Sandra Duarte de Souza
Em 1989 um grupo de estudantes de pós-graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo, àquela época IMS, cria o Núcleo de Estudos Teológicos da Mulher na América Latina – NETMAL que, em 2004, passa a ser denominado: Grupo de Estudos de Gênero e Religião – Mandrágora/NETMAL. A história de Mandrágora/NETMAL se confunde com a biografia de suas integrantes. Mulheres cuja trajetória de vida encontra-se marcada pelo objeto que se propõem a analisar: gênero e religião. No contexto de uma pós-graduação em Ciências da Religião, essas mulheres trazem para a academia a necessidade da análise feminista, pois a desconstrução das tradições inventadas, sua desmitificação, passa, necessariamente, pela desconstrução de gênero. A forte marca androcêntrica das religiões de um modo geral e da tradição judaico-cristã em particular, coloca sobre a mesa a necessidade imperativa de desvelar as tramas das relações sociais de sexo que envolvem aquele objeto. As pesquisadoras e, atualmente, pesquisadores do Mandrágora/NETMAL se empenham em mostrar a transversalidade de gênero nos objetos abordados, e os resultados são reveladores. Cada um/a a partir de sua área de conhecimento busca analisar as implicações de gênero dos sistemas simbólico-religiosos que informam as/os fiéis e as instituições sociais de maneira geral.
A proposta do Mandrágora/NETMAL é de servir como um espaço de reflexão acadêmica, interdisciplinar, e estimular no contexto latino-americano o debate sobre gênero e religião como fundamental no processo de desconstrução das desigualdades sociais. A categoria gênero não tem sido tomada isoladamente nas pesquisas, que trabalham conjuntamente com outras categorias como raça/etnia, classe social, aspectos geracionais etc.
Para alcançar seus objetivos, desde 1990 o Mandrágora/NETMAL tem realizado seminários e painéis de debate sobre temáticas diretamente relacionadas à questão da discriminação da mulher e a participação da religião nesse processo como co-responsável por essa situação, mas também como um mecanismo possível de superação dessa situação.
A percepção da riqueza das reflexões propiciadas pelos seminários, colocou um novo desafio ao grupo de pesquisa: sistematizar as discussões em uma publicação que pudesse alcançar um público ainda maior. É nesse contexto que surge a Revista Mandrágora, que tem seu primeiro número publicado em 1994.
Em dez anos de existência a Mandrágora tem sintetizado o esforço de compreensão da complexa relação entre gênero e religião, e tem abordado temas de ponta. É importante ressaltar que seu público leitor extrapola os limites da academia, cumprindo um importante papel junto a setores populares, particularmente, junto ao movimento de mulheres. Atualmente Mandrágora/NETMAL conta com 11 revistas impressas que versam sobre os mais diversos temas:
Para viabilizar mais publicações de textos sobre gênero e religião, além da Revista Mandrágora, o Grupo de Estudos de Gênero e Religião Mandrágora/NETMAL decidiu criar o NETMAL in Revista, uma publicação eletrônica aberta, especialmente, à produção discente sobre essa temática. Com mais essa iniciativa queremos convidá-las e convida-los não somente a percorrer nossas páginas, mas também a contribuir conosco na sua produção.
Sandra Duarte de Souza é doutora em Ciências Sociais e Religião, professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo, coordenadora do Grupo de Estudos de Gênero e Religião Mandrágora/NETMAL. E-mail: sanduarte@uol.com.br.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7151234594799732
