Frankenstein e o Centauro: Seres Híbridos
Resumo
Até mesmo diante da grande mutação das coisas na contemporaneidade o resgate do pensamento do teólogo Paul Tillich se faz extremamente atual, como em relação à tecnologia, à arte, ao sagrado dentre outros, permitindo, inclusive, um diálogo com a questão do hibridismo próprio da pós-modernidade. Diante disso, é estabelecida neste texto, uma discussão de um elenco de conteúdos aparentemente desconexos inspirados pela novela de M. Shelley, possibilitando sua integração em um todo orgânico.
Palavras-chave: Mary Shelley, Paul Tillich, Hibridismo, Frankenstein, Quíron, Prometeu, Natureza, Cultura.
Abstract
Even in the presence of the great changes that occur in actuality, the recovery of Paul Tillich’s thoughts is extremely up-to-date, as they are related to technology, arts, and the sacred, as well as to other subjects. They provide a dialog with hybridism, an issue concerned with post-modernism. Therefore, even though in this text we deal with a set of issues apparently disconnected from each other, they all spring out from the reading of Mary Shelley’s novel and so they are integrated into an organic whole.
Key-words: Mary Shelley, Paul Tillich, Hybridism, Romanticism, Frankenstein, Chiron, Prometheus, Nature, Culture.
Introdução
A poesia de Ferreira Gullar acima, serve de epígrafe para a monografia, porque sintetiza de forma artística a idéia que desejo transmitir com esse texto, de que facetas opostas coexistem e se embatem no mesmo indivíduo.
Inicio o texto propriamente dito, mencionando a relação entre arte e religião. Para tanto me baseio em Paul Tillich. Em seguida, discorro de um trabalho cênico de minha autoria relacionado com Frankenstein. Escrevo, depois, sobre a relação da novela romântica com o mito de Prometeu, e com o fato do meu trabalho ter enfatizado a hibridação da criatura criada por Mary Shelley. Depois, reporto-me à minha própria condição de ser híbrido e posteriormente à de vários personagens, relacionados de uma forma ou de outra com a novela romântica. Igualmente, reporto-me à oposição existente entre natureza e cultura. Porém, concluo que apesar da hibridação provocar conflitos, ela pode ser solucionada de forma satisfatória tanto cultural como psicologicamente pela integração de opostos aparentemente desconectados entre si.
1. Arte e religiosidade
Paul Tillich diz que o homem de nossa época perdeu a dimensão de profundidade, o que significa dizer que ele não tem mais respostas para as perguntas de qual é o significado da vida.
Segundo ele, originalmente a religião e os símbolos forneciam respostas a essas questões. Porém, na atualidade, a religião institucionalizada somente o faz superficialmente. A arte, contudo, faz perguntas existenciais profundas e as responde de acordo. Assim, está imbuída de uma religiosidade real.
1.2. Dorme, Dorme, Frankenstein
Falando em arte, recentemente entrei em contato, novamente, com materiais e reflexões sobre o trabalho mais importante que fiz em dança, “Dorme, Dorme, Frankenstein”, datado de 1990.
Este trabalho foi o resultado artístico previsto para uma pesquisa de iniciação científica cujo tema central foi a emoção do medo. Grande parte de sua elaboração se deu pelo contato com uma literatura que abrangeu desde obras de psicanálise e psicologia analítica (Jung, Bolby, Winnicott, Ana Lúcia C. Jorge), até obras literárias (E. A. Poe, Mário de Andrade, Ray Bradbury), teoria dos símbolos e estudos antropológicos sobre máscaras rituais. [1]
Naquela construção cênica, desenvolvida por meio da dança e da linguagem teatral, a referência ao romance Frankenstein de Mary Shelley serviu como eixo para a síntese de um elenco de conteúdos aparentemente desconexos, fundindo-os em um todo orgânico. [2]
Na minha retomada de contato com o trabalho, li uma apreciação crítica e um ensaio, ambos relacionados à novela escrita em 1816. Um deles, intitulado “A Síndrome de Frankenstein” [3] , de autoria de David Le Breton, sugere que ela é uma crítica do romantismo à crescente industrialização da sociedade moderna assim como ao que essa industrialização estava trazendo de nocivo ao homem da época. Já o crítico literário Harold Bloom [4] , entre outros aspectos, enfoca a adequação entre a obra romântica e o mito de Prometeu.
