Formação de Professores: O Projeto “Bolsa Mestrado” em Discussão
Formação de Professores: O Projeto “Bolsa Mestrado” em DiscussãoAna Célia Araújo Silva
Ana Luíza Franciscone
Carpçoma Yamamoto
Cláudia Galante
Cláudia Pasquali
Fátima R. M. Ribeiro
Gerson Ap. Cordeiro da Silva
Hânia Milanelli
Luiz Roberto F. Viana
Marco Antonio A. Ferreira
Maria Matilde Antoelli
Sandra R. f. Gomes
Taís N. Ramos [1]
Marilia Claret Geraes Duran [2]
TEACHER’S QUALIFICATION: THE PROJECT “MASTER SCHOLARSHIP" IN DISCUSSION
FORMACIÓN DE PROFESORES: EL PROYECTO “BECA MAESTRÍA” EN DISCUSIÓN
IntroduçãoÉ notória a expansão da pós-graduação brasileira, como revelam os dados apresentados por André (2007), considerando a publicação, pela Fapesp, da 3ª edição dos “Indicadores de Ciência e Tecnologia e Inovação” em São Paulo, referente ao período 1998-2002. Foi significativa a taxa de crescimento das matrículas em Programas de Pós-Graduação, no mestrado (35%) ou no doutorado (62%), com uma taxa de crescimento das titulações de 62% no Mestrado e 113% no doutorado, e o conseqüente crescimento da produção brasileira nos últimos anos, mensurada pelo número de trabalhos científicos publicados em revistas indexadas. André, neste mesmo artigo, chama a atenção para possíveis explicações de tal situação, ressaltando, especialmente, a pressão de demanda decorrente das exigências da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, com a definição de um percentual de mestres e doutores para compor os quadros das universidades e dos centros universitários, e a conseqüente procura pelo Mestrado e Doutorado para ingresso no ensino superior. Outra hipótese sugerida pela autora relaciona-se às exigências de qualificação de alto nível para a entrada no mercado de trabalho, o que também estaria levando à procura de um curso de pós-graduação. É nesse contexto que se insere a discussão sobre o Projeto Bolsa Mestrado, que integra o Programa de Formação Continuada de Educadores da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, programa implantado pelo Decreto 48.298, de 3 de dezembro de 2003 e destinado aos integrantes do Quadro de Magistério da Secretaria da Educação (SE). O questionamento que se fez/faz relaciona-se, justamente, com as reais possibilidades (ou não) de uma ação formativa para os integrantes do quadro do magistério da Secretaria da Educação, de especialização profissional, de continuidade de estudos em Programas de Pós-Graduação, reconhecidos pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior), com vistas à melhoria do ensino público paulista. Pergunta-se sobre as reais contribuições do Projeto “Bolsa Mestrado” para a formação continuada dos integrantes do quadro do magistério da SE. Tais discussões remeteram à leitura e análise da legislação que institui o Projeto “Bolsa Mestrado” e ao contato com professores da rede estadual de São Paulo que pleitearam e foram contemplados com a bolsa mestrado. Nessa perspectiva, considerando todo o conhecimento acumulado a respeito das relações entre pesquisa e docência, procuramos entender os sentidos e significados atribuídos por integrantes do Projeto “Bolsa Mestrado”, ao próprio processo vivido num Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu, num Curso de Mestrado. Quais os caminhos trilhados pelos professores da rede estadual de São Paulo que pleitearam e foram contemplados com a bolsa mestrado, quais os sentidos e significados de sua formação em pesquisa? Inicialmente, procuramos discutir os objetivos da pós-graduação Strito Senso em nível de Mestrado, considerando o desafio que nos faz Marli André, em seu artigo “Desafios da pós-graduação e da pesquisa sobre formação de educadores”.
