., p. 50-51; quanto à distinção entre o materialismo de Marx e o materialismo metafísico, cf. tb. id., Religious Socialism, p. 45. |
| [4] | P. ex., id., Marxismo e socialismo cristão, p. 272; id., Existential Philosophy : Its Historical Meaning, p. 76 e 86-91. |
| [5] | Id., Existential Philosophy : Its Historical Meaning, p. 80-100. |
| [6] | Id., Perspectivas da Teologia Protestante nos séculos XIX e XX, p. 172. |
| [7] | P. ex., id., La décision socialiste, p. 119; cf. tb. sua colocação entre os líderes religiosos da humanidade em id., O princípio protestante e a situação do proletariado, p. 192. Um paralelo mais extenso, enumerando várias analogias entre o profetismo e o marxismo se encontra em id., Marxismo e socialismo cristão, p. 268-269. No que se refere à visão da história, Tillich afirma uma proximidade entre Marx e o profetismo em Christianity and Marxism, p. 92, mas logo depois neste texto apresenta também uma crítica à redução histórica operada por este profetismo de Marx. |
| [8] | Quanto à noção de princípio, cf. id., La décision socialiste, p. 33-34. |
| [9] | Quanto à esperança como elemento profético, cf. id., La décision socialiste, p. 114-116. |
| [10] | Id., Christianity and the Encounter of the World Religions, p. 4; cf. tb. Id., La décision socialiste, p. 98: Tillich se manifesta contra um conceito de religião burguês, o que ele entende seja um conceito da religião como algo puramente individualizado, subjetivo; daí que: "O socialismo é religioso, se se concorda que a religião é a própria vida compreendida a partir de suas raízes no ser do homem." |
| [11] | Id., La décision socialiste, p. 98. |
| [12] | Tillich usa a expressão semi-religião para o marxismo em Id., Christianity and the Encounter of World Religions, p. 5-7. |
| [13] | Cf., p. ex., em 1960 no artigo id., Christianity and Marxism, p. 89-90; anteriormente, cf. id., La décision socialiste, p. 21-22. |
| [14] | Id., Die religiöse Lage der Gegenwart, p. 7. |
| [15] | Id., Die religiöse Lage der Gegenwart, p. 15. |
| [16] | Id., Die religiöse Lage der Gegenwart, p. 15-16. O texto é de difícil tradução: "Also ein Hin und Her zwischen Übersichhinausgehen und Insichbleiben, zwischen Gefäß-sein-Wollen und Selbst-Inhalt-sein-Wollen, zwischen Hinwendung zum Ewigen und Hinwendung zu sich selbst." |
| [17] | Id., Die religiöse Lage der Gegenwart, p. 68. |
| [18] | Id., Marxismo e socialismo cristão, p. 270. |
| [19] | Id., Marxismo e socialismo cristão, p. 270. |
| [20] | Id., Marxismo e socialismo cristão, p. 271; id., Religious Socialism, p. 56. |
| [21] | Id., Christianity and Marxism, p. 95-96. |
| [22] | Id., Basic Principles of Religious Socialism, p. 63. |
| [23] | Id., La décision socialiste, p. 130-131. |
| [24] | Id., La décision socialiste, p. 132-133. |
| [25] | Id., La décision socialiste, p. 134. |
| [26] | Id., O princípio protestante e a situação do proletariado, p. 192-193. |
| [27] | Id., La décision socialiste, p. 112. |
| [28] | Id., Basic Principles of Religious Socialism, p. 75-76. |
| [29] | Id., Basic Principles of Religious Socialism, p. 79. |
| [30] | Id., Religious Socialism, p. 46. |
| [31] | Id., La décision socialiste, p. 126-129. |
| [32] | Id., La décision socialiste, p. 153-159. Para a crítica ao dogmatismo dos marxistas, cf. ibid., p. 134-137. |
| [33] | Id., Religious Socialism, p. 53. |
| [34] | Id., Socialismo cristão, p. 270-271. |
| [35] | Id., Religious Socialism, p. 50, 54-55. |
| [36] | Id., The Political Meaning of Utopia, p. 150. |
| [i] | Id., Christianity and Marxism, p. 90-91. |