1.3. A obra romântica e o mito de Prometeu
Sabe-se que este mito é a síntese da luta homem-divindade. Representa uma humanidade ativa, industriosa, inteligente e ambiciosa, que deseja igualar-se às potências divinas. Os avanços tecnológicos iniciados com a revolução industrial, ocorrida por volta da época em que a novela foi escrita, continuam nos dias de hoje e representam o desejo do ser humano de igualar-se às potências divinas, domesticando mais e mais o meio ambiente, as forças da natureza e, em última instância, criando a vida e adiando a morte. Tais conquistas causavam e ainda causam euforia simultaneamente ao temor de que as possibilidades recém-conquistadas por meio da tecnologia voltem-se contra o próprio homem. Perguntamo-nos com freqüência: seremos punidos, de um modo ou de outro, por profanar lugares e criar possibilidades antes inacessíveis a nós? [5]
Em “Dorme, Dorme, Frankenstein”, centralizei minha atenção na oposição explícita que a obra faz do caráter original da criatura, que apesar de monstruosa, imensa, extremamente poderosa e intimidadora fisicamente (tinha 2,40 m de altura e largura proporcional), de aparência repugnante e origem sórdida (pedaços de corpos humanos coletados por seu criador clandestinamente de sepulturas frescas e pedaços de corpos retirados de animais vivissecados ou provenientes do matadouro), era dócil, gentil, amável e intrinsecamente boa, em outras palavras, digna de ser aceita e amada e não rejeitada e odiada. [6]
Assim, transformei o monstro, protagonista da história de Mary Shelley, em um personagem menino extremamente solitário, Frank, criado sem família e sem amigos, no interior de uma borracharia, ambiente que expressa ao mesmo tempo acolhimento e rejeição por ser sujo e conter tanto elementos maleáveis como câmaras de borracha e banheira de água, como outros pesados, duros ou pontiagudos: calotas, aros de rodas, marretas, pés-de-cabra, etc. Também, transformei seu criador em um outro personagem menino, não solitário, Stein. [7]
1.4. Dorme, Dorme, Frankenstein e hibridação
Vejo agora que o meu trabalho enfatizou a hibridação [8] física e de caráter do personagem, que refletia a ênfase na hibridação cada vez mais exacerbada da sociedade romântica e, igualmente, ainda reflete a hibridação da sociedade contemporânea e a minha própria. Creio, assim, que por esse motivo, a releitura da obra se justifica aqui.
1.5 Frankensteis e eu
Peço desculpas por tomar-me como um exemplo, mas creio que aqui cabe fazê-lo. Assim, entre outras características, a que desejo ressaltar em primeiro lugar, é uma hibridação física na forma de uma pequena deficiência que eu tenho nos membros superior e inferior de um dos lados do corpo. Entendo que essa hibridação existe no sentido de que essa deficiência além de não ser pronunciada, só fica realmente evidente quando eu estou em movimento. Sendo assim, a conseqüência mais direta disso, é que para quem não tem deficiência ou quando não eu estou parado, posso ser – e quase sempre sou - considerado uma pessoa com deficiência física. Porém, por não ter crescido com deficiência nenhuma, ter subido em árvores, ido a bailes e não ter freqüentado uma escola especial e nem tampouco usar bengala, muleta ou cadeira de rodas, posso ser – e novamente, quase sempre sou - considerado uma pessoa sem nenhuma deficiência por pessoas com uma deficiência de nascença ou grave ou por pessoas que pensam que afirmando isso me consola e me amam.