Assim, pretendemos contribuir para o estado do conhecimento desta vertente temática que vem sendo explorada no campo acadêmico, dirigindo um novo olhar para a pós-graduação stricto sensu, na perspectiva do projeto “Bolsa Mestrado”, criado justamente com a finalidade de propiciar aos profissionais da educação a continuidade de estudos nesse nível de ensino. Ponto de partida teóricoO desenvolvimento deste trabalho está relacionado com as discussões realizadas no contexto de uma das disciplinas eletivas oferecidas no Programa de Pós-Graduação em Educação (Mestrado) da UMESP: “Formação de Educadores e Profissão Docente” sob a forma de seminários temáticos desencadeados a partir da leitura dos artigos que compõem o Dossiê: “Formação de Professores e Profissão Docente” do periódico do Programa: Educação e Linguagem, nº. 15 [3] . Na verdade fomos, de certa forma, cooptados pela autora Marli André, com vistas a organizar uma pauta de discussão que priorizasse “o repensar a função social da pós-graduação na área, considerando alguns aspectos estruturais” relacionados, especialmente, à flexibilização dos seus modelos formativos, como já sinalizado. Concordando com a autora, entendemos a importância de enfrentarmos o conformismo ao modelo único de Mestrado, de finalidade única, e pensar em formas organizacionais que tornem o espaço da pós-graduação espaço no qual, de fato, se exercite a exploração intelectual de problemas e temas, em tempo adequado a variados tipos de alunos, permitindo a eles a gestão de tempo em limites razoáveis, propiciando aos profissionais que trabalham o acesso aos conhecimentos e à ampliação cultural, a possibilidade de participação em grupos de estudos e pesquisas.
Com ponto de partida teórico, consideramos autores de referência nessa linha de pesquisa que estuda a relação entre pesquisa e docência, em especial Lüdke (1994, 1996, 2001) e André (2001); ancorando-nos, também em Demo (1991), Schön (1992), Zeichner (1992), Giroux (1997), Geraldi et alli (1998), Charlot (2001), entendemos que existe uma diferença entre ensinar e pesquisar que requer do professor habilidades e atitudes diferentes porque as tarefas para desempenhar essas habilidades e competências são tarefas distintas, com implicações diferentes. Assim, podemos sintetizar as diferentes perspectivas com que se discute a constituição do professor-pesquisador em quatro eixos:
Um segundo eixo de pesquisa relaciona-se aos trabalhos de Stenhouse (1975) e Schön (1983, 1987), autores que trazem a idéia de professor pesquisador e de professor reflexivo, defendendo a tese de que os professores devem trabalhar como pesquisadores, defensores que são da pesquisa como elemento constitutivo e essencial no trabalho docente. De modo diferente, alguns autores, apoiando-se nos trabalhos de Huberman (1999), discutem a relação ensino-pesquisa em outra direção. Ou seja: não se trata de transformar os professores em pesquisadores, mas de realizar um trabalho conjunto, um trabalho cooperativo. Uma quarta perspectiva que vem sendo defendida na literatura, diz respeito à importância de os professores se apropriarem dos resultados de pesquisas que poderão ajudá-los no desenvolvimento de seus trabalhos em sala de aula. Isto significa não apenas a informação, acesso ao conhecimento, mas a possibilidade da convivência com a pesquisa e a vivência dela (Cf. Soares, 1993).
Nesse particular, segundo André (2004, p.59): [...] os cursos de formação têm um importante papel: o de desenvolver, com os professores, essa atitude vigilante e indagativa, que os leva a tomar decisões sobre o que fazer e como fazer nas situações de ensino, marcadas pela urgência e incerteza. Se fazer pesquisa significa produzir conhecimentos, baseados em coleta e análise de dados, de forma sistemática e rigorosa, o que requer do pesquisador um trabalho com um corpus teórico, vocabulário próprio, conceitos e hipóteses específicos, tendo para isso que dispor de tempo, de material e de espaço, não seria esperar demais que o professor, além de seu exigente trabalho diário, cumprisse também todos esses requisitos de pesquisa? Considerando tais discussões, podemos dizer que, por um lado, a disposição para a pesquisa auxilia o professor no seu dia-a-dia em sala de aula; mas, por outro lado, é importante considerar as exigências de uma investigação científica e as condições necessárias para que a pesquisa, de fato, ocorra. Então, além da disposição pessoal do professor, alguns quesitos são necessários, tais como: a) formação específica; b) possibilidade de atuar em unidades institucionais que apóiem a pesquisa; c) contar com assessoria de pesquisadores experientes; d) disponibilidade de tempo e espaço para a realização da pesquisa, e) acesso a materiais e fontes de consulta e bibliografia especializada.
