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Conversa com o editor

Jaci Maraschin

Tillich gostava muito de arte, principalmente de pinturas, esculturas e arquitetura. Embora não nos tenha legado o que se poderia chamar de “estética teológica”, muitas vezes relacionou as experiências passadas em museus de arte, salas de concerto e visitas a igrejas e catedrais com a sua fé. Sempre que retorno ao Museu de Arte Moderna (MOMA) de Nova York imagino as inúmeras visitas que ele teria feito a essa casa. Foi mesmo convidado para proferir o discurso de inauguração de novas galerias de arte e do jardim de esculturas desse museu. Porque estava doente, seu amigo Wilhelm Pauck leu o discurso que escrevera para a ocasião. Vou comentar com os leitores o final desse escrito: “Esperamos que, à medida que a história passada do museu tenha sido principalmente a descida abaixo da superfície, sua história futura será a transformadora ascensão para a superfície na qual vivemos. Mas o elemento decisivo é que as obras de arte que podemos apreciar aqui continuem a reter o poder revelador que tiveram quando foram criadas”. Tillich via a história do museu como descida às profundezas, dando mais importância ao conteúdo do que às formas. Por outro lado, na qualidade de pensador do sim e do não, esperava pelo retorno das profundezas para a superfície da vida em que vivemos. O tema da profundidade e da superfície é tratado de maneira inteligente pelo professor Etienne no artigo que assina neste número de nossa revista. É naturalmente alentador vê-lo terminar suas reflexões com uma pergunta.

Os ensaios publicados neste número de Correlatio foram apresentados, quase todos, no Seminário em Diálogo com o Pensamento de Paul Tillich, realizado em junho deste ano sobre as relações entre arte e religião. Eduardo Gross, da Universidade Federal de Juiz de Fora, escreve sobre as relações de uma obra de Clarice Lispector e o pensamento de Tillich. Jessé Pereira da Silva trata da controvertida questão do esteticismo no contexto da teologia da cultura de Tillich. Calvani traz importante contribuição acentuando a mensagem das letras de diversas canções brasileiras no contexto tillichiano, com o sugestivo título de “momentos de beleza”. Natanael Gabriel da Silva e Guilherme Vilela Ribeiro de Carvalho estudam a questão do demônico a partir de pontos de vista diferentes. Eu mesmo ( Jaci Maraschin) teço comentários sobre as relações do teólogo alemão com a arte musical. Duas resenhas e nosso noticiário completam esta edição.

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