Na minha formação, uma duplicidade ou hibridação semelhante também se dá, pois embora eu seja graduado em dança, sou pós-graduando em Ciências da Religião. Aliás, comecei a dançar na igreja. Ora, essa relação igreja — dança reflete um trajeto bastante incomum para um bailarino. Incomum porque o acesso da arte profana à igreja é controverso, principalmente quando essa arte está nas formas de teatro e dança. Em contrapartida, o meio artístico também tem uma relação conturbada com a instituição eclesiástica. No entanto, aqui não é o local nem o espaço para nos aprofundarmos nessa discussão.
Porém, vale ressaltar novamente, o fato de que Paul Tillich dedica-se profundamente à discussão da arte, mesmo profana, estar intimamente relacionada com a preocupação última do ser humano. Assim ele também relacionou a dança expressionista alemã à religião. [9]
Voltando à questão da hibridação verificada em minha formação, eu diria que sou um artista performático a quem não basta só fazer. Para criar, preciso ler e estudar. Ou seja, em linguagem bem prosaica, sou um bailarino - agora também deficiente - que usa óculos, um artista do corpo e do movimento que pensa (felizmente como vários outros); alguém que cultiva e exercita igualmente o corpo e a mente e que se sente um Strange Fish [10] , um peixe fora d’água ou um bicho estranho [11] em espaços que definem claramente o preto ou o branco [12] .
E meu perfil religioso, então? Como classificar alguém que se diz religioso porque é da quinta geração de uma família protestante que depois se tornou uma família tradicional da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil; é filho de ex-pastor; cursou um colégio batista por treze anos, mas que não freqüenta regularmente a igreja há 25 anos? E como classificar alguém que com toda essa trajetória teve passagens mais ou menos longas pelo candomblé, umbanda, xamanismo (sauna sagrada, ritual do daime), práticas corporais e filosóficas orientais (tai chi chuam, yoga), assim como experiências de Nova Era (dança circular e práticas somáticas de auto-aperfeiçoamento)?
E se, ainda por cima, essa pessoa acreditar em astrologia, tarot, I Ching e búzios, mas também flertar com a tecnologia de ponta? Como classificá-la?
Isso sem falar em seus outros comportamentos híbridos, como orientação sexual, bem como experiências com drogas na adolescência e juventude.
A tudo isto, soma-se o caso de amor simultâneo que nutro com a tradição e o contemporâneo.
Após esse auto-exame, pergunto-me: seria eu um ser meio Frankenstein? Um mestiço? Um ser que não é nem de uma raça nem de outra, e que por isso leva tranco das duas?
1.6. Quíron e Prometeu, Frankenstein e Frank
Para continuarmos nosso raciocínio, talvez devêssemos examinar algumas das resoluções dadas em diversas instâncias para outras criaturas “frankensteinianas”.
Comecemos pelo personagem Prometeu associado ao protagonista da novela pela autora, que também a chamou de Frankenstein ou o moderno Prometeu. [13]
Ora, esse mito intercala-se com o mito de um outro personagem, o do centauro imortal Quíron, tão híbrido quanto o cientista Frankenstein ou meu personagem Frank.
Em seu mito, Prometeu, depois de enganar os deuses e granjear sua ira, é acorrentado a uma rocha e tem seu fígado devorado todos os dias por uma águia. No entanto, como o fígado devorado renasce todas as noites, Prometeu sofre uma tortura eterna. A condição para sua libertação é a de que um imortal renunciasse à sua imortalidade e trocasse de lugar com ele. Porém, mesmo depois de liberto, o titã teria que usar para sempre uma coroa de folhas de salgueiro. [14]
No que tange aos centauros, a sua metade cavalo simboliza a vitalidade bruta, a energia instintual, a libido selvagem. Seu comportamento vincula-se á expressão sexual livre e de êxtase, mas também aos perigos do delírio e da loucura. [15]
Por sua vez, a sua parte humana representa instintos cultivados, poder canalizado pela disciplina e consciência ou, em última instância, a preeminência do poder civilizador sobre a natureza. [16]
Quíron encarnava esses elementos em seu próprio corpo, pois, ao mesmo tempo em que era um centauro [17] e relacionava-se com seus iguais, tornou-se sábio, profeta, professor, músico e curador. Reis confiavam a ele seus filhos para que fossem educados na arte da liderança e ele também foi mentor de vários heróis famosos.