Nessa perspectiva, as exigências para a formação do professor, não podem ser vistas como única alternativa para a melhoria da educação como um todo, há que se levar em consideração a disponibilidade do professor para atuar em pesquisa fornecendo estrutura adequada para o seu desempenho. Por melhoria de condições entende-se desde investimentos para a formação profissional até uma remuneração pertinente, uma jornada de trabalho que permita disponibilidade de tempo para a continuidade do seu interesse pela pesquisa e que possibilite a autonomia desse profissional e, ainda, levar em conta dentro dessa estrutura as condições físicas das unidades escolares. Sobre o processo de realização das entrevistas e da organização dos dados levantadosNuma perspectiva crítica e reflexiva da formação docente como pesquisador, o foco do trabalho está centrado em sujeitos específicos: os professores que pleitearam da SEESP uma bolsa de estudos do programa Bolsa-Mestrado e que já concluíram o Mestrado entre os anos de 2004 e 2006. O levantamento destes profissionais foi realizado nas Diretorias de Ensino, nas quais constam os registros destes professores-pesquisadores e nas Secretarias de Ciências e Tecnologias. Fez parte da pesquisa um total de sete professores, que atuavam em diferentes diretorias de ensino, e que concordaram em participar de uma entrevista semi-estruturada. Foram elaboradas algumas questões norteadoras para a realização das entrevistas que tomaram a forma de entrevistas focalizadas, ou seja, uma entrevista que, segundo Gil (1999, p.92), “[...] enfoca um tema bem especifico, cabendo ao entrevistador esforçar-se para que o entrevistado retorne ao assunto após alguma digressão”. Essas entrevistas foram semi-estruturadas, o que significa dizer que foi estabelecido um roteiro em que os entrevistados foram ouvidos e suas respostas foram gravadas e transcritas. Todos os professores contatados pelas Diretorias de Ensino, concordaram em participar das entrevistas. Optamos por uma perspectiva mais descritiva, em que, segundo Cervo e Bervian (1996, p.49), o entrevistador “observa, registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos (variáveis) sem manipulá-los [...] ”. Procuramos saber, então, por quais caminhos seguiram os professores participantes do programa Bolsa-Mestrado e principalmente se optaram pelos caminhos do pesquisador, problematizando, a própria formação que receberam nos Cursos de Mestrado. É importante registrar, ainda, a escassez de material publicado sobre o tema, o que inviabilizou um mapeamento de estudos já realizados considerando o Projeto “Bolsa Mestrado”. Notas sobre o “ Projeto Bolsa-Mestrado”O Projeto “Bolsa-Mestrado” da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo (SEESP), como o próprio nome insinua, disponibiliza, sob a forma de “bolsa”, o tempo de até dois anos, para aos integrantes do quadro de magistério, titulares efetivos, desenvolverem estudos e pesquisas num Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu, o Curso Mestrado, na própria área de atuação. Oferece uma ajuda financeira no valor de R$ 720,00 (setecentos e vinte reais), no período de 30 meses, ou a designação, sem prejuízo de vencimentos, junto a Diretoria de Ensino, conforme Decreto-Lei nº 11.498, de 15 de outubro de 2003 [4]. O objetivo, segundo Manual Operativo do Projeto Bolsa-Mestrado, constitui ação formativa, de especialização profissional, e, como tal, insere-se no Programa de Formação Continuada – Teia do Saber – Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, na medida em que dá concretude a uma política educacional que tem, como foco de atuação e investimento, a formação continuada de seus profissionais. A implementação do Projeto Bolsa-Mestrado, segundo seus idealizadores e agentes do sistema de ensino, cria condições para o professor continuar seus estudos em Programas de Pós-Graduação, reconhecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (CAPES), permitindo com essa medida, o aprofundamento de conhecimentos de natureza teórica e pratica, com vistas ao aperfeiçoamento de sua atuação no ensino e à aquisição de competências como pesquisador(a). O programa concedeu 3.096 bolsas, entre os anos de 2004 e 2006, sendo que houve 59 desistências, desde o inicio do projeto. Como conseqüência desse número de desistências, a CENP (Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas) emitiu a Instrução nº 1, de 03 de novembro de 2006, que compromete o docente a restituir o valor da Bolsa, no caso de desistência do Programa. Embora o Governo do Estado de São Paulo