Em determinado momento foi ferido gravemente. Contudo, por ser imortal, passou a sofrer eternamente com uma ferida que não o podia matar, mas que tampouco cicatrizava.
1.7. A cura de Quíron e a libertação de Prometeu
Para curar-se definitivamente, trocou de lugar com Prometeu. Como foi dito a pouco, este último teria que usar uma coroa de folhas de salgueiro depois de liberto. O salgueiro está associado à morte, e Prometeu, ao usar uma coroa das folhas dessa árvore, sugere sua aceitação da mortalidade. Quíron também o faz ao renunciar à imortalidade.”Por conseguinte, a renúncia e libertação de Prometeu, e a morte e a ressurreição de Quíron” (que foi imortalizado por Zeus em uma constelação) “possuem o mesmo significado essencial. Prometeu readquire sua liberdade e Quíron encontra a tão procurada cura: nesta troca, ambos são libertados de seu eterno sofrimento.” [18]
1.8. Individualidade x autoridade e cultura
Ora, Prometeu representa a luta da individualidade emergente e libertando-se do jugo representado pelas forças de opressão que não valorizam a vida humana, sejam elas políticas ou culturais.
Em contrapartida, Quíron simboliza a autoridade e a cultura interiorizadas, sendo socialmente responsável.
- Os dois mitos reunidos dizem que nenhum de nós pode estar livre caso venha a desafiar os deuses por muito tempo, a não ser que possamos assumir nossos próprios limites, dentre os quais se insere o respeito por eles.
- “Enquanto não formos capazes ou não estivermos dispostos a dignificar os deuses, a considerar os justos limites para nossa própria individualidade, para a sociedade em que vivemos, para as relações que estabelecemos e a vida que assumimos, nunca estaremos livres e sempre estarem respondendo a uma autoridade externa, quase sempre de modo negativo. [19]
1.9. Integração de Frank
O interessante é que “Dorme, Dorme, Frankenstein” também termina com a figura de um cavalo. Nessa peça coreográfica o protagonista, que se crê internamente imundo, feio e repugnante (como o monstro da novela original e como Quíron – e como o próprio cientista criador do monstro), no fim, ao contrário da obra de Mary Shelley, é redimido por um outro personagem, um velho, que o entende, compartilha com ele sua própria experiência de vida, e diz ao garoto, que dorme, que o mal é apenas a semente do bem. Por conseguinte, Frank integrado em um ser completo, é renomeado Frankenstein. [20]
Ele incorpora, então, um cavalo branco que trás a chuva. Ora, o cavalo é um indicador dos lençóis freáticos devido ao ruído de seus cascos no solo. [21] Ele não é selvagem. Domado, está a serviço de Frank A água purificadora e revificadora indica a superação de uma experiência que, mesmo benéfica e curadora, não obstante é dolorosa. No branco, está outra vez a pureza. De acordo com Melaine Renhardt, numa visão psicológica, as forças instintuais aparecem aqui domesticadas e direcionadas.
1.10. Integração entre natureza e cultura
Verifica-se, assim, a harmonia entre o ser humano e sua natureza animal e por extensão, entre a natureza e a cultura.
E na sociedade contemporânea, em que a hibridação é uma marca tão evidente, como se dá essa resolução de opostos? O velho o novo, o popular e o clássico, o profano e o sagrado, a institucionalização e a não-institucionalização, o estrangeiro e o nacional, o feio e o belo, a arte e a ciência, o rústico e o acadêmico, e assim por diante, com freqüência formam parcerias e convivem lado a lado.
Porém esses opostos nem sempre estão integrados, o que indica que, tal qual a ferida de Quíron, que nunca fechava totalmente, essa resolução não se dá de forma tranqüila. Porém, como indicam as resoluções de mitos como o de Prometeu e o de Quírom e o final de “Dorme, Dorme, Frankenstein”, essa integração é possível.