tenha garantido o investimento na formação inicial e continuada dos educadores, que compõe o quadro de magistério publico, em janeiro de 2008, houve a suspensão, por seis meses, da Bolsa-Mestrado, ainda que com garantias do compromisso de manter a Bolsa para aqueles que já tinham o beneficio concedido, conforme Resolução SE-3, de 17 de janeiro de 2008. Comentando as entrevistasUm primeiro momento de análise das entrevistas realizadas foi sua organização em algumas categorias, considerando: os motivos que levaram os professores/gestores ao mestrado (e à bolsa mestrado); o tema por eles desenvolvido na Dissertação de Mestrado e sua Linha de Pesquisa; o tempo de titulação; possíveis contribuições do mestrado para a própria prática docente; possíveis contribuições para a instituição em que trabalha; perspectivas de continuidade das pesquisas. (Anexo 1) Motivos que levaram ao MestradoDentre os motivos que conduziram professores a ingressarem num curso de Mestrado, destacaram-se os seguintes: “pelas possibilidades oferecidas pelo projeto Bolsa Mestrado”; “pela ampliação dos meus próprios conhecimentos”; “pelo aperfeiçoamento pessoal”. Foi também apontada, a possibilidade de melhoria salarial, proporcionada pela titulação. Mas, a referência à “contribuição do Mestrado para o próprio aprendizado”, esteve presente nas respostas dos sete professores entrevistados. E é importante considerar que foram entrevistados professores que desenvolveram seus estudos em diferentes universidades: PUC-SP, USP; UNICID; Universidade São Marcos; Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza; UNICSUL; UMESP. O professor 7 trouxe uma reflexão interessante sobre a necessidade do mestrado para o próprio processo formativo. Ressaltou a importância de participar de congressos, simpósios, pois, segundo ele, “[...] esses eventos trazem muita informação”. Afirmou, também que o mestrado abre caminhos, [...] além da “oportunidade de refletir sobre a nossa atividade profissional e compreender os caminhos da educação”. A questão que fica: As mudanças apontadas se expressam, efetivamente, no cotidiano destes professores, estabelecem diferenciais nas suas áreas de atuação? O trabalho de Dissertação de MestradoA questão 3 abre uma discussão quanto ao tema de pesquisa dos entrevistados e suas relações com a atuação e o campo de trabalho do bolsista, as possíveis contribuições para um professor/gestor que atua na rede pública de ensino.
Um amplo olhar sobre os estudos realizados, permitiu identificar que os interesses dos professores e/ou gestores da rede pública de ensino paulista, com “Bolsa Mestrado”, são distintos. O professor 1 atua diretamente com o processo de formação na educação básica, enquanto que os professores 2 e 3 apresentam uma contribuição na área da literatura. Os professores que já atuam no ensino superior, concomitantemente ao trabalho na rede pública de ensino, preocupam-se com a formação dos novos professores que estarão ingressando no campo educacional ou mesmo apresentam contribuições para a utilização das novas tecnologias na educação, como o caso do professor 6. Ainda que se possa dirigir um “um olhar crítico sobre os avanços, problemas e perspectivas numa área especifica, mas significativa no campo da educação”, como sinaliza André (2007, p.53), o que pôde ser constatado, considerando o Projeto “Bolsa Mestrado” foi o fato de todos os professores e/ou gestores passarem pelo aprofundamento de conhecimentos específicos à sua área de atuação mas, com um diferencial importante: o desenvolvimento de competências próprias à constituição do pesquisador, competências essas proporcionados pelo Curso de Mestrado.
Os vários cursos oferecidos, remetem a uma diversidade de temáticas desenvolvidas, assim como a várias linhas de pesquisa. Em relação ao tempo para a titulação, os professores percorreram um período de dois anos a dois anos e meio para a obtenção do título. Apenas um, dentre os professores, obteve o título em quatro anos. Uma breve caracterização dos professores entrevistados:
Observou-se que todos os entrevistados atuam na Rede Estadual, mas parte dos entrevistados atua, também, no Ensino Superior. Na verdade, o Decreto da CENP nº 1, de 03 de novembro de 2003, dispõe sobre a obrigatoriedade de permanência na Rede Estadual de Ensino por 02 (dois) anos, após a conclusão do Curso de Mestrado, sob pena de restituição do valor investido, caso o professor se desligue da Rede ou não conclua o curso na integra. Contribuições que a participação num Curso de Mestrado proporcionou para a própria prática docente?
Os professores entrevistados, ao descreverem atividades que desenvolvem com os alunos, em suas salas, valorizam a formação que receberam no Curso de Mestrado, identificando, especialmente, atividades de pesquisa. Contribuições, que pretende oferecer à instituição em que trabalha
Contribuições, a partir do mestrado que efetivamente o professor-gestor já ofereceu à Instituição que trabalha
O professor mestre contínua pesquisando?Dos professores entrevistados, apenas um continua seus estudos e desenvolve pesquisas, pois está cursando o Doutorado. Outro professor afirma continuar pesquisando para elaborar um artigo. Os demais falam em leituras aprofundadas sobre o tema, mas não desenvolvem atividades de pesquisa. Contudo, o sentido de pesquisa presente no discurso dos professores/gestores, é o da apropriação de um instrumental de pesquisa, de algumas práticas, de algumas técnicas de pesquisa. Entretanto, ainda não está presente uma perspectiva que evidencie possibilidades de desenvolverem um projeto de pesquisa junto aos seus alunos ou, com alguns de seus alunos ou, com colegas; ainda não está presente um ambiente que favoreça uma prática de pesquisa, nas escolas. ConsideraçõesFoi possível perceber, com base nos resultados das entrevistas realizadas com os profissionais da educação da rede estadual que participaram do Projeto Bolsa Mestrado da SEESP, que a maioria dos profissionais entrevistados, utilizou a bolsa para aprimorar seus conhecimentos dentro da área profissional que atuam. Porém, alguns não se beneficiaram destes estudos para a melhoria do seu desempenho como docente/pesquisador da rede estadual de ensino, e sim, para novas conquistas profissionais que acarretassem novos rendimentos salariais, em novos campos de atuação. A possibilidade de os profissionais da rede de ensino – professores, diretores, coordenadores, supervisores – cursarem um Mestrado em sua área de atuação é uma conquista importante em termos de formação pessoal/profissional. O que ainda não está suficientemente estabelecido é o acompanhamento desses profissionais no cotidiano de seu trabalho : na sala de aula, na gestão de políticas, na ação coordenadora. Outro aspecto que merece uma reflexão é o próprio plano de carreira, para que a “bolsa mestrado” não se caracterize como uma possibilidade de sair da sala de aula, mas como uma perspectiva de um melhor desempenho docente. E aqui retomamos a linha teórica que discute a idéia da pesquisa como componente necessário ao trabalho e à formação dos professores (Lüdke, 2001). E voltamos a questionar: Que tipo de pesquisa? Que condições são oferecidas para que as pesquisas ocorram no espaço escolar, na sala de aula? Quando estávamos finalizando este artigo, articulado durante um semestre de intensas discussões, como já sinalizado, chegou a notícia de que O Projeto “Bolsa Mestrado” não estaria concedendo novas bolsas para o ano de 2008. E as perguntas que não querem calar: Por quê? Qual foi a avaliação do Projeto? Veja o Anexo 1 – Organização/Tabulação das respostas dos professores entrevistados em relação às questões: 3, 7, 8, 9 e 10. Referências BibliográficasANDRÉ, M. (org.). O papel da pesquisa na formação e na prática dos professores. 3ª ed. Campinas, SP: Papirus, 2004. p. 55-69. CERVO, A. L; BERVIAN, P. A. Metodologia Cientifica. In: CERVO, A. L; BERVIAN, P. A. A pesquisa noções gerais.- 4.ed. - São Paulo: Makron Book, 1996. ANDRÉ, M. Desafios da pós-graduação e da pesquisa sobre formação de professores. Educação & Linguagem. Programa de Pós Graduação em Educação: Universidade Metodista de São Paulo. São Bernardo do Campo: UMESP, Ano 10, n. 15, p. 18-42, 2007. (Dossiê: Formação de professores e trabalho docente). GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisas. In: GIL, A. C. Como delinear um levantamento? 3.ed. São Paulo: Atlas, 1996. cap.7, p.92. LUDKE, Menga (coord.). O professor e a pesquisa. Campinas, SP: Papirus, 2001. OLIVEIRA, S. L. Tratado de metodologia cientifica. In: OLIVEIRA, S. L. Metodologia cientifica. - 2.ed. - São Paulo: Pioneira, 2000. p.117. SANTOS, Lucíolo L. C. P. Dilemas e perspectivas na relação entre ensino e pesquisa. In: ANDRÉ, M. (org.) O papel da pesquisa na formação e na prática dos professores.Campinas, SP: Papirus, 2001.
Anexo 1Anexo 1Organização/Tabulação das respostas dos professores entrevistados em relação às questões: 3, 7, 8, 9 e 10.
Questão 3 – Qual o tema do trabalho de Dissertação de Mestrado - resumo
Questão 7 – Quais contribuições do mestrado para a sua prática docente?
Questão 8 – Quais contribuições, a partir do mestrado, você pretende oferecer à instituição que trabalha?
Questão 9 – Você teve oportunidade de desenvolver atividades na instituição em que trabalha relacionadas ao Mestrado?
10 – O professor mestre contínua pesquisando?
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