Considerações Finais
Assim, mesmo que como “prometeus” e “quírons” soframos de uma tortura eterna ou que como “frankensteins”, a angústia tome conta de nós, espero que não busquemos solucionar nossa angústia como a criatura romântica, nos auto-imolando em uma pira funerária — ou nos auto-aniquilando pelo aquecimento global. Enfim, espero que não cedamos a desesperança absoluta nem que acreditemos que estamos em um beco sem saída. E ouso dizer, que se há uma luz no fim do túnel, ou uma indicação para uma possível saída, ela está justamente na capacidade de lidarmos com as hibridações: nossa, do outro, das sociedades, da nossa relação com o meio-ambiente etc., etc. Afinal, como disse há muitos anos uma terapeuta de cujo nome eu não me recordo, “somos todos feitos de eus”.
Bibliografia
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HIGUET, Etienne. A teologia “apologética” da cultura de Paul Tillich: profundidade e superfície na busca de sentido. Revista Eletrônica Correlatio (www.metodista.br/correlatio). n. 8 (outubro de 2006).
LE BRETON, David: A síndrome de Frankenstein. In: Denise Bernuzzi de SANT’ANA (org). Políticas do Corpo. São Paulo, Estação Liberdade, 1995.
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________. A coragem do desespero na arte e na literatura contemporâneas. In: A coragem de ser. 6 ed., Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1976, p; 111 -5..
| [1] | Rogério MIGLIORINI. Release. Texto de divulgação de “Dorme, Dorme, Frankenstein”, 1991 e revisado em 2004 e 2006.. |
| [2] | Rogério MIGLIORINI. Release. Texto de divulgação de “Dorme, Dorme, Frankenstein”, 1991 e revisado em 2004 e 2006.. |
| [3] | David LE BRETON: A síndrome de Frankenstein. In: Denise Bernuzzi de SANT’ANA (org). Políticas do Corpo. |
| [4] | Harold BLOOM (posfácio). In: Mary SHELLEY; Frankenstein. |
| [5] | Rogério MIGLIORINI. Frankenstein e eu. Texto não publicado, 2000. |
| [6] | Rogério MIGLIORINI. Frankenstein e eu. Texto não publicado, 2000. |
| [7] | Ibid. |
| [8] | Penso em hibridação no sentido definido por Cancline de que aspectos contrastantes convivem lado a lado simultaneamente. |
| [9] | Etienne HIGUET. A teologia “apologética” da cultura de Paul Tillich: profundidade e superfície na busca de sentido. In: Revista Eletrônica Correlatio (www.metodista.br/correlatio). n. 8 (outubro de 2006) |
| [10] | “Strange Fish” é o título de uma coreografia do grupo de dança contemporâneo inglês DV 8. Aliás, esse grupo também é híbrido., uma vez que trabalha simultaneamente as linguagens da dança e do cinema. |
| [11] | Traduções livres do título. |
| [12] | Referência ao livro 1984 de George Orwell. |
| [13] | Em um primeiro instante, julguei que essa associação se referisse somente à criatura. Porém, o criador, o cientista, também tem características de ser híbrido, a começar pela relação de amor e ódio que nutre por sua criatura que, por sua vez, é o resultado de um fascínio do cientista pelo controle da natureza — ou do fogo que, outrossim, era uma dádiva dos deuses —e do medo deste diante da grandeza da natureza e da pequenez humana. |
| [14] | c/f Melaine REINHART. Quíron e a jornada em busca da cura. p. 46. |
| [15] | Ibid. p. 26. |
| [16] | Melaine REINHART. Quíron e a jornada em busca da cura. p.26.. |
| [17] | Um centauro, por si só, já é um ser fisicamente híbrido por ter um corpo que é meio animal e meio humano. |
| [18] | Melaine REINHART, op.cit., p.51 |
| [19] | Melaine REINHART. Quíron e a jornada em busca da cura. p. 50. |
| [20] | Rogério MIGLIORINI, op. cit., 2000. |
| [21] | Jean Cirlot. Dicionário de Simbolos